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Thomas Tuchel levou dois atacantes reservas e nenhum deles entra em campo

Thomas Tuchel deixou uma pergunta sem resposta após o empate sem gols da Inglaterra contra Gana. Se Ivan Toney e Ollie Watkins foram convocados justamente para oferecer alternativas ofensivas a Harry Kane, por que nenhum dos dois saiu do banco quando a seleção precisava desesperadamente de um gol?

A discussão tomou conta da imprensa inglesa após a segunda partida da equipe na fase de grupos. Mais do que o resultado em si, o que chamou atenção foi a forma como a Inglaterra tentou buscar a vitória. Tuchel promoveu mudanças no setor ofensivo, lançou pontas e meias ao longo da partida, mas ignorou justamente os dois centroavantes que havia levado para os Estados Unidos.

A situação acabou alimentando um debate que já existia em torno da seleção inglesa: existe um plano B quando Harry Kane não consegue decidir?

Thomas Tuchel deixou seus atacantes no banco

O empate diante de Gana expôs uma das maiores dificuldades da Inglaterra até agora no torneio.

Harry Kane encontrou enormes problemas para participar do jogo. O capitão inglês terminou a partida com apenas 19 toques na bola, o menor número registrado por ele em um jogo de grande competição pela seleção quando permaneceu em campo durante os 90 minutos.

Muito disso aconteceu por causa da forte marcação de Thomas Partey. O volante acompanhou Kane praticamente durante toda a partida e conseguiu reduzir significativamente a influência do principal atacante inglês.

Mesmo vendo seu camisa 9 isolado, Thomas Tuchel optou por não mexer na estrutura ofensiva com a entrada de outro centroavante.

O resultado foi uma Inglaterra com posse de bola, volume ofensivo e cruzamentos para a área, mas sem a eficiência necessária para transformar o domínio em gols.

O discurso de Tuchel não combina com suas escolhas?

O ponto que mais chama atenção é que o próprio treinador justificou a convocação de Ivan Toney utilizando exatamente o cenário vivido contra Gana.

Quando anunciou a lista para o torneio, Tuchel afirmou que Kane gosta de atuar ao lado de Toney porque o atacante ajuda a dividir a atenção dos defensores e cria espaços para o companheiro.

Além disso, o treinador destacou que o jogador possui características importantes para momentos em que a equipe precisa pressionar em busca de um resultado.

Contra Gana, a Inglaterra passou boa parte do segundo tempo tentando encontrar um gol.

Ainda assim, Toney permaneceu sentado no banco de reservas.

A decisão naturalmente gerou questionamentos. Afinal, se o atacante foi convocado para esse tipo de situação, quando exatamente ele será utilizado?

Watkins também virou espectador

O caso de Ollie Watkins segue a mesma lógica.

O atacante chegou ao torneio em boa fase, marcou durante a preparação da Inglaterra e já demonstrou em diversas ocasiões que pode ser uma alternativa valiosa para o setor ofensivo.

Não faz muito tempo que Watkins protagonizou um dos momentos mais importantes da história recente da seleção inglesa ao marcar o gol da vitória sobre a Holanda na semifinal da Eurocopa.

Mesmo carregando esse histórico, ele também assistiu aos 90 minutos contra Gana do banco de reservas.

A escolha reforça a impressão de que Thomas Tuchel continua enxergando Harry Kane como a única referência ofensiva da equipe, independentemente do contexto da partida.

A Inglaterra corre o risco de depender demais de Kane?

A resposta mais simples seria dizer que sim. E isso não significa uma crítica ao atacante do Bayern de Munique.

Kane continua sendo um dos melhores centroavantes do mundo e o maior artilheiro da história da Inglaterra. O problema surge quando todo o sistema ofensivo passa a depender exclusivamente de sua capacidade de resolver jogos.

Contra Gana, a seleção inglesa pareceu presa a essa dependência.

Quando Kane não conseguiu encontrar espaços, o time também teve dificuldades para criar alternativas realmente perigosas.

A insistência em lançar mais pontas e meias ofensivos acabou deixando a equipe previsível em vários momentos. Talvez justamente por isso a ausência de Toney e Watkins tenha chamado tanta atenção.

Thomas Tuchel tem uma última oportunidade antes do mata-mata

A próxima partida da Inglaterra será contra o Panamá e pode representar um momento importante para o treinador.

Com a classificação encaminhada, Thomas Tuchel terá a oportunidade de realizar testes antes do início da fase eliminatória.

Entre as possibilidades está justamente observar como a equipe se comporta com dois atacantes em campo.

Durante décadas, o futebol inglês ficou associado ao tradicional esquema com dois centroavantes. Embora o futebol moderno tenha evoluído para modelos mais flexíveis, isso não significa que utilizar duas referências ofensivas tenha se tornado proibido.

Em determinados contextos, a solução mais simples continua sendo uma das mais eficientes. Especialmente quando o time precisa de um gol.

O dilema que pode acompanhar a Inglaterra

A Inglaterra segue sendo uma das seleções mais fortes da competição e continua aparecendo entre as candidatas ao título. Mas torneios curtos costumam apresentar cenários imprevisíveis.

Em algum momento, a equipe voltará a enfrentar uma defesa fechada. Em algum momento, Harry Kane voltará a encontrar dificuldades. E em algum momento, Thomas Tuchel precisará mostrar que possui alternativas além de seu principal astro.

Por isso, a pergunta deixada pelo empate contra Gana continua sem resposta.

Se Ivan Toney e Ollie Watkins foram convocados para ajudar a Inglaterra nos momentos difíceis, por que nenhum dos dois entrou em campo justamente quando a seleção mais precisava deles?

Até agora, Thomas Tuchel ainda não apresentou uma explicação convincente.

Foto: Bradley Collyer/PA