Sandro Tonali Newcastle, Juventus Tottenham
Premier League

Tottenham mira Tonali e expõe o desafio financeiro que o Newcastle ainda enfrenta na Premier League

O Newcastle vive uma das fases mais ambiciosas de sua história recente desde a aquisição pelo fundo soberano da Arábia Saudita, em 2021. O clube voltou a disputar a UEFA Champions League, conquistou um título nacional após décadas de espera e passou a ser visto como um concorrente capaz de desafiar a tradicional elite do futebol inglês. No entanto, o interesse do Tottenham em Sandro Tonali mostrou que ainda existe uma diferença importante entre o Newcastle e os clubes que dominam financeiramente a Premier League.

A tentativa dos Spurs de contratar o meio-campista italiano não representa apenas mais uma disputa por um jogador de alto nível. Ela evidencia que, apesar do crescimento esportivo do Newcastle, a distância econômica para os chamados “Big Six” continua sendo um obstáculo relevante na construção de um projeto capaz de competir constantemente pelos principais títulos.

Os números financeiros ajudam a explicar por que o clube ainda enfrenta dificuldades para manter seus principais jogadores e convencer reforços de elite a escolherem St. James’ Park.

O dinheiro ainda faz diferença na disputa pelos grandes jogadores

Sandro Tonali, alvo do Tottenham. Foto: Reprodução/Caught Offside
Sandro Tonali, alvo do Tottenham. Foto: Reprodução/Caught Offside

Há pouco mais de um ano, Damian Vidagany, diretor de operações de futebol do Aston Villa, declarou que os “Big Six” não existiam mais. A frase refletia o crescimento de clubes como Aston Villa e Newcastle, que conseguiram quebrar a hegemonia tradicional e conquistar vagas na UEFA Champions League nas últimas temporadas.

Dentro de campo, o argumento possui fundamento. O Newcastle mostrou capacidade para competir em alto nível e conquistar resultados importantes. Fora dele, porém, a realidade continua diferente.

O Tottenham terminou a temporada passada apenas na 12ª colocação da Premier League, desempenho bastante abaixo das expectativas. Ainda assim, sua estrutura financeira permanece muito superior à do Newcastle.

Na temporada 2024-25, os Spurs registraram uma receita total de 565,3 milhões de libras, enquanto o Newcastle arrecadou 335,3 milhões de libras. A diferença supera 230 milhões de libras, valor suficiente para ampliar significativamente o poder de investimento do clube londrino.

Essa vantagem permite ao Tottenham oferecer salários mais elevados e realizar propostas robustas, como a tentativa de contratar Sandro Tonali por aproximadamente 80 milhões de libras, sem comprometer o cumprimento das regras de sustentabilidade financeira da Premier League.

Embora a primeira oferta tenha sido recusada, o episódio deixa claro que o Newcastle ainda precisa competir não apenas dentro de campo, mas também contra a força econômica dos gigantes ingleses.

As receitas mostram o tamanho do desafio

O abismo financeiro fica ainda mais evidente quando os números são comparados com os principais clubes da Inglaterra.

O Liverpool liderou a lista de receitas em 2024-25 com 703 milhões de libras, seguido por Manchester City (694,1 milhões), Arsenal (690,3 milhões), Manchester United (666,5 milhões), Tottenham (565,3 milhões) e Chelsea (490,9 milhões).

O Newcastle aparece muito atrás desse grupo, com 335,3 milhões de libras.

A diferença não está apenas na receita total.

Enquanto o Tottenham arrecadou 277,1 milhões de libras em receitas comerciais, o Newcastle somou apenas 120,2 milhões.

Nos dias de jogos, a disparidade também impressiona. Os Spurs faturaram 126,5 milhões de libras com bilheteria e operações relacionadas ao estádio, mais que o dobro dos 51,6 milhões registrados pelo Newcastle.

Esses números explicam por que clubes como Tottenham, Arsenal e Manchester City conseguem enfrentar temporadas esportivamente irregulares sem comprometer significativamente sua capacidade de investimento.

O estádio pode definir o futuro do projeto

newcastle
Foto: Getty Images

 

Grande parte dessa diferença financeira passa diretamente pela infraestrutura.

O Tottenham inaugurou um dos estádios mais modernos do mundo e transformou sua arena em uma fonte permanente de receitas. Além dos jogos de futebol, o local recebe partidas da NFL, grandes shows, eventos corporativos e ativações comerciais que aumentam significativamente o faturamento anual.

O Newcastle observa esse modelo como referência.

Nos bastidores, cresce a discussão sobre a necessidade de construir um novo estádio ou ampliar o histórico St. James’ Park. A decisão é considerada estratégica para reduzir a distância financeira em relação aos principais concorrentes.

A comparação histórica mostra como o cenário mudou.

Em 2007, quando o Tottenham ainda atuava no antigo White Hart Lane, o Newcastle arrecadava 2,8 milhões de libras a mais em receitas de dias de jogos. Naquela época, a diferença total entre os dois clubes era de apenas 16 milhões de libras.

Hoje, essa vantagem desapareceu completamente. O Tottenham construiu uma estrutura capaz de multiplicar suas fontes de renda, enquanto o Newcastle ainda depende muito mais das receitas tradicionais do futebol.

Para especialistas em finanças esportivas, a escolha sobre o estádio pode definir o tamanho das ambições do clube para a próxima década.

Segundo Kieran Maguire, se o objetivo é disputar regularmente vagas na UEFA Champions League e competir com a elite europeia, um novo estádio praticamente se torna uma necessidade. Caso contrário, o Newcastle corre o risco de permanecer competitivo apenas em determinados ciclos, sem conseguir acompanhar financeiramente seus principais rivais.

O projeto continua forte, mas exige novos passos

Mesmo diante dessas dificuldades, o Newcastle mantém um projeto esportivo considerado atrativo.

O técnico Eddie Howe segue utilizando como principal argumento a capacidade do clube de desenvolver jogadores e fazê-los evoluir tecnicamente. Foi esse discurso que ajudou a convencer diversos atletas nas últimas temporadas e recebeu elogios públicos de nomes como Anthony Gordon.

No entanto, a concorrência ficou ainda mais intensa.

Depois de perder Alexander Isak para o Liverpool por 125 milhões de libras e Anthony Gordon para o Barcelona por 69 milhões, o clube agora precisa lidar com o interesse do Tottenham em Sandro Tonali. A sequência de assédios demonstra que o Newcastle já produz jogadores valorizados no mercado europeu, mas também evidencia a dificuldade em competir financeiramente com clubes que possuem receitas muito superiores.

A evolução esportiva do Newcastle é inegável. O clube voltou a disputar competições continentais, conquistou títulos importantes e passou a frequentar as primeiras posições da Premier League. Porém, para transformar esse crescimento em uma presença permanente entre as maiores potências da Europa, será necessário dar o próximo passo fora das quatro linhas.

Mais do que contratar estrelas, o grande desafio do Newcastle agora é construir uma estrutura financeira capaz de sustentá-las por muitos anos.

(Foto de capa: George Wood/Getty Images)

author
Kaique