Toda Copa do Mundo produz histórias inesperadas de seleções. Em 2022, o Marrocos alcançou uma semifinal histórica e mostrou que o futebol mundial está cada vez mais equilibrado. Em 2018, a Croácia chegou à final mesmo sem estar entre as principais candidatas ao título. Antes disso, seleções como Coreia do Sul, Turquia e Uruguai também superaram expectativas em diferentes edições do torneio.
Para 2026, o cenário não parece diferente.
Embora França, Brasil, Argentina, Portugal, Espanha e Inglaterra cheguem como favoritas naturais, existem algumas seleções que possuem condições reais de surpreender e transformar uma boa campanha em algo ainda maior. Entre elas, três nomes chamam atenção pelo momento vivido, pela qualidade individual de seus jogadores e pela evolução apresentada nos últimos anos: Noruega, Estados Unidos e Equador.
Noruega chega com sua geração mais forte em décadas

Durante muitos anos, a Noruega foi vista como uma seleção que produzia bons jogadores de forma isolada, mas sem conseguir formar uma equipe competitiva.
Isso mudou.
A atual geração norueguesa talvez seja a mais talentosa do país desde os anos 1990. O principal símbolo dessa transformação é Erling Haaland. O atacante já é o maior artilheiro da história da seleção e chega à Copa com números impressionantes. Ao longo da campanha classificatória, marcou gols de forma constante e liderou uma equipe que surpreendeu toda a Europa.
Mas a Noruega deixou de depender apenas de Haaland.
Martin Odegaard se consolidou como um dos melhores meio-campistas do futebol europeu e é o cérebro da equipe. Sua capacidade de criação oferece ao time uma qualidade técnica que poucas gerações norueguesas tiveram. Além deles, jogadores como Alexander Sorloth, Antonio Nusa e Oscar Bobb ajudam a aumentar o nível do elenco.
Os resultados mostraram essa evolução.
A Noruega terminou as Eliminatórias Europeias na liderança de seu grupo, superando a Itália. Os italianos, campeões mundiais em quatro oportunidades, ficaram atrás dos noruegueses e precisaram buscar a classificação por outro caminho. O desempenho chamou atenção porque não se tratou de uma campanha baseada apenas em resultados pontuais, mas em uma sequência consistente de boas atuações.
Na Copa do Mundo, a seleção terá pela frente um grupo com França, Senegal e Iraque. A França aparece como favorita, mas a disputa pela segunda vaga está completamente aberta. Se repetir o futebol apresentado nas Eliminatórias, a Noruega tem condições reais de alcançar o mata-mata e se tornar uma das histórias do torneio.
Estados Unidos apostam na força do fator casa e na experiência de Pochettino

Se existe uma seleção que pode crescer durante a competição, essa equipe talvez seja os Estados Unidos.
Os norte-americanos chegam para a Copa impulsionados por diversos fatores positivos. O primeiro deles é a presença de Mauricio Pochettino. O treinador argentino possui experiência em clubes de elite da Europa, tendo comandado Tottenham, PSG e Chelsea. Sua chegada elevou o nível de organização tática da equipe e trouxe uma mentalidade mais competitiva ao grupo.
Outro fator importante é o crescimento do futebol americano nos últimos anos.
A geração atual dos Estados Unidos é muito mais experiente internacionalmente do que aquelas que disputaram Copas anteriores. Christian Pulisic continua sendo a principal referência técnica da equipe, mas ele não está sozinho. Jogadores como Weston McKennie, Tyler Adams, Giovanni Reyna e Folarin Balogun atuam em alto nível e oferecem profundidade ao elenco.
Os amistosos recentes também serviram como demonstração de força.
Os americanos venceram Paraguai e Austrália, dois adversários que encontrarão novamente na fase de grupos da Copa. Além disso, empataram com o Equador e conquistaram uma expressiva vitória por 5 a 1 sobre o Uruguai, resultado que chamou atenção pela diferença técnica entre as equipes.
O grupo dos Estados Unidos conta com Paraguai, Austrália e Turquia. Não é uma chave simples, mas também está longe de ser uma das mais difíceis da competição. Atuando em casa e contando com o apoio de sua torcida, a seleção americana possui um caminho bastante favorável para chegar ao mata-mata.
Historicamente, seleções anfitriãs costumam elevar seu desempenho em Copas do Mundo. Os Estados Unidos esperam repetir esse padrão e transformar o fator casa em uma das principais armas da competição.
Equador combina organização, juventude e experiência

Talvez nenhuma seleção fora do grupo das favoritas chegue à Copa em melhor momento do que o Equador.
A equipe sul-americana desembarca no Mundial carregando uma impressionante sequência de 19 partidas sem derrota. Sua última derrota aconteceu justamente diante do Brasil, ainda em 2024. Desde então, os equatorianos construíram uma das séries mais consistentes do futebol internacional.
A campanha nas Eliminatórias da América do Sul reforçou essa impressão.
O Equador terminou em segundo lugar, atrás apenas da Argentina. Mais impressionante do que a colocação foi o fato de ter superado seleções tradicionais como Brasil, Uruguai e Colômbia.
Grande parte desse sucesso passa pela qualidade do elenco.
Na defesa, a equipe conta com uma dupla de altíssimo nível formada por Willian Pacho e Piero Hincapié. Os dois chegam à Copa após temporadas de destaque no futebol europeu e se consolidaram como referências de suas equipes.
No meio-campo, Moisés Caicedo é considerado um dos melhores volantes do mundo. Sua capacidade de marcação e construção de jogadas dá equilíbrio à seleção equatoriana.
O elenco ainda mistura juventude e experiência. Kendry Páez continua sendo uma das maiores promessas do futebol sul-americano, enquanto Gonzalo Plata e Enner Valencia oferecem rodagem internacional e liderança para os momentos decisivos.
O principal diferencial do Equador, porém, talvez esteja no conjunto.
Diferentemente de outras seleções que dependem de uma ou duas estrelas, os equatorianos apresentam um time extremamente organizado, competitivo e acostumado a enfrentar adversários fortes nas Eliminatórias Sul-Americanas.
Por isso, embora as atenções estejam voltadas para as grandes favoritas, Noruega, Estados Unidos e Equador possuem argumentos suficientes para acreditar em campanhas marcantes. Se a história das Copas do Mundo ensina alguma coisa, é que sempre existe espaço para uma surpresa. E, em 2026, essas três seleções parecem ser algumas das candidatas mais fortes para assumir esse papel.
(Foto de capa: Divulgação / Seleção Norueguesa)