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UFC 328 e seus três nomes para ficar de olho no card preliminar

O UFC 328 vem com um pacote de preliminares que, sinceramente, tem mais cara de “card escondido” do que de simples esquenta. E no meio de oito lutas, três nomes chamam atenção não só pelo momento, mas pelo potencial de bagunçar suas respectivas divisões nos próximos meses: Baisangur Susurkaev, Ateba Abega Gautier e Yaroslav Amosov.

Não é exagero dizer que esses três entram no octógono com mais do que uma vitória em jogo no UFC. Cada um, à sua maneira, tenta provar que pode dar o próximo passo, seja confirmando hype, corrigindo rota ou se firmando de vez na nova casa.

UFC 328 e seus 3 nomes interessantes fora dos holofotes

Baisangur Susurkaev: o caos controlado (ou quase isso)

Invicto com 11 vitórias, Baisangur Susurkaev ainda está naquele estágio clássico de prospecto que empolga, mas levanta algumas sobrancelhas. Sabe aquele lutador que parece pronto… até a hora em que não parece? Pois é, é exatamente essa realidade.

O russo chamou atenção quando venceu no Contender Series e, quatro dias depois (sim, quatro dias), já estava lutando de novo e vencendo no UFC. Esse tipo de atitude ajuda a construir narrativa, mas também expõe um traço importante: confiança lá em cima, às vezes até demais.

Dentro do cage, Susurkaev é agressivo, potente e parece sempre confortável em qualquer situação. O problema é justamente esse “qualquer situação”. Até agora, ele não enfrentou ninguém que realmente o colocasse contra a parede por tempo suficiente. E isso, em MMA, costuma cobrar seu preço mais cedo ou mais tarde.

Contra Djorden Santos, o cenário tende a ser mais controlado. O brasileiro é um lutador sólido, que pressiona e aguenta pancada, mas não tem o mesmo nível de explosão ou arsenal técnico. É o tipo de adversário que serve como teste intermediário, aquele degrau que o UFC usa para entender se o prospecto está pronto para voos maiores.

Se Susurkaev vencer bem, segue o hype. Se passar sufoco… bom, aí começam as perguntas.

Ateba Abega Gautier: talento bruto pedindo refinamento

Se a ideia é falar de potencial puro no UFC, poucos nomes nas preliminares chegam perto de Ateba Abega Gautier. Com apenas 24 anos, o peso-médio já mostrou que tem ferramentas para ser problema sério na divisão, principalmente pela combinação de força física e capacidade de nocaute.

Mas nem tudo são highlights.

A última apresentação, contra Andrey Pulyaev, serviu como um pequeno freio na empolgação. Gautier venceu, mas longe de dominar como muitos esperavam. Teve dificuldade para cortar distância, encontrou um adversário mais escorregadio e precisou ter paciência, algo positivo, por um lado, mas que também evidenciou a falta de experiência.

E talvez esse seja o ponto-chave aqui: Gautier não parece ter um teto baixo. Muito pelo contrário. Só que ainda está construindo o caminho até lá, se adaptar ao UFC nem sempre é tranquilo, o problema é se o tempo passar, e ele não conseguir se achar.

Contra Osman Diaz, o roteiro parece favorável no UFC 328. O veterano americano é inteligente, sabe pressionar e tem rodagem, mas sofre quando enfrenta atletas mais explosivos e fortes, exatamente o perfil de Gautier. A tendência é que ele até consiga esticar a luta mais do que outros adversários conseguiram, mas, em algum momento, deve acabar sendo atingido.

Para Gautier, mais do que vencer, a missão é mostrar evolução. Ser dominante de novo. Reacender aquela sensação de “esse cara é diferente”. E contra um oponente mais experiente, e sem tanto queixo, a parada pode ficar interessante para o prospecto.

Yaroslav Amosov: o nome mais pronto (e mais pressionado)

Diferente dos outros dois, Yaroslav Amosov não é promessa, é realidade no UFC. Ou pelo menos foi, durante boa parte da carreira.

Ex-campeão dos meio-médios do Bellator, o ucraniano construiu um cartel impressionante antes de sofrer sua primeira derrota, já no fim da passagem pela organização. E não foi qualquer derrota: Jason Jackson neutralizou completamente seu jogo e ainda conseguiu um nocaute que pegou muita gente de surpresa.

Depois disso, Amosov precisou se reinventar um pouco. Voltou com vitória dominante, assinou com o UFC e estreou bem contra Neil Magny, em uma luta que serviu quase como cartão de visitas. Mas agora o nível sobe e sobe de verdade.

Joel Alvarez é um adversário complicado em vários sentidos. Alto, longo, perigoso no chão e cada vez mais confortável na trocação, o espanhol é aquele tipo de lutador que não facilita a vida de ninguém, e tem tudo para ser osso duro de roer para qualquer um nesta divisão do UFC. E mais: não precisa finalizar ou nocautear para vencer, já mostrou que consegue controlar rounds.

Para Amosov, o desafio é claro: impor seu wrestling sem se expor. Parece simples no papel, mas, na prática, Alvarez costuma transformar luta em um quebra-cabeça.

E aqui entra um ponto importante: a adaptação ao UFC. Muitos nomes vindos do Bellator têm sentido a diferença física e de ritmo dentro do octógono. Amosov começou bem, mas ainda precisa provar consistência.

Preliminar com cara de futuro

No fim das contas, essas três lutas do UFC 328 dizem muito mais sobre o amanhã do que sobre o hoje. Susurkaev tenta manter o hype vivo, Gautier busca reafirmação e Amosov quer mostrar que ainda pertence ao alto nível.

E se tem uma coisa que o UFC costuma provar com frequência é que as preliminares nem sempre são só aquecimento. Às vezes, são exatamente onde as próximas histórias começam.

Então, antes de ignorar o início do card, vale o aviso: pode ter coisa grande acontecendo ali.

Foto: Getty Images