Deiveson Figueiredo UFC
Lutas UFC

UFC: Deiveson Figueiredo ainda tem caminho a ser percorrido no peso-galo?

Quando Deiveson Figueiredo decidiu subir para o peso-galo, muita gente imaginou que o brasileiro poderia virar um problema gigantesco para a divisão. Afinal, estamos falando de um ex-campeão dominante dos moscas, dono de mãos pesadas, agressividade absurda e uma capacidade rara de transformar qualquer luta em caos absoluto. O problema é que a mudança para os 61 kg trouxe uma realidade um pouco diferente daquela expectativa inicial.

No UFC Fight Night 277, em Macau, Figueiredo terá mais uma oportunidade de mostrar que ainda pertence ao topo da categoria. Do outro lado estará Song Yadong, um dos nomes mais perigosos e explosivos da nova geração do peso-galo. E sinceramente? Não existe cenário de luta morna aqui. Se alguém colocar na Paramount esperando um duelo técnico e travado, provavelmente escolheu o evento errado.

A luta principal deste sábado pode dizer muito sobre o futuro dos dois atletas dentro do UFC. Para Deiveson, talvez seja até mais importante. Afinal, perder mais uma vez para um integrante da elite da divisão pode afastar de vez qualquer sonho de disputar cinturão novamente, ainda mais com a idade atual do brasileiro.

Os números de Deiveson no peso-galo preocupam, mas o contexto importa

O cartel de Deiveson no peso-galo não é desastroso. Muito pelo contrário. O brasileiro soma quatro vitórias e três derrotas desde que subiu de categoria. O problema é olhar para quem ele perdeu.

As derrotas vieram contra Umar Nurmagomedov, Cory Sandhagen e Petr Yan. Ou seja: praticamente um pacote premium do inferno da divisão dos galos. Não foram tropeços contra lutadores medianos ou nomes fora do ranking. Foram derrotas para atletas que brigam diretamente pelo topo e que possuem estilos extremamente difíceis, estamos falando de um forte postulante ao título, enquanto outro já está com ele nas mãos.

O próprio comentarista Alan Jouban destacou isso ao analisar o confronto contra Song Yadong. Segundo ele, Deiveson acabou recebendo um matchmaking cruel desde que mudou de categoria. E faz sentido. Poucos lutadores sobem de divisão e já entram numa sequência enfrentando a nata da categoria sem praticamente nenhum respiro.

Ainda assim, existe um detalhe importante: mesmo nas derrotas, Deiveson Figueiredo mostrou competitividade física. O brasileiro não parece pequeno para a divisão, não parece sofrer com potência e muito menos com imposição. O grande problema tem sido a velocidade de alguns adversários e, principalmente, a dificuldade em lidar com lutadores mais técnicos na média e longa distância, sem esquecer também da idade, que é uma questão importante para ele no momento.

Song Yadong é perigoso, mas oferece o tipo de luta que Deiveson gosta

Existe uma diferença enorme entre enfrentar alguém como Sandhagen e enfrentar Song Yadong. Enquanto Sandhagen trabalha movimentação, volume e inteligência tática praticamente o tempo inteiro, Song gosta de trocar golpes, pressionar e transformar lutas em guerras curtas dentro do octógono.

E convenhamos: entrar numa trocação franca com Deiveson nunca pareceu exatamente um plano genial.

Song chega embalado pelo status de um dos lutadores mais empolgantes do peso-galo. Jovem, forte, agressivo e com mãos rápidas, o chinês virou uma peça importante para os planos do UFC no mercado asiático. Lutando em Macau, claramente terá apoio da torcida e uma atmosfera completamente favorável. Mas existe um detalhe que pode equilibrar tudo: experiência em grandes momentos.

Figueiredo já disputou cinturão inúmeras vezes, participou de guerras históricas contra Brandon Moreno e viveu noites gigantescas dentro do UFC. Pressão de main event não é novidade para ele. Na verdade, talvez seja justamente o ambiente em que o brasileiro mais gosta de atuar, deu para ver isso no Rio de Janeiro, quando Charles Do Bronx foi o main-event.

Além disso, Deiveson continua sendo um dos caras mais perigosos da organização quando encontra o timing certo. O poder de nocaute permanece ali. Basta um golpe encaixado para transformar completamente qualquer luta. E Song, apesar de talentoso, já mostrou em outros momentos que pode ser atingido quando resolve avançar de maneira mais agressiva.

Vitória pode recolocar o brasileiro na conversa do topo

Hoje, Song Yadong ocupa a oitava posição do ranking peso-galo, enquanto Deiveson aparece logo atrás, em nono. Na prática, estamos falando de um confronto direto entre atletas que ainda orbitam a elite da divisão. Só que a sensação é diferente para cada um deles.

Song luta para confirmar ascensão. Deiveson luta para provar que ainda não virou apenas um “gatekeeper de luxo” da categoria. E essa diferença pesa bastante.

Uma vitória do brasileiro mudaria completamente o cenário. Além de quebrar a sequência negativa contra membros da elite, também recolocaria seu nome em possíveis lutas contra contenders importantes. O peso-galo vive um momento extremamente competitivo, mas também muito movimentado. Uma boa atuação em Macau pode fazer Figueiredo voltar rapidamente para confrontos grandes.

E sejamos honestos: o UFC provavelmente adoraria isso.

Deiveson continua sendo um lutador carismático, caótico e extremamente divertido de assistir. Ele não é aquele atleta que vence por decisão morna após 25 minutos agarrando na grade. Quando entra no octógono, alguma coisa acontece. Às vezes é um nocaute absurdo, às vezes uma guerra sangrenta, às vezes uma tentativa completamente insana de finalizar alguém no susto. Mas raramente existe tédio.

Por isso, independentemente do resultado, a expectativa para UFC Macau é de violência esportiva em alto nível. E se Song Yadong realmente decidir caminhar para frente o tempo inteiro, como costuma fazer, talvez esteja entrando exatamente no tipo de luta que Deiveson Figueiredo mais gosta de disputar.

Foto: Divulgação / UFC