O Vasco iniciou sua caminhada na Copa Sul-Americana com um empate sem gols diante do Barracas Central, fora de casa. Em um contexto de time alternativo e comissão técnica desfalcada, o jogo foi pouco agitado, mas acabou com o Cruzmaltino conseguindo um ponto fora de casa
Agora, o Vasco volta à campo pela Sul-Americana para enfrentar o Audax Italiano em casa buscando a sua primeira vitória na competição. Antes disso, tem uma partida contra o Remo, em Belém, pelo Brasileirão
O jogo
A decisão de poupar os titulares, pensando na sequência do Brasileirão, impactou diretamente o desempenho da equipe. Sem seus principais nomes e também sem a presença de Renato Gaúcho à beira do campo, o Vasco apresentou um time com menos entrosamento, ainda que tecnicamente superior ao adversário.
No primeiro tempo, essa superioridade apareceu mais no controle do jogo do que na criação efetiva de chances. O Vasco teve mais posse, tentou organizar suas ações ofensivas e contou com boas participações individuais, principalmente de Matheus França e Nuno Moreira. Ainda assim, faltou intensidade e, principalmente, precisão no último passe.
A melhor oportunidade da etapa inicial veio em uma jogada aérea. Matheus França levantou na medida para Spinelli, que conseguiu desviar de cabeça com perigo. O goleiro Espínola, no entanto, fez grande defesa e evitou o gol. Foi um dos poucos momentos em que o Vasco realmente conseguiu levar perigo claro.
Nuno Moreira também se destacou pela movimentação. Atuando com liberdade atrás do atacante, o português tentou dar dinâmica ao setor ofensivo. Em uma das jogadas, tabelou com Spinelli e finalizou de fora da área, mas sem exigir tanto do goleiro adversário. Era um esforço individual em um sistema que ainda parecia pouco fluido.
Apesar de ter mais qualidade, o Vasco produziu pouco. Faltava agressividade, infiltração e maior presença na área. O time rodava a bola, mas sem conseguir quebrar as linhas defensivas do Barracas Central com consistência.
Na volta para o segundo tempo, o cenário mudou um pouco. O time argentino passou a acreditar mais no jogo e cresceu em campo. Aproveitando a queda de ritmo do Vasco, o Barracas conseguiu avançar e criou sua melhor chance com Tobio, que apareceu livre na área para finalizar. O lance só não terminou em gol porque Hugo Moura conseguiu bloquear no momento certo.
Esse susto parece ter servido como alerta. O Vasco voltou a se organizar e melhorou após as alterações promovidas por Marcelo Salles. As mudanças deram mais mobilidade ao time, principalmente nos contra-ataques.
Em uma dessas transições, Hinestroza avançou com velocidade pela área e rolou para JP, que finalizou. A bola ainda desviou e saiu com muito perigo, sendo uma das melhores chances da equipe na partida. Foi um lance que mostrou um caminho possível: acelerar mais e explorar os espaços, ao invés de insistir apenas na posse.
O jogo ganhou um novo componente quando Puig, do Barracas Central, foi expulso após uma entrada dura em Nuno Moreira. Com um jogador a mais, o Vasco passou a ter ainda mais controle territorial e aumentou a pressão nos minutos finais.
A melhor chance da vitória veio já nesse contexto. Após uma boa jogada, Spinelli ajeitou para Adson, que finalizou de canhota. No entanto, o posicionamento corporal não foi ideal, e o chute saiu sem direção, desperdiçando uma oportunidade clara.
Mesmo com a vantagem numérica e maior presença no campo ofensivo, o Vasco não conseguiu transformar o domínio em gol. Faltou capricho na finalização e, em alguns momentos, melhor tomada de decisão.
O empate sem gols, portanto, acaba sendo um retrato fiel da partida. Um time que teve mais qualidade, controlou boa parte do jogo, mas não foi eficiente o suficiente para sair com a vitória.
Vasco não faz um bom jogo, mas também não compromete
Pensando na sequência da competição, o resultado não compromete, mas também não empolga. Em torneios de fase de grupos, pontuar fora de casa pode ser importante, mas perder a chance de vencer um adversário teoricamente mais fraco pode fazer falta mais adiante.
Por outro lado, o jogo também serve para observar peças menos utilizadas e dar rodagem ao elenco. Em um calendário apertado, esse tipo de estratégia é comum, mas sempre traz o risco de comprometer o desempenho imediato.
No fim, o Vasco estreia com um ponto e algumas respostas em aberto. Mostrou organização em certos momentos, mas também deixou claro que precisa evoluir na criação ofensiva, especialmente quando atua com uma formação alternativa.
A competição está apenas começando, e ainda há tempo para ajustes. Mas jogos como esse reforçam a importância de transformar domínio em resultado, algo que, desta vez, ficou faltando.
(Foto: Marcelo Endelli/Getty Images)

