Apenas 90 minutos separavam o Vasco de vivenciar uma decisão histórica de Copa do Brasil e a retomada do protagonismo do futebol brasileiro que já não ocorria há pelo menos 11 anos. Uma instabilidade forte que assolou o trabalho de Fernando Diniz no segundo semestre poderia colocar tudo à perder mesmo depois da grande vitória por 2 a 1 no jogo de ida das semifinais contra o Fluminense, que acabou vencendo o jogo de volta por 1 a 0 e forçou a decisão nos pênaltis. Mas o destino estava preparado para que o cruzmaltino fosse à decisão com um técnico que foi mantido pela diretoria nos momentos mais difíceis e uma torcida que jamais abandonou o seu clube.
Vasco demonstrou força mental absurda contra o Fluminense
Analisar a partida sem o contexto necessário é uma tarefa muito complicada diante do heroísmo em que o Vasco foi inserido com essa classificação histórica, que começou definitivamente no jogo de ida e aquele gol marcado aos 50 minutos do segundo tempo, fundamental para ter transformado o ambiente mental do cruzmaltino em algo positivo. Nem mesmo o gol contra marcado por Paulo Henrique abalou o psicológico dos comandados de Fernando Diniz, que surpreendeu na volta do intervalo quando fez um gesto de “vitória” para a torcida cruzmaltina e provocou reação muito positiva nas arquibancadas.
Algumas chances de gol surgiram e deixaram o torcedor na expectativa para que a situação fosse resolvida ainda no tempo regulamentar, mas Fábio fez uma sequência de grandes defesas e mostrou que pode seguir por mais do que pelo menos dois anos rendendo em altíssimo nível. O goleiro do Fluminense defendeu um chute espetacular de Gómez e impediu que Rayan marcasse dois gols em cobrança de falta no ângulo e cabeçada à queima-roupa, impedindo uma vida mais tranquila do Vasco.
Boa parte do confronto foi disputado com muita marcação e pouca inspiração de ambos os lados, e o nível técnico de ambas equipes deixou a desejar. No entanto, precisamos falar de Léo Jardim, goleiro que definitivamente salvou o Vasco no momento mais decisivo para repetir o feito diante de Botafogo e Operário na campanha da Copa do Brasil 2025, mostrando que se recuperou da fase ruim demonstrada na reta final do Brasileirão.
Até mesmo a cobrança por pênaltis trouxe uma emoção indescritível para o torcedor do Vasco considerando que Vegetti iniciou a disputa desperdiçando a primeira cobrança, deixando o Tricolor em vantagem até a quarta cobrança. O pênalti decisivo defendido na cobrança de Canobbio trouxe memórias para o atacante argentino certamente, pois foi Léo Jardim quem defendeu a cobrança do ex-jogador do Athletico-PR quando o Vasco arrancou sua classificação na Arena da Baixada em 2024. Por fim, até mesmo o já outrora contestado Puma Rodríguez garantiu a emoção total e a classificação histórica.
O que significa a classificação para o Vasco?
Classificar-se para a final da Copa do Brasil é uma resiliência de um gigante que se recusa à ficar pequeno diante de tantos problemas extracampo e falta de resultados esportivos relevantes em relação aos seus rivais diretos. O Vasco chegou, e agora só restam dois jogos contra o Corinthians para alcançar um novo título nacional.
Imagem: AGIF