Sob muita chuva e um gramado pesado na Arena Condá, em Chapecó, o Vasco foi derrotado pelo Grêmio, por 1 a 0, em duelo da 20ª rodada do Brasileirão, na noite do último domingo. Diante do resultado negativo, o segundo revés consecutivo no campeonato sob o comando de Rafael Paiva, a delegação cruzmaltina se pronunciou sobre as condições do gramado do estádio no oeste catarinense, e demonstrou muita bronca com a atuação da arbitragem, apontando favorecimentos ao time gaúcho, através do atacante Vegetti e do diretor Marcelo Sant’Ana.
Com uma visível irritação pela derrota vascaína, o jogador citou além da revolta com a arbitragem e a situação do campo da Arena Condá, as reclamações do Grêmio sobre o jogo passado, diante do Corinthians em São Paulo, que terminou empatado em 2 a 2. No duelo da última quinta-feira, o técnico Renato Portaluppi criticou a CBF e a diretoria do Tricolor fez uma queixa formal contra a arbitragem junto à entidade.
Um jogo que não conseguimos jogar por causa do campo, pelo rival e pelo árbitro. Eles (Grêmio) só reclamaram depois da partida contra o Corinthians, choraram toda a semana. Não se pode jogar futebol assim. Apitou tudo, fez tumulto. Impossível, muito anti-futebol. Parece que você tem que chorar para que te ajudem um pouquinho. É impossível jogar futebol assim. Foi uma partida que o campo também não tinha condições de jogar, mas os jogadores e o treinador (do Grêmio) reclamam a todo tempo. Uma lástima.”
— afirmou o camisa 99.
Diretor também reclama da arbitragem, mas técnico do Vasco desvia
Além da reclamação dos jogadores, o Vasco também se pronunciou por meio de sua diretoria, com o executivo de futebol Marcelo Sant’Ana se pronunciando ao final do jogo, pouco antes da coletiva do treinador Rafael Paiva. O dirigente expôs que a equipe foi prejudicada, porém sem considerar a ocorrência de erros graves. Segundo ele, o juiz Paulo Cesar Zanovelli da Silva foi condicionada por situações anteriores ao jogo deste domingo. Confira trechos a seguir:
O Vasco quer pontuar apenas como às vezes as arbitragens no Brasil são pré-condicionadas desde antes das partidas, e como o árbitro às vezes entra totalmente pressionado. O Vasco hoje não tem responsabilidade de pagar pelo erro que o Grêmio sofreu no jogo contra o Corinthians. Aí você vê com 40 segundos o árbitro, de maneira precipitada, já dá um amarelo para um atleta do Vasco e já faz a sinalização para os atletas do Grêmio que esse tipo de pressão vai funcionar.”
Embora não teve um erro grave e gritante, depois que o Grêmio chegou à frente do placar, todas as vezes que o goleiro do Grêmio ia cobrar o tiro de meta, o árbitro dava as costas. O goleiro ganha confiança para ficar retardando a cobrança. Têm algumas situações que vão me chateando, não teve nenhum erro gravíssimo, mas têm diversas situações que quem está no dia a dia se sente prejudica, os atletas ficam estressados. A gente tem observado isso ao longo do campeonato.”
— declarou Marcelo Sant’Ana.
Após a declaração do diretor do Vasco, foi a vez de Rafael Paiva se pronunciar sobre o jogo em Chapecó, numa sonora onde procurou se esquivar da atuação da arbitragem, e focou no que a equipe produziu diante do Grêmio, em sua terceira derrota no comando, a segunda consecutiva. Paiva declarou que o confronto foi muito diferente daqueles em que o time apresentou boas atuações, e citou que a chuva e as condições do campo foram adversidades que atrapalharam o cruzmaltino durante o jogo. O treinador falou também sobre as alterações que realizou no decorrer da partida, como por exemplo, a saída de Philippe Coutinho, em seu primeiro jogo como titular desde a volta ao Vasco.
Jogo muito atípico. Saiu demais daquilo que a gente achava que poderia controlar. A chuva e o campo atrapalharam demais. Era um jogo de disputa e segunda bola. Qualquer escorregão gerava um contra-ataque, e foi até assim que levamos o gol. A bola parada também condiciona muito. É um jogo que sai de um contexto normal, é muita briga.”
Sobre as trocas, era um jogo que a gente tinha trabalhado para jogar e construir, mas se transformou em algo de bola longa e segunda bola. O Grêmio ganhou a maioria das segundas bolas, o 1×1 do Soteldo estava nos machucando um pouco. Fomos para três zagueiros para tentar melhor as rebatidas e ter alas. Acho que tivemos um pouco mais de controle, mas logo na sequência levamos o gol. O Maicon sentiu um desconforto na posterior, acho que é o acúmulo dos jogos, então também não queremos passar nenhum risco com ele.”
Rafael Paiva também foi questionado sobre a sequência no Brasileirão, onde reconhece a necessidade de voltar a pontuar, e afirmou que a sequência de quatro jogos fora de casa no campeonato era difícil. Ele cita a possibilidade de recuperar o time no começo do returno, e falou que o jogo seguinte, diante do Atlético-GO, na ida das oitavas de final da Copa do Brasil, será o mais importante do ano.
Brasileiro é muito difícil. Para mim, é o mais difícil que tem. Nas últimas duas rodasas vimos que equipes lá da parte de baixo começaram a pontuar e nós não. Precisamos voltar a pontuar logo. Quarta tem o jogo mais importante do ano para a gente, precisamos fazer com que essas derrotas não nos afete. Sabíamos que essa sequência de quatro jogos fora de casa era muito difícil, mas temos que tocar para frente. Já temos que pensar na quarta.”
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2024/e/l/ipxDR6RISgsqZDZytxvQ/2.jpg)
Foto: Heber Gomes/AGIF