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Automobilismo Fórmula 1

Fórmula 1: Cinco vencedores e cinco derrotados do GP de Silverstone

O público de Silverstone não viu um piloto britânico vencer em casa, mas acompanhou um novo vencedor na temporada de 2026, com Charles Leclerc conquistando sua primeira vitória em um Grande Prêmio desde 2024. Enquanto o piloto da Ferrari teve muitos motivos para comemorar, vários de seus adversários deixaram o circuito pensando no que poderia ter sido.

Leclerc vinha enfrentando um período complicado nas últimas corridas, depois de perder a sintonia com sua Ferrari, o que impedia que extraísse do carro o mesmo desempenho alcançado por seu companheiro de equipe, o heptacampeão mundial Lewis Hamilton.

Na noite de sexta-feira, porém, o monegasco encontrou nos dados da equipe um elemento que representou uma espécie de avanço, permitindo recuperar essa conexão com o carro. O resultado foi a conquista de um lugar na primeira fila do grid, ao lado do piloto da Mercedes, Kimi Antonelli.

Antes da largada, Leclerc ainda conseguiu fazer uma soneca de 40 minutos, algo que não havia conseguido nas corridas recentes. Na prova, fez uma excelente largada para assumir a liderança e transformou essa vantagem em sua primeira vitória da temporada e também a primeira desde Austin, em 2024.

Já Antonelli viveu um roteiro oposto. Depois de perder algumas posições na largada, apesar de partir da pole position, o italiano manteve a concentração e iniciou uma corrida de recuperação. Na parte final da prova, aproximou-se de Leclerc, mas um problema no protetor da roda dianteira esquerda obrigou o piloto a fazer duas paradas.

O contratempo o fez despencar da segunda posição para o décimo lugar. Nos giros finais, Antonelli voltou a mostrar bom ritmo, mas uma punição de cinco segundos por exceder os limites da pista, somada ao encerramento da corrida sob Safety Car, fez com que terminasse sem marcar pontos.

Foi o segundo problema de confiabilidade enfrentado pelo piloto em três corridas enquanto ocupava posições entre os dois primeiros colocados. Apesar da vitória na Sprint de sábado, Antonelli agora possui apenas 25 pontos de vantagem sobre seu companheiro de Mercedes, George Russell.

George Russell aproveita oportunidades, enquanto Max Verstappen abandona

Silverstone nunca foi um circuito especialmente favorável para George Russell. Antes desta edição, seu melhor resultado em casa havia sido um quinto lugar. O fim de semana parecia seguir a mesma tendência, já que Russell enfrentou uma desvantagem nas retas em relação aos demais carros equipados com motores Mercedes durante a Sprint e a classificação, o que reduziu suas perspectivas de disputar as primeiras posições.

Durante boa parte da corrida, também parecia improvável que brigasse pelo pódio. No entanto, os problemas enfrentados por Antonelli e Max Verstappen, além de uma punição aplicada a Lewis Hamilton, abriram caminho para que Russell cruzasse a linha de chegada na segunda colocação, conquistando seu terceiro resultado entre os dois primeiros nas últimas três etapas.

Já Verstappen novamente demonstrou sua capacidade de extrair desempenho de um Red Bull que não parecia competitivo. O tetracampeão mundial conduzia uma corrida sólida e caminhava para terminar em terceiro lugar quando um problema na asa traseira lançou seu carro para a caixa de brita, encerrando sua participação.

O chefe da Red Bull, Laurent Mekies, afirmou que aquele não era o primeiro incidente desse tipo e garantiu que a equipe trataria o problema com extrema seriedade, adotando todas as medidas necessárias para impedir que voltasse a acontecer. Esse abandono representou o terceiro de Verstappen na temporada, deixando o piloto na sétima posição do Campeonato de Pilotos, mais de 100 pontos atrás do líder Antonelli.

Racing Bulls e Gabriel Bortoleto comemoram grandes resultados

A excelente fase da Racing Bulls prosseguiu em Silverstone com a equipe conquistando sua quarta corrida consecutiva marcando pontos com os dois carros. Liam Lawson deu sequência ao ponto obtido na Sprint ao terminar o Grande Prêmio na sexta colocação, reduzindo para apenas três pontos sua diferença para Pierre Gasly na disputa pelo nono lugar no campeonato.

Seu companheiro de equipe, o estreante Arvid Lindblad, terminou em sétimo e tornou-se o piloto britânico mais jovem da história a marcar pontos em um Grande Prêmio da Grã-Bretanha, aos 18 anos e 331 dias. Com esse resultado, a Racing Bulls passou a ocupar posição muito próxima da Alpine no Campeonato de Construtores. A equipe está agora apenas um ponto atrás da rival, que terminou a corrida em nono e décimo lugares.

Outro destaque positivo foi Gabriel Bortoleto. O brasileiro vinha apresentando bom desempenho nas últimas corridas, mas terminara em 11º lugar nos três Grandes Prêmios anteriores, sempre muito próximo da zona de pontuação. Em Silverstone, porém, a situação foi diferente. Após mais um fim de semana consistente, Bortoleto cruzou a linha de chegada na oitava posição e conquistou seus primeiros pontos desde a etapa de abertura da temporada, na Austrália.

O resultado também representou o melhor desempenho da Audi na Fórmula 1 até o momento. A fabricante alemã passou a estar apenas cinco pontos atrás da Williams na disputa pela oitava posição entre os construtores.

Williams, Haas e Oscar Piastri deixam Silverstone decepcionados, enquanto Isack Hadjar se destaca

A Williams esperava que sua nova asa dianteira aproximasse a equipe da disputa por pontos, mesmo sabendo que a atualização não representaria uma transformação completa no desempenho do carro.

Entretanto, o novo componente não correspondeu às expectativas. Carlos Sainz fez uma largada excelente e ganhou quatro posições, entrando provisoriamente na zona de pontuação em décimo lugar. Depois, passou a sofrer pressão dos adversários, caiu para a 12ª colocação e, após sua volta adicional decorrente de punição depois da corrida, terminou oficialmente em 17º.

Seu companheiro Alex Albon colidiu com Ollie Bearman logo na largada. O incidente praticamente transformou seu Grande Prêmio em uma sessão de testes antes do abandono. Como consequência, a Williams deixou Silverstone sem marcar pontos pela terceira corrida consecutiva.

A Haas também prolongou sua sequência negativa. A equipe norte-americana completou três fins de semana seguidos sem pontuar, demonstrando falta de ritmo para competir com Racing Bulls, Alpine e Audi.

Bearman teve um início difícil em sua corrida em casa. Uma largada ruim fez o britânico perder várias posições antes de ser tocado por Albon e rodar. Sem chances reais de lutar por pontos, terminou em 13º. Esteban Ocon, por sua vez, saiu da 17ª para a 11ª posição na largada, mas não conseguiu sustentar o desempenho e terminou uma posição atrás do companheiro.

Entre os destaques positivos apareceu Isack Hadjar. O francês afirmou sentir-se confortável durante todo o fim de semana com seu Red Bull e conseguiu superar Verstappen na classificação pela terceira vez em 2026. Depois de uma boa largada e de enfrentar um trecho intermediário da corrida em que ficou em uma espécie de “terra de ninguém” em termos de ritmo, recuperou posições para finalizar em quinto lugar. Foi seu terceiro resultado entre os cinco primeiros na temporada e sua quinta corrida consecutiva marcando pontos. Hadjar já soma 19 pontos a mais do que Yuki Tsunoda e Liam Lawson conquistaram juntos no segundo carro da Red Bull durante toda a temporada passada.

Oscar Piastri também encerrou o fim de semana entre os derrotados. Sua corrida praticamente terminou poucos segundos após a largada, quando sofreu danos ao ficar espremido entre os carros da Racing Bulls de Lindblad e Lawson. O piloto da McLaren precisou entrar nos boxes na volta seguinte para substituir o bico do carro, caiu para a última posição e, apesar da recuperação ao longo da prova, terminou apenas em 11º lugar, uma posição abaixo da zona de pontuação.

Foto: (Fórmula 1)