Max Verstappen cai no Q2 em Suzuka
Automobilismo Fórmula 1

Verstappen pode mesmo sair da F1? Qual seria o impacto disso na categoria?

A possibilidade de Max Verstappen deixar a Fórmula 1 em 2026 está se tornando cada vez mais factível. Após o GP do Japão, realizado neste domingo (29), o piloto da Red Bull Racing (RBR) afirmou que pensará “nas próximas semanas e nos próximos meses” com mais carinho sobre a ideia de se retirar da principal competição do automobilismo aos 29 anos.

A fala de Verstappen, num primeiro momento, pode ser interpretada como “calor do momento” por mais um resultado frustrante, com o oitavo lugar em Suzuka. Entretanto, com base em declarações anteriores e na apuração de importantes veículos de imprensa da Europa, este não é o caso envolvendo o tetracampeão mundial.

Verstappen está, de fato, incomodado com o novo regulamento da F1. No entendimento do “Super Max”, a categoria está mais chata e perdeu sua identidade com todas as mudanças implementadas em 2026. Somado a isso, o holandês vem se aventurando em outras categorias e também está se dedicando mais à vida familiar — no ano passado, ele se tornou pai.

A principal queixa de Verstappen, que é legítima, envolve a incapacidade dos carros de recarregar a bateria durante uma volta. Existem algumas formas de fazer a recarga, como ao frear ou ao tirar o pé antes do fim da reta. No entanto, mesmo que os pilotos utilizem essas técnicas, as recargas têm sido insuficientes em vários casos — em especial durante as classificações e em pistas com retas longas.

A falta de capacidade de recarga da bateria tem feito com que os carros percam velocidade no meio das retas, em um fenômeno chamado superclipping. Embora as ultrapassagens tenham aumentado, Verstappen considera as disputas como artificiais. E ele está completamente certo neste sentido, mas há um porém…

Verstappen teria a mesma postura se estivesse vencendo?

A grande questão que se coloca é: Verstappen teria essa mesma postura se a Red Bull continuasse dominando a categoria? O holandês jura que não se trata de posição no grid. Em suas falas, o tetracampeão também evita culpar sua equipe diretamente, reforçando que está comprometido com uma Fórmula 1 melhor e mais autêntica.

Ainda assim, olhando para o histórico recente, é difícil sustentar que essa postura mais radical — que inclui a possibilidade de romper um contrato válido até 2028 — se manteria em um cenário de vitórias. A Mercedes, por exemplo, venceu as três corridas do ano, e seus pilotos (George Russell e o jovem Antonelli) não têm feito críticas contundentes ao regulamento.

Verstappen tem seus motivos para reclamar, e não está sozinho. Outros pilotos também demonstram incômodo com as novas regras. Mas é difícil ignorar o fator competitivo. Quando foi beneficiado por uma decisão controversa na final de 2021, o holandês não demonstrou grande empatia com seu rival, Lewis Hamilton.

Isso não invalida os argumentos de Verstappen, mas ajuda a contextualizar sua posição atual. Reclamar do regulamento é mais fácil quando ele não joga a seu favor, e o holandês carrega uma fama de “egoísta” dentro do grid.

Qual seria o impacto de uma saída?

É inegável que Verstappen é um dos pilotos mais talentosos da história da Fórmula 1. Sua eventual saída por discordância com o regulamento causaria grande repercussão e geraria questionamentos relevantes sobre o rumo da categoria.

Ainda assim, é pouco provável que isso provoque uma mudança estrutural imediata. A Fórmula 1 vive um momento de alta popularidade global, com corridas cheias, audiência crescente e forte interesse comercial. O “show” continuaria, mesmo sem Verstappen. As montadoras e patrocinadores sabem disso e dificilmente reagiriam de forma drástica a uma saída individual, por mais impactante que ela seja.

Por outro lado, a decisão mais relevante que Verstappen pode tomar, caso realmente queira influenciar o futuro da categoria, é permanecer e se articular com outros pilotos. A pressão coletiva tende a ser muito mais eficaz do que um gesto isolado de abandono.

O próprio GP do Japão trouxe um exemplo preocupante: o acidente de Oliver Bearman, ocorrido justamente pelas desacelerações abruptas causadas pelo sistema de recuperação de energia. Situações como essa fortalecem o argumento de que ajustes são necessários.

Assim, Verstappen pode até optar por “abandonar o barco”, mas essa talvez não seja a estratégia mais inteligente. Permanecer na Fórmula 1 e pressionar entidades como a FIA e o Conselho Mundial de Automobilismo pode gerar resultados mais concretos.

No fim, Verstappen tem voz, influência e legitimidade para liderar um movimento por mudanças. Sair seria um gesto forte — mas ficar e lutar pode ser ainda mais impactante.

Foto: PlanetF1