O Vitória volta para Salvador com um resultado que poderia ter sido bem diferente. Mesmo atuando com um jogador a mais durante mais de 70 minutos, o Rubro-Negro perdeu por 1 a 0 para o Vasco, na quarta-feira (26), pela ida das quartas de final da Copa do Brasil.
A eliminatória, porém, está longe de definida. O jogo de volta será na próxima quarta-feira (2), às 21h30, no Barradão, onde o Vitória já mostrou nesta competição que pode transformar uma desvantagem em classificação.
Nas oitavas, o time perdeu por 2 a 0 para o Athletico-PR na Arena da Baixada e depois goleou por 4 a 0 em Salvador. O problema é que, depois do que apresentou em São Januário, o favoritismo para repetir a reação diminuiu.
Vitória teve a vantagem, mas não soube aproveitá-la
Jair Ventura fez quatro mudanças em relação ao time que começou o Ba-Vi no último domingo. Caíque Gonçalves e Martínez entraram no meio-campo, enquanto Marinho e Renato Kayzer foram as novidades no ataque.
A escolha seguia uma característica que o Vitória costuma apresentar fora do Barradão: uma postura mais cautelosa, esperando o adversário e tentando encontrar espaços nos contra-ataques.
Nos primeiros minutos, o Vasco teve o controle da partida. Circulava a bola no campo de ataque e encontrava pouca resistência para chegar à intermediária. O Vitória se limitava a lançamentos e escapadas que quase nunca terminavam em perigo.
A expulsão de Barros, aos 14 minutos, deveria alterar esse panorama. Mudou, mas não o suficiente para o Vitória. Com um jogador a mais, o Rubro-Negro passou a ter a bola, mas não conseguiu transformar a superioridade numérica em domínio. Rodou a posse de um lado para o outro, sem criatividade para entrar na área ou acelerar as jogadas.
Marinho foi a exceção. O atacante foi responsável pelas duas finalizações do Vitória no primeiro tempo. É pouco para uma equipe que passou praticamente todo o restante da partida em vantagem numérica.
Vasco soube jogar sem a bola
Parte da explicação está na atuação do Vasco. Pedro Emanuel percebeu que não precisava disputar a posse e reorganizou sua equipe para jogar de maneira mais reativa. O time passou a aceitar o controle territorial do Vitória e ficou à espera dos espaços.
Funcionou. Mesmo com dez jogadores, o Vasco terminou o primeiro tempo com as melhores oportunidades. Lucas Arcanjo ainda precisou fazer uma boa defesa para evitar que o adversário abrisse o placar antes do intervalo.
O Vitória tinha mais um jogador, mas não parecia ter mais soluções.
Jair tentou mudar, mas abriu espaços
No intervalo, Jair Ventura tentou deixar a equipe mais agressiva. Renê e Erick entraram nas vagas de Kayzer e Marinho, mas a mudança acabou expondo ainda mais o Vitória. O Vasco passou a encontrar espaços entre as linhas e chegou com mais perigo.
Depois de um gol anulado, Andrés Gómez aproveitou uma marcação passiva da defesa, puxou o contra-ataque e finalizou de fora da área. Dessa vez, Lucas Arcanjo não conseguiu evitar o gol.
A partir dali, Jair tentou acelerar a reação com Jamerson, Walace e Osvaldo. O Vitória finalmente passou a pressionar nos minutos finais, principalmente quando o desgaste do Vasco começou a aparecer. Luan Cândido e Erick tiveram boas oportunidades, mas pararam em Léo Jardim.
O goleiro foi decisivo mais uma vez.
E há um detalhe importante: o Vitória terminou a partida com quatro jogadores de características ofensivas em campo. Ainda assim, não conseguiu transformar a pressão final em gol.
Isso diz bastante sobre a dificuldade que a equipe teve para atacar de forma organizada.
O Barradão ainda pode mudar o cenário
Apesar da derrota, seria exagero tratar o Vitória como praticamente eliminado.
O histórico desta Copa do Brasil mostra justamente o contrário. Contra o Athletico-PR, a equipe também perdeu o primeiro jogo e conseguiu uma virada contundente em Salvador.
O Barradão continua sendo a principal esperança para o jogo de volta.
Mas há uma diferença desta vez: o Vitória não chega precisando apenas repetir uma boa atuação em casa. Terá de corrigir problemas que ficaram evidentes em São Januário.
A equipe segue sem vencer adversários da Série A fora de Salvador e, desta vez, nem a vantagem numérica por quase 80 minutos foi suficiente para quebrar essa sequência.
O resultado, portanto, não elimina o Vitória, mas muda a leitura da eliminatória.
Antes do primeiro jogo, o fator Barradão fazia do Rubro-Negro um adversário bastante perigoso. Agora, o time terá de mostrar dentro de campo que consegue transformar essa força em vantagem real.
O Vitória ainda tem 90 minutos para reagir. Só que, depois de desperdiçar uma situação tão favorável em São Januário, o time de Jair Ventura deixou de depender apenas da força do Barradão. Vai precisar também apresentar um futebol bem diferente do que mostrou no primeiro jogo.
Foto: Victor Ferreira / EC Vitória / Divulgação



