Alexander Volkanovski UFC 325
Lutas UFC

Alexander Volkanovski x Justin Gaethje: por que uma disputa de cinturão no UFC ainda seria difícil de acontecer?

Alexander Volkanovski e Justin Gaethje poderiam protagonizar uma das lutas mais interessantes do UFC nos pesos-leves, mas transformar esse confronto em realidade depende de uma decisão que a organização ainda não conseguiu obter. Aos 38 anos, o australiano pretende subir de categoria mais uma vez para tentar conquistar o cinturão dos 70 kg e completar uma trajetória histórica como campeão de duas divisões. O problema é que o principal obstáculo não está necessariamente no interesse do UFC ou na disposição de Volkanovski, mas no futuro de Gaethje, que ainda precisa decidir se deseja continuar competindo ou encerrar a carreira depois de uma vitória importante.

A possibilidade de colocar os dois frente a frente pelo título tem apelo esportivo e comercial. Volkanovski é um dos maiores nomes da história do peso-pena, enquanto Gaethje construiu uma carreira marcada por confrontos de alto nível e um estilo agressivo que costuma produzir lutas movimentadas. Além disso, ambos estão em uma fase avançada de suas trajetórias, o que poderia transformar o encontro em uma oportunidade de fechar um capítulo importante de suas carreiras.

Dana White não escondeu que estaria disposto a organizar o confronto, mas deixou claro que a decisão depende principalmente do campeão dos leves. A declaração revela o primeiro e mais importante empecilho: o UFC pode querer a luta, Volkanovski pode estar interessado, mas nada disso será suficiente se Gaethje não estiver disposto a voltar ao octógono.

A aposentadoria de Gaethje é o principal obstáculo

A situação de Justin Gaethje é bastante diferente da de Volkanovski. Enquanto o australiano continua demonstrando interesse em novos desafios e vê a subida ao peso-leve como uma oportunidade de alcançar outro objetivo histórico, o americano precisa avaliar se ainda tem motivação para prolongar sua carreira.

Depois da vitória expressiva na Casa Branca, Gaethje chegou a um momento em que pode considerar que já conquistou o suficiente. O desgaste físico e emocional de uma carreira marcada por lutas extremamente exigentes também precisa entrar nessa equação. Seu estilo de combate, baseado em pressão, potência e disposição para trocar golpes, cobra um preço elevado ao longo dos anos, tornando compreensível qualquer hesitação sobre continuar competindo.

Dana White confirmou que o UFC está conversando com o americano, mas evitou apresentar qualquer definição. Durante participação no programa de Jim Rome, o dirigente afirmou que faria praticamente qualquer coisa para oferecer uma oportunidade a Volkanovski, destacando, porém, que a grande questão é entender o que Gaethje pretende fazer.

O momento da declaração também é relevante. Gaethje estava participando do Internet Invitational de 2026, torneio de golfe organizado pela Barstool Sports e pela Bob Does Sports, com premiação de US$ 4 milhões. White explicou que o UFC ainda conversava com o lutador e que a decisão sobre aposentadoria ou continuidade da carreira precisaria partir dele.

Esse cenário deixa Volkanovski em uma posição de espera. O australiano pode estar disposto a enfrentar Gaethje, e o presidente do UFC pode enxergar valor no confronto, mas a organização não tem como construir uma disputa de cinturão em torno de um atleta que ainda não confirmou se pretende voltar a lutar.

A dificuldade é ainda maior porque o título dos leves precisa ter um planejamento definido. Caso Gaethje decida se aposentar, o UFC terá de reorganizar a divisão e encontrar uma solução para o cinturão, o que pode abrir espaço para outros candidatos. Se optar por continuar, o confronto com Volkanovski passa a ser uma possibilidade concreta, mas ainda dependerá de uma negociação sobre o próximo compromisso do campeão.

A idade de Volkanovski e o salto de categoria aumentam a complexidade

Mesmo que Gaethje aceite a luta, existem outros fatores que tornam o confronto menos simples do que parece. Volkanovski tem 38 anos e já disputou duas vezes o cinturão dos pesos-leves contra Islam Makhachev. Embora tenha apresentado um desempenho competitivo no primeiro encontro, perdeu os dois confrontos, sendo nocauteado no primeiro round da revanche.

A primeira luta, no UFC 284, mostrou que o australiano tinha capacidade de competir em alto nível mesmo diante de um adversário maior e fisicamente mais forte. Volkanovski levou Makhachev ao limite e saiu derrotado por decisão, em um resultado que gerou debate entre os fãs. Naquele momento, ficou evidente que o campeão dos penas poderia representar uma ameaça relevante na categoria de cima.

A revanche, entretanto, apresentou uma realidade diferente. Volkanovski aceitou substituir Charles em cima da hora no UFC 294, depois da saída do brasileiro por lesão, e acabou nocauteado por um chute na cabeça ainda no primeiro round. O contexto da preparação curta ajuda a compreender o resultado, mas também mostra os riscos de enfrentar adversários naturalmente maiores sem tempo adequado para ajustar o corpo e a estratégia.

Contra Gaethje, Volkanovski encontraria um desafio diferente de Makhachev. O americano não possui o mesmo perfil de grappling e controle posicional do russo, mas é um dos atletas mais perigosos da divisão na trocação. Sua capacidade de absorver golpes, pressionar e produzir danos torna qualquer confronto uma ameaça física considerável.

A questão é que Volkanovski não estaria apenas enfrentando um novo adversário. Estaria subindo novamente de categoria em uma fase da carreira na qual o tempo passa a ser um fator decisivo. O australiano ainda demonstra ambição e confiança em suas capacidades, mas uma disputa contra Gaethje exigiria uma preparação específica para lidar com a diferença de tamanho, força e potência.

Também existe a questão do peso. Volkanovski construiu praticamente toda a sua trajetória no limite dos 66 kg, enquanto Gaethje compete nos 70 kg. A adaptação não é impossível, mas exige um planejamento cuidadoso, principalmente para um atleta que já tem idade avançada para os padrões do esporte e pretende disputar um cinturão em uma categoria mais pesada.

A situação do cinturão pode abrir espaço para outros adversários

A aposentadoria de Gaethje não significaria necessariamente o fim da ambição de Volkanovski nos pesos-leves. O australiano já demonstrou que está aberto a outros caminhos e chegou a mencionar Arman Tsarukyan e Ilia Topuria como possíveis adversários caso o cinturão fique vago.

Essa alternativa, porém, também apresenta dificuldades. Tsarukyan é um dos principais nomes da divisão e oferece um estilo particularmente complicado para Volkanovski, com capacidade de combinar pressão física, quedas e controle no solo. Seria um desafio diferente daquele apresentado por Gaethje, mas talvez ainda mais exigente do ponto de vista tático.

Topuria, por sua vez, tem uma história própria com Volkanovski. O georgiano-espanhol conquistou o cinturão dos penas ao nocautear o australiano e construiu uma trajetória que o coloca entre os nomes mais importantes da categoria. Uma eventual disputa pelo título dos leves entre os dois teria uma narrativa forte, mas dependeria dos planos de Topuria e da situação da divisão.

O UFC também precisaria decidir como organizar a disputa pelo cinturão caso Gaethje realmente se aposente. Volkanovski poderia receber uma oportunidade pelo histórico e pelo apelo de sua candidatura, mas Tsarukyan e outros concorrentes também teriam argumentos esportivos. Não seria automático que o australiano passasse diretamente à frente de todos, especialmente porque sua trajetória recente na categoria inclui duas derrotas para Makhachev.

Por isso, a possibilidade de enfrentar Gaethje é particularmente interessante para Volkanovski. Além de representar uma oportunidade de conquistar o título, o confronto evitaria uma disputa mais complexa sobre quem merece enfrentar o próximo campeão. Seria um duelo entre dois nomes consagrados, com histórias relevantes no UFC e capacidade de atrair grande atenção do público.

O UFC quer a luta, mas precisa respeitar o momento dos dois

A declaração de Dana White indica que a organização enxerga valor no confronto, mas também demonstra que o UFC não pretende tomar uma decisão sem saber quais são os planos de Gaethje. O americano conquistou o direito de definir seu futuro e pode escolher encerrar a carreira em vez de aceitar mais uma disputa de alto risco.

Para Volkanovski, a espera representa um problema de tempo. Aos 38 anos, o australiano não tem a mesma margem de planejamento de um atleta mais jovem. Se deseja conquistar o cinturão dos leves, precisa encontrar uma oportunidade em um prazo razoável, sem depender indefinidamente da decisão de outro lutador.

O UFC também precisa considerar que uma luta entre os dois só terá sentido se ambos estiverem comprometidos com o desafio. Gaethje não pode ser convencido apenas pelo apelo comercial de um confronto, enquanto Volkanovski precisa ter tempo suficiente para se preparar adequadamente para uma nova subida de categoria.

O cenário ideal seria Gaethje confirmar que pretende continuar lutando e aceitar Volkanovski como próximo adversário. Seria uma disputa com enorme apelo, reunindo dois veteranos que já conquistaram muito e ainda enxergam a possibilidade de escrever um último grande capítulo no esporte. Entretanto, a organização não pode tratar essa possibilidade como garantida.

No fim, o maior empecilho para Volkanovski x Gaethje é justamente a incerteza sobre o futuro do americano. A idade do australiano, o salto de categoria e a competitividade dos pesos-leves são fatores importantes, mas todos podem ser administrados caso exista vontade dos dois lados. Sem a confirmação de Gaethje, porém, o UFC fica sem uma peça fundamental para transformar a ideia em uma disputa real.

Volkanovski parece ter o interesse e Dana White demonstra disposição para organizar o confronto. Resta saber se Gaethje ainda deseja enfrentar mais um desafio dentro do octógono ou se a vitória na Casa Branca representou o encerramento ideal de sua carreira. Até que essa resposta apareça, a luta pelo cinturão dos leves continuará sendo uma possibilidade atraente, mas distante de se tornar realidade.