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Wan-Bissaka anula Rashford, mantém marca impressionante e sai da Copa do Mundo com moral

Aaron Wan-Bissaka pode até ter deixado a Copa do Mundo com a República Democrática do Congo eliminada, mas o lateral-direito certamente encerrou sua participação com o prestígio em alta. Diante da Inglaterra, nas oitavas de final, o ex-jogador do Manchester United teve uma das missões mais complicadas possíveis: parar Marcus Rashford. E conseguiu cumprir a tarefa com enorme autoridade.

Enquanto Harry Kane roubava os holofotes ao marcar dois gols e subir na lista histórica de artilheiros da Copa do Mundo, Wan-Bissaka fazia um trabalho muito mais silencioso, mas igualmente importante. O defensor praticamente apagou Rashford durante o confronto e ainda preservou uma estatística que chama atenção de qualquer torcedor.

Ao longo de toda a campanha da seleção congolesa no torneio, nenhum adversário conseguiu driblá-lo sequer uma vez.

Rashford teve atuação discreta contra velho conhecido

A Copa do Mundo foi marcada por altos e baixos para Marcus Rashford. Convocado pela Inglaterra, o atacante chegou ao torneio após uma janela de transferências frustrante, já que o Barcelona decidiu não exercer a opção para contratá-lo em definitivo depois do período de empréstimo.

Como se isso não bastasse, Thomas Tuchel iniciou a competição apostando em Anthony Gordon pelo lado esquerdo do ataque inglês. O ex-jogador do Newcastle aproveitou a oportunidade e manteve a titularidade mesmo depois de Rashford marcar saindo do banco na estreia contra a Croácia.

Com o passar da competição, Rashford recuperou espaço e iniciou como titular os dois compromissos seguintes da Inglaterra. No entanto, suas atuações ficaram longe de empolgar. Os cruzamentos não encontravam os companheiros com frequência, as finalizações perderam eficiência e, diante da República Democrática do Congo, ele encontrou um velho conhecido disposto a transformar sua noite em um verdadeiro pesadelo.

Wan-Bissaka conhece muito bem as características do atacante desde os tempos em que ambos dividiram o vestiário no Manchester United. Essa familiaridade ficou evidente durante o duelo. Sempre bem posicionado, o lateral venceu praticamente todos os confrontos individuais e limitou bastante a participação ofensiva de Rashford.

Não foi uma partida de carrinhos espalhafatosos ou entradas duras. Pelo contrário. O defensor utilizou leitura de jogo, posicionamento e tempo de bola para neutralizar o camisa inglês.

República Democrática do Congo surpreendeu muita gente

Antes da bola rolar para a Copa do Mundo, poucos acreditavam que a República Democrática do Congo conseguiria escapar da fase de grupos. A seleção aparecia como uma das grandes azaras da competição e era vista apenas como coadjuvante diante de adversários mais tradicionais.

Mas o roteiro acabou sendo bem diferente.

A equipe montou uma campanha extremamente competitiva, baseada principalmente na organização defensiva. O sistema montado conseguiu dificultar a vida de seleções muito mais qualificadas tecnicamente e garantiu a classificação como uma das melhores terceiras colocadas do torneio.

Grande parte desse sucesso passou pelo desempenho da linha defensiva.

Além de Wan-Bissaka, outro velho conhecido do futebol inglês teve papel importante: Axel Tuanzebe. O ex-zagueiro do Manchester United ajudou a liderar uma defesa que conseguiu segurar jogadores de enorme qualidade durante a competição.

Na fase de grupos, por exemplo, Portugal passou em branco diante dos congoleses. Nomes como Bruno Fernandes e Cristiano Ronaldo encontraram enormes dificuldades para criar oportunidades claras, reflexo da excelente organização defensiva da equipe africana.

Embora a eliminação para a Inglaterra tenha acontecido nas oitavas de final, a campanha deixou uma impressão bastante positiva e mostrou que a seleção pode sonhar mais alto nas próximas competições internacionais.

Marca de Wan-Bissaka impressiona até entre os melhores do mundo

Se existe uma característica que sempre acompanhou Aaron Wan-Bissaka durante sua carreira, é a capacidade de defender no um contra um.

Desde os tempos de Crystal Palace, passando pelo Manchester United e posteriormente pelo West Ham, o lateral construiu fama justamente por sua facilidade em recuperar bolas e neutralizar atacantes rápidos.

Não à toa, durante sua passagem por Old Trafford, recebeu o apelido de “The Spider” (“A Aranha”), graças às pernas longas e ao alcance impressionante nos desarmes.

Na Copa do Mundo, essa qualidade voltou a aparecer em grande estilo.

Mesmo enfrentando jogadores conhecidos pela velocidade e habilidade, como Marcus Rashford, Anthony Gordon e Rafael Leão, Wan-Bissaka terminou o torneio sem ser driblado uma única vez.

É uma estatística que ajuda a explicar por que tantos atacantes evitavam insistir pelo seu lado do campo. Em diversos momentos, a melhor alternativa parecia simplesmente procurar outro setor para atacar.

Para um lateral, especialmente em um torneio curto e recheado de confrontos contra adversários de alto nível, manter esse tipo de aproveitamento é algo extremamente difícil.

Futuro pode reservar novo desafio na Premier League para Wan-Bissaka

Apesar do excelente desempenho individual na Copa do Mundo, Wan-Bissaka vive uma situação delicada em nível de clubes.

O West Ham acabou sendo rebaixado na última temporada da Premier League, cenário que naturalmente coloca vários jogadores importantes no radar de equipes da elite inglesa.

Depois da campanha realizada com a camisa da República Democrática do Congo, é difícil imaginar que o lateral passe despercebido no mercado. Aos olhos de diversos clubes, ele voltou a mostrar exatamente aquilo que sempre fez de melhor: defender grandes atacantes em confrontos individuais.

Em um futebol cada vez mais ofensivo, encontrar um lateral capaz de praticamente “fechar um corredor” continua sendo uma qualidade extremamente valorizada.

Se o desempenho apresentado na Copa servir como vitrine, Wan-Bissaka tem motivos de sobra para acreditar que poderá retornar rapidamente à Premier League. Afinal, nem todo defensor consegue encarar nomes como Rashford, Gordon, Rafael Leão, Bruno Fernandes e Cristiano Ronaldo em um mesmo torneio e sair com uma marca que poucos conseguem alcançar: terminar a competição inteira sem sofrer um único drible.

Foto: FIFA via Getty Images