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Xabi Alonso espera respostas internas e cobra reação no Real Madrid

Xabi Alonso costuma repetir como um mantra: “vamos precisar de todos”. Essa frase já se tornou algo frequente no Real Madrid, que tem se movimentado para mudar seu estilo de ser, viver uma nova fase. A questão é que, com o passar do tempo, esse tempo tem deixado de ser um discurso motivacional, e virado um grito pra realidade, porque as peças estão ficando escassas nas mãos do técnico espanhol, que tem segurado a pressão em suas costas.

O treinador olha para o elenco e vê talento, mas também vê estagnação. E, hoje, Xabi Alonso espera soluções dentro do próprio elenco. Por agora, o Real Madrid tem duas certezas incontestáveis. Courtois continua sendo decisivo como poucos goleiros no futebol mundial, enquanto Mbappé, mesmo em meio a um funcionamento coletivo irregular, entrega gols, impacto e ameaça constante.

O problema está no resto do sistema. A engrenagem não costuma girar com frequência, o time não controla jogos e vive de ações isoladas. O que Rodrygo fez no último mês, assumir protagonismo e elevar o nível, é exatamente o que Xabi Alonso espera de vários jogadores que ainda estão em dívida.

O drama da lateral direita no time de Xabi Alonso

A ideia inicial de Xabi Alonso fazia sentido. Trent Alexander-Arnold chegaria para dar qualidade técnica, enquanto Carvajal ofereceria liderança e segurança defensiva. O plano, porém, não foi capaz de entrar em exito, pelo simples fato dos dois profissionais não conseguirem se manter saudáveis. O inglês sofreu duas lesões e só em San Mamés mostrou algo próximo do jogador que brilhou no Liverpool.

Carvajal, por sua vez, voltou a parar quando parecia recuperar ritmo e confiança. Desde outubro, o lateral não entra em campo, e a posição segue sendo um ponto frágil. Para Xabi Alonso, o problema vai além de nomes: falta continuidade, automatismo e fiabilidade. Sem isso, o lado direito segue sendo uma porta aberta, alvo de diversos improvisos que atrapalham o sistema e as peças que são utilizadas no local também.

Valverde, de solução improvisada a problema estrutural

A escassez de opções levou Xabi Alonso ao improviso, não havia outro caminho: Valverde como lateral-direito, repetindo uma solução usada por Ancelotti. O uruguaio aceitou, mas deixou claro que não se sente confortável. O incômodo é visível dentro e fora de campo.

Mais preocupante ainda é que Valverde caiu de rendimento em qualquer função, depois de ter aparecido como um dos melhores atletas do mundo, se vê perdido. O jogador que era sinônimo de intensidade, equilíbrio e liderança hoje parece desconectado do jogo. Para um treinador como Xabi Alonso, que valoriza dinâmica e leitura tática, a queda do uruguaio representa um problema estrutural no meio e na defesa.

Defesa central desmontada e planos frustrados de Xabi Alonso

A lesão de Militão foi um golpe direto no projeto defensivo de Xabi Alonso, que já não estava bem, essa é a verdade. O treinador apostava na dupla com Huijsen para dar solidez e saída limpa de bola. Sem o brasileiro, tudo virou improviso, algo que tem sido bem comum dentro das quatro linhas do Real Madrid

No caso, Rudiger tem lutado para recuperar sua forma física, Alaba segue fora e Huijsen entrou em uma curva descendente. O crescimento de Raúl Asencio é a principal notícia positiva, uma das enormes surpresas também, com ele ganhando espaço e confiança. Ainda assim, internamente, Xabi Alonso sabe que o retorno de Militão será determinante para que o time volte a crescer desde a defesa.

Camavinga continua sem convencer 

Camavinga está muito longe de ser considerada uma promessa recém-chegada. Está na quinta temporada no clube e ainda não conseguiu se firmar, teve seus altos momentos, mas sempre acaba conhecendo os seus baixos. As lesões atrapalharam, mas quando esteve saudável também não entregou o impacto esperado.

Xabi Alonso já o testou em diferentes funções, mas o francês segue sem identidade clara. Falta constância, leitura e influência real no jogo. Em um time que pede controle e agressividade com bola, Camavinga ainda não mostrou que pode ser esse jogador.

Ceballos tinha o caminho aberto e não aproveitou

O contexto parecia ideal. O Real Madrid de Xabi Alonso carece de um meio-campista que dite o ritmo, organize e dê pausa. Ceballos tinha espaço e confiança para assumir esse papel, sem contar que sempre se apresentou como uma peça interessante no banco de reservas, o único problema era o fator de não ter tanto estrelismo quanto seus companheiros na equipe merengue.

No entanto, suas boas atuações foram pontuais. Na maior parte do tempo, passou despercebido. Agora, entra no período do ano em que historicamente rende mais. Para Xabi Alonso, pode ser a última oportunidade de transformar expectativa em protagonismo. Dá para dizer que perdeu uma chance enorme, pelo simples fato de não ter entregado tudo de si, diante do comando de um treinador que não coloca em campo o nome dos atletas, mas sim, o que eles andam entregando.

Bellingham e o peso do próprio passado

Bellingham colocou o sarrafo muito alto logo na estreia. Sua primeira temporada foi histórica, e tudo o que faz agora é comparado àquele impacto inicial, e no caso, ele anda bem, mas bem distante daquela realidade, depois de ter iludido o mundo.

Sob o comando de Xabi Alonso, o inglês oscila bastante. Ainda é decisivo, mas parece preso entre funções, sem uma posição definitiva. O treinador busca encaixá-lo melhor no sistema, sabendo que recuperar sua melhor versão pode mudar o rumo da temporada. As vezes joga como um 10, em outra é um volante, certas ocasiões dá as caras como um segundo-atacante, mas tem sido difícil, porque nada encanta.

Vini e seus números que acendem o alerta

Vini Jr. está no centro do debate, assim como tem sido em grande parte desta temporada… O episódio com Xabi Alonso no Él Clásico marcou um ponto de inflexão, e desde então o ambiente ao seu redor é de tensão constante, mesmo com as pazes sendo feitas, já houve uma estremecida entre os dois, que pode voltar a ocorrer.

Os números não ajudam: cinco gols em 24 jogos são pouco para um jogador do seu calibre, que há um breve momento do passado recente, esteve na corrida como um favorito a ser o melhor atleta do mundo. Em alguns momentos, Vinicius ainda desequilibra como poucos. Em muitos outros, acumula frustração. Xabi Alonso precisa que ele volte a ser decisivo, mas também mais funcional dentro do coletivo.

Jovens apostas de Xabi Alonso perdem força

Xabi Alonso apostou forte em Mastantuono. Deu minutos, confiança e elogios públicos. A lesão no púbis, porém, interrompeu sua evolução, e o argentino ainda não conseguiu retomar espaço, abrindo espaço para a pressão mental sobre um jovem talento, que na visão de muitos, era diferente…

Brahim, antes decisivo saindo do banco, perdeu impacto e protagonismo. Já Gonzalo, artilheiro do último Mundial de Clubes, quase não joga e segue zerado em gols. Situações que alimentam dúvidas sobre o aproveitamento das peças mais jovens do elenco.

Foto: Getty/GOAL