Granit Xhaka foi o grande nome da classificação da Suíça às quartas de final da Copa do Mundo de 2026. Embora não tenha balançado as redes durante os 120 minutos de bola rolando, o experiente meio-campista comandou o setor central da equipe de Murat Yakin, controlou o ritmo da partida diante da Colômbia e ainda teve personalidade para converter a primeira cobrança suíça na disputa por pênaltis, fundamental para garantir a vaga entre os oito melhores do torneio.
Em partidas decisivas, nem sempre o protagonista é quem marca o gol da classificação. Às vezes, o herói é aquele que faz o jogo acontecer. Foi exatamente esse o papel de Xhaka. Com inteligência, qualidade no passe e muita liderança, o capitão suíço foi o cérebro da equipe durante toda a partida, mostrando por que continua sendo um dos meio-campistas mais completos do futebol europeu.
Agora, a missão da Suíça fica ainda mais complicada. O próximo desafio será diante da atual campeã mundial, a Argentina, de Lionel Messi, que chega pressionada, mas segue viva na busca pelo bicampeonato consecutivo.
Xhaka controlou o jogo do início ao fim
Os números ajudam a explicar a enorme atuação de Granit Xhaka, mas quem assistiu ao jogo percebeu rapidamente sua importância.
O camisa 10 suíço participou praticamente de todas as construções ofensivas da equipe. Sempre disponível para receber a bola, foi ele quem organizou a saída desde o campo defensivo, acelerou quando foi necessário e também soube esfriar a partida nos momentos em que a Colômbia crescia.
Foi uma atuação típica de um camisa 8 clássico, daqueles que parecem ter um controle remoto do jogo nos pés.
A comparação feita por parte da imprensa espanhola com Xavi Hernández não aconteceu por acaso. Assim como o ídolo do Barcelona e da seleção espanhola fazia em seus melhores tempos, Xhaka comandou o ritmo da partida com simplicidade, inteligência e enorme precisão nos passes.
Em um futebol cada vez mais acelerado, o suíço mostrou que pensar rápido continua sendo uma das maiores qualidades dentro de campo.
Muito além da criação
Se ofensivamente Xhaka brilhou distribuindo o jogo, defensivamente sua atuação também merece destaque.
O capitão suíço realizou recuperações importantes, fechou espaços no meio-campo e participou de diversas interceptações que impediram a Colômbia de criar oportunidades claras durante boa parte do confronto.
Sua leitura de jogo permitiu que a Suíça mantivesse equilíbrio durante praticamente toda a partida, mesmo quando os colombianos aumentaram a pressão na reta final do tempo regulamentar e da prorrogação.
Esse tipo de desempenho costuma passar despercebido para quem olha apenas gols e assistências, mas é justamente o que diferencia jogadores capazes de decidir partidas grandes.
Frieza também nos pênaltis
Depois de 120 minutos extremamente equilibrados, a vaga precisou ser decidida na disputa por pênaltis.
E foi justamente o capitão quem assumiu a responsabilidade logo na primeira cobrança.
Converter o primeiro chute de uma disputa nunca é uma tarefa simples. Existe enorme pressão para dar confiança aos companheiros e evitar que a equipe comece em desvantagem.
Xhaka mostrou tranquilidade, deslocou o goleiro colombiano e abriu caminho para que a Suíça confirmasse a classificação.
Foi o fechamento perfeito para uma atuação praticamente impecável.
A Suíça sonha alto na Copa do Mundo
A campanha suíça vem chamando atenção desde a fase de grupos.
Sem o mesmo peso de outras seleções europeias, a equipe de Murat Yakin tem apostado em organização tática, disciplina defensiva e um meio-campo extremamente sólido para competir contra adversários teoricamente superiores.
O elenco talvez não reúna tantas estrelas quanto outras potências, mas apresenta algo que costuma fazer enorme diferença em torneios curtos: equilíbrio coletivo. E dentro desse sistema, Xhaka funciona como o grande maestro.
É ele quem dita o ritmo, orienta os companheiros e faz a ligação entre defesa e ataque. Quando o camisa 10 joga bem, toda a equipe cresce de rendimento.
Argentina aparece como enorme desafio
Agora, porém, a dificuldade aumenta bastante. Nas quartas de final, a Suíça enfrentará a Argentina, atual campeã mundial e uma das principais favoritas ao título. A equipe comandada por Lionel Scaloni chegou até esta fase depois de eliminar o Egito em uma partida dramática.
Os argentinos chegaram a estar perdendo por 2 a 0, mas conseguiram buscar uma reação impressionante nos minutos finais, virando o panorama do confronto e garantindo a classificação em um jogo cercado por polêmicas.
Apesar da vaga, o desempenho voltou a gerar questionamentos.
A Argentina ainda não apresentou o futebol dominante que muitos esperavam nesta Copa do Mundo e, em alguns momentos, mostrou dificuldades defensivas que podem ser exploradas pelos adversários.
Messi continua sendo o diferencial
Se coletivamente a Argentina ainda gera dúvidas, individualmente existe um jogador que continua fazendo toda a diferença.
Lionel Messi vive mais uma Copa do Mundo em altíssimo nível. Mesmo aos 39 anos, o camisa 10 segue decidindo partidas, criando jogadas praticamente impossíveis e assumindo o protagonismo sempre que sua equipe precisa.
Seu desempenho no torneio lembra alguns dos melhores momentos da carreira, reforçando a impressão de que o astro argentino parece crescer justamente quando a pressão aumenta.
Para a Suíça, controlar Messi será apenas parte da missão.
Também será fundamental impedir que o restante da equipe encontre espaços, algo que passa diretamente pelo trabalho do meio-campo comandado por Xhaka.
O duelo promete uma batalha no meio-campo
Muito provavelmente, o confronto entre Suíça e Argentina será decidido justamente na faixa central do gramado.
De um lado estará Granit Xhaka, responsável por organizar todas as ações suíças. Do outro, uma seleção acostumada a monopolizar a posse de bola e que tem em Messi seu principal organizador ofensivo.
Se conseguir repetir o desempenho apresentado diante da Colômbia, Xhaka pode equilibrar a partida e dar à Suíça chances reais de surpreender uma das favoritas ao título.
É justamente esse tipo de jogador que costuma crescer em grandes competições. Nem sempre aparece nas manchetes pelos gols marcados, mas faz absolutamente tudo funcionar ao seu redor.
Contra a Colômbia, ele mostrou por que é considerado o coração da seleção suíça. Agora, diante da Argentina, terá a oportunidade de transformar uma grande atuação em um capítulo histórico para o futebol de seu país. Afinal, eliminar a atual campeã mundial exige muito mais do que talento. Exige liderança, personalidade e controle emocional, características que Xhaka demonstrou ter de sobra nas oitavas de final.
Foto: BOB FRID



