A Fórmula 1 chega aos Estados Unidos neste fim de semana para o GP de Miami, quarta etapa do campeonato. Dentre atualizações nos carros, mudanças no regulamento e histórias importantes, a prova traz consigo situações interessantes após um mês de pausa na categoria.
Confira cinco fatores que agitarão a corrida que acontece neste domingo (03/05).
Atualizações podem mudar ordem de forças do grid
Historicamente, o GP de Miami é um ponto importante de virada na temporada, onde as equipes trazem pacotes aerodinâmicos e mudanças em seus carros. Mas, em 2026, o cenário é ainda mais favorável a essas atualizações.
Diante de um novo regulamento, as equipes apostaram em diferentes caminhos de desenvolvimento. Algumas, como Mercedes e Ferrari, se deram bem e saíram na frente. Outras tiveram um início de ano desastroso, com destaque para o calvário vivido pela Aston Martin.
Boa parte das atualizações seria vista já no GP do Bahrein, mas os conflitos geopolíticos no Oriente Médio forçaram a Fórmula 1 a cancelar tanto a prova barenita, que seria a quarta etapa do ano, quanto a prova seguinte, em Jeddah. Assim, as equipes tiveram 35 dias de “folga” — embora nenhuma delas tenha realmente usado esse período para descanso — entre o GP do Japão e a prova seguinte.
Uma das que devem trazer mais mudanças no conjunto é a McLaren, que, de acordo com o chefe de equipe Andrea Stella, trará um MCL40 “completamente novo” do ponto de vista aerodinâmico. As três primeiras corridas foram de muita instabilidade para o time de Woking, tanto em performance quanto em confiabilidade. Agora, o foco é encurtar a desvantagem para os líderes e tentar se recolocar na briga após o título mundial de pilotos e construtores em 2025.

Também será interessante ver como os extremos do grid administram suas situações a partir de agora. A Mercedes triunfou em Melbourne, Xangai e Suzuka, mas a dupla de pilotos George Russell e Kimi Antonelli teve que ralar para superar os rivais da Ferrari e da McLaren na pista. Do outro lado da moeda está a Aston Martin, que iniciou 2026 com problemas crônicos de vibração que afetavam tanto a performance quanto a integridade física de Fernando Alonso e Lance Stroll.
Com tantas mudanças a caminho do GP de Miami, a ordem de forças pode se alterar em relação ao que foi visto até aqui, tanto no topo quanto na parte de baixo do grid.
Sob pressão, FIA realiza alterações no regulamento
As críticas sofridas por Fórmula 1 e FIA (Federação Internacional de Automobilismo) em relação aos novos carros, que já se arrastavam desde a pré-temporada, ganharam contornos mais sérios com o forte acidente de Oliver Bearman na curva Spoon, em Suzuka. Isso motivou as entidades a realizarem três reuniões para discutir mudanças no regulamento em meio ao campeonato, e algumas delas foram aprovadas.
O GP de Miami será o primeiro grande teste dessas alterações, que incluem sistemas novos de largada, redução na potência da bateria em determinadas condições e mudanças no funcionamento do modo boost, entre outras.
Além da melhoria do espetáculo, a Fórmula 1 busca, com isso, aumentar o nível de segurança, sobretudo em relação às diferenças de velocidade em trechos de alta velocidade, fator que foi causador do acidente de Bearman.
Antonelli busca disparar na liderança em território favorável
A nova estrela da Fórmula 1 é Kimi Antonelli. O italiano, que já havia tido bons momentos na temporada passada, assumiu papel de protagonismo na Mercedes quando todos esperavam que Russell fosse nadar de braçada. Em 2026, já são duas vitórias e duas pole positions do nº 12, que lidera o campeonato por nove pontos.
O GP de Miami pode ajudar Antonelli a consolidar essa liderança, já que foi nessa mesma pista que ele conquistou sua primeira pole position da carreira na sprint do ano passado. Embora um incidente com Piastri na curva um tenha jogado o italiano para fora da briga, ele já mostrou que é um forte candidato e terá como seu aliado o W17 da Mercedes para tentar replicar o feito neste fim de semana.

Aos 19 anos, ele pode estar no caminho de quebrar o recorde de campeão mundial mais jovem da história da Fórmula 1, atualmente pertencente a Sebastian Vettel, que tinha 23 anos na data de seu primeiro título mundial, em 2010.
Cadillac estreia em casa, enquanto Haas assume protagonismo
Com a chegada da Cadillac, a Fórmula 1 tem duas equipes dos Estados Unidos no grid em 2026. Enquanto a novata ainda pena no desenvolvimento e é vista como um projeto de longo prazo, a Haas está em seu 11º ano na categoria e vive um bom momento, ressaltado pelos bons desempenhos de Bearman.
Para a novata, o desafio será continuar evoluindo o carro e a operação como um todo, o que significa que completar a corrida com os dois carros já seria algo muito positivo. Já a Haas busca superar o retrospecto pouco competitivo dos últimos anos no GP de Miami, já que somou apenas três pontos em quatro corridas nas ruas da cidade floridense.
O pacote de atualizações da Cadillac, somado ao apoio do público local — tanto dos estadunidenses para com a equipe quanto dos mexicanos que estarão em Miami para ver Sergio Pérez —, pode ser um impulso rumo a sair da lanterna do campeonato.
Fórmula 2 e Colton Herta estreiam no GP de Miami
Não será apenas na Fórmula 1 que o GP de Miami trará novidades. Pela primeira vez desde sua criação, em 2017, a Fórmula 2, principal categoria de acesso, correrá nas Américas. Além disso, os fãs locais terão um nome para apoiar no grid: Colton Herta.

O piloto de 26 anos faz sua estreia no grid em 2026 após ter trocado o papel de titular na Fórmula Indy, onde corria pela equipe Andretti, pela possibilidade de disputar uma vaga como titular da Cadillac na Fórmula 1.
O fim de semana trará outras questões importantes que afetarão o cronograma padrão: a corrida sprint, que já fazia parte do fim de semana do GP de Miami desde 2024, e a mudança no treino livre, que, com o longo intervalo desde a prova anterior e as mudanças no regulamento, terá duração de 90 minutos — 30 a mais do que originalmente.
(Foto principal: Reprodução/ESPN)


