George Russell acredita que o estilo de pilotagem tem papel importante nas diferenças de desempenho entre os pilotos da Fórmula 1 com a atual geração de carros. O britânico reconheceu que ainda está se adaptando completamente às características do carro da Mercedes e apontou quatro pilotos que, em sua avaliação, parecem estar tirando melhor proveito desse conceito.
O assunto ganhou força novamente depois de Russell enfrentar dificuldades para acompanhar o companheiro de equipe Andrea Kimi Antonelli ao longo da temporada. Embora tenha conseguido reduzir parte da diferença nas últimas etapas, o piloto da Mercedes entende que uma mudança de estilo de pilotagem foi necessária para extrair mais do carro.
Russell vê relação entre estilo e desempenho
As discussões sobre estilos de pilotagem ganharam destaque na Fórmula 1 na temporada passada, especialmente diante das diferenças de comportamento dos carros e da forma como cada piloto conseguia explorá-los. Com a mudança no regulamento, o tema acabou ficando em segundo plano em 2026, mas voltou a ser levantado por Russell.
O piloto acredita que as características dos carros atuais favorecem determinados estilos de condução e podem ajudar a explicar por que alguns competidores estão conseguindo resultados melhores do que seus próprios companheiros de equipe.
Além da situação dentro da Mercedes, Russell citou como exemplos os pilotos da McLaren, Ferrari e Red Bull. Na visão do britânico, Lando Norris tem conseguido se adaptar melhor do que Oscar Piastri, enquanto Lewis Hamilton vem levando vantagem sobre Charles Leclerc na Ferrari. Na Red Bull, Russell também enxerga Max Verstappen enfrentando uma situação diferente da de outros pilotos em relação ao comportamento do carro.
Diferença para Antonelli ainda existe
A comparação mais direta para Russell, porém, é com Antonelli. A diferença entre os dois aumentou para 81 pontos nas corridas realizadas depois da pausa de verão, mas o britânico afirma que os números não contam toda a história de sua evolução recente.
Russell destacou que passou a se sentir mais confortável com seu estilo de pilotagem e considera que houve progresso significativo desde o retorno das férias.
Nas três sessões de classificação disputadas desde então, ele conseguiu superar Antonelli, enquanto também avaliou que seu ritmo de corrida esteve em nível semelhante ao do companheiro nas duas provas realizadas nesse período. “Eu tenho uma resposta e estou trabalhando nisso. Acho que melhorou muito, então estou muito satisfeito com esse passo que dei”, explicou Russell.
Mudar o estilo é possível, mas ser rápido é outra questão
Para Russell, adaptar a forma de conduzir o carro não é necessariamente o maior obstáculo. O problema está em conseguir realizar essa mudança sem perder velocidade. “Fundamentalmente, mudar o estilo de pilotagem é algo possível para muitos pilotos, mas ser rápido com ele é outra questão”, afirmou.
A declaração resume o desafio enfrentado pelo britânico. Não se trata apenas de alterar a maneira como o carro é conduzido, mas de encontrar uma configuração de pilotagem que permita explorar suas características sem comprometer a performance.
Esse processo também ajuda a explicar por que Russell acredita que diferentes pilotos podem reagir de maneiras distintas ao mesmo carro.
Norris, Hamilton e Verstappen entram na análise
Russell ampliou sua análise para além da própria garagem e apontou exemplos entre algumas das principais duplas do grid.
Na McLaren, ele considera que Norris vem tendo um desempenho melhor do que Piastri em relação à adaptação às características dos carros atuais. Na Ferrari, Hamilton aparece na mesma discussão diante de sua vantagem recente sobre Leclerc.
Na Red Bull, Russell também vê um contraste envolvendo Verstappen. O britânico entende que as características do carro podem favorecer determinados estilos e, consequentemente, influenciar o equilíbrio entre companheiros de equipe.
A análise não significa necessariamente que um piloto seja simplesmente mais rápido que outro em termos absolutos. Para Russell, a questão passa também pela capacidade de cada competidor de trabalhar com as particularidades do carro disponível.
Russell agora mira a evolução na reta final
Apesar da diferença para Antonelli, Russell prefere concentrar seus esforços na própria evolução. Com suas chances no campeonato de pilotos diminuindo, o britânico também colocou como prioridade ajudar a Mercedes na disputa pelo título de construtores. “Minha performance desde a pausa de verão foi… consegui me classificar à frente dele nas três sessões de classificação e meu ritmo de corrida esteve no mesmo nível que o dele nessas duas corridas. Não poderia dizer isso antes da pausa”, explicou.
A Mercedes, portanto, entra na parte final do campeonato com Russell ainda buscando extrair o máximo do carro. Para o britânico, entender como adaptar seu estilo às características da atual geração de monopostos pode ser uma das peças fundamentais para transformar a evolução recente em resultados mais consistentes.
Foto: (Reprodução/ Grande Prêmio)



