Faltando três dias para a estreia nas Olimpíadas de Paris, a seleção brasileira de futebol feminino segue a preparação em Bordeaux, casa do confronto inicial contra a Nigéria nesta quinta-feira, às 14h (de Brasília). Os treinos da amarelinha acontecem no estádio Chaban-Delmas, inaugurado há 100 anos e considerado um templo de histórias, envolvendo duas Copas do Mundo, o astro francês Zinédine Zidane, e o craque brasileiro Leônidas da Silva. Bordeaux é um município a quase 600 quilômetros de Paris.
A delegação com Marta e companhia desembarcou na França na última quinta-feira, uma semana antes da estreia contra as nigerianas nos Jogos Olímpicos. Elas participaram da primeira atividade em Bordeaux na sexta, sob comando do técnico Arthur Elias. No sábado, além dos treinamentos, as jogadoras receberam seus uniformes. E Marta, vice-campeã olímpica em duas oportunidades, brincou com sua vasta experiência em Jogos.
Eu não dou trabalho. Não precisei trocar nada. Também, depois de cinco Jogos Olímpicos, se vocês não soubessem o meu tamanho…
— afirmou Marta.
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No Grupo C do torneio de futebol feminino, o Brasil busca uma medalha de ouro inédita após sete participações. A seleção encara além da Nigéria, o Japão, no dia 28, e a Espanha, no dia 31. Os dois primeiros colocados de cada chave avançam para as quartas de final, além dos dois melhores terceiros colocados entre os três grupos da competição.
Disputando Olimpíadas desde o primeiro torneio de futebol, em Atlanta 1996, a seleção brasileira feminina tem duas medalhas de prata, nos Jogos de Atenas 2004 e Pequim 2008, ambas contra os Estados Unidos. Na edição de Tóquio, em 2021, o Brasil terminou eliminado nas quartas de final pela seleção do Canadá, numa disputa de pênaltis, logo depois de segurar um empate em 0 a 0. Presente em todas as edições, a equipe nunca foi eliminada na primeira fase.
Em entrevista no último final de semana, a lateral Tamires reafirmou que a seleção “vai com tudo” em busca do ouro olímpico, mas pontuou que o elenco vai pensar com calma num jogo de cada vez.
Estar nos Jogos Olímpicos é o ápice para um atleta, e sabemos da responsabilidade que é vestir essa camisa. Vamos com tudo. Vamos pensar primeiro na Nigéria para depois pensar no Japão e, depois, Espanha. Vão ser três jogaços, e contamos muito com a participação da torcida, pois vamos dar o nosso melhor sempre.”
— declarou Tamires.
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Casa da estreia da seleção feminina, Bordeaux foi palco de gigantes
No Chaban-Delmas, estádio inaugurado há exatamente 100 anos, em 1924, a seleção brasileira feminina buscará protagonizar grandes histórias, assim como outros nomes do futebol já fizeram. Na época da inauguração, o local era chamado de Parc Lescure e durante muito tempo foi a casa do Girondins de Bordeaux, fundado em 1881.
Seu primeiro evento grande evento foi a Copa do Mundo de 1938, a terceira edição do maior evento de futebol do planeta. O estádio recebeu três jogos do Brasil que tinha em seu elenco o atacante Leônidas da Silva, destaque da equipe e lendário jogador do país entre o começo da década de 1930 e o final da década de 1940. O brasileiro, primeiro super craque da Amarelinha, foi o artilheiro do Mundial com sete gols marcados, sendo quatro deles justamente no estádio de Bordeaux.
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Jogando no Chaban-Delmas, o Brasil atuou duas vezes nas quartas de final enfrentando a Tchecoslováquia e avançou às semifinais após dois jogos, empatando o primeiro em 1 a 1, e vencendo o jogo-desempate por 2 a 1. Eliminados pela Itália, os brasileiros voltaram a Bordeaux para disputar e vencer o terceiro lugar, conquistado logo depois de uma vitória sobre a Suécia por 4 a 2.
Sessenta anos depois do primeiro Mundial, em 1998 a França voltou a sediar uma Copa, mas o Brasil não jogou nenhuma partida neste estádio. Porém, o destino foi generoso com o próprio país, que viria a conquistar de forma inédita um título, e em casa. Zinédine Zidane surgiu em Bordeaux no começo dos anos 1990, tendo vestido a camisa do tradicional time da cidade a partir dos 15 anos de idade, entre os anos de 1992 e 1996.
Sua passagem pela equipe local rendeu holofotes da Juventus, da Itália, que logo o repatriou para seis temporadas seguintes, onde tornou-se protagonista e liderou os franceses na conquista da Copa do Mundo. Daqui três dias, é a vez das brasileiras terem seu momento, e quem sabe, tornarem-se protagonistas de uma história que todos nós torcemos para que tenha um final feliz, ou melhor, dourado.
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Foto: Miriam Jeske/COB
