Após reiteradas solicitações para ter acesso aos áudios e imagens da cabine do VAR na derrota por 2 a 0 para o Fluminense, em partida válida pelo Brasileirão no dia 1º de setembro, a diretoria do São Paulo decidiu que irá recorrer ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) para tentar anular o jogo. O clube paulista alega que o árbitro Paulo Cesar Zanovelli (Fifa-MG) cometeu um erro de direito no lance que resultou no primeiro gol do Fluminense. Mas, afinal, quais são as reais chances de êxito nessa investida?
Conforme noticiado inicialmente pelo jornal Folha de São Paulo, a polêmica gira em torno do gol de Kauã Elias, marcado no primeiro tempo da partida disputada no Maracanã. A jogada se iniciou com a posse de bola do Fluminense em sua defesa, quando Calleri cometeu uma falta em Thiago Santos.
Zanovelli aplicou a vantagem, mas Thiago Silva, acreditando que a falta havia sido marcada, parou a bola com a mão, presumindo que o jogo seria reiniciado. No entanto, a jogada seguiu, e Kauã Elias abriu o placar para o time carioca.
O lance gerou intensa insatisfação entre os jogadores em campo, mas mesmo após a revisão pelo árbitro de vídeo, Zanovelli decidiu manter a validação do gol. O conteúdo da cabine do VAR, liberado cinco dias após a partida, na sexta-feira (6), foi o ponto de partida para o São Paulo tomar medidas mais drásticas. A partir de agora, o jornal O GLOBO esclarece algumas questões sobre o caso.
Qual é a principal reclamação do São Paulo?
O São Paulo argumenta que o árbitro Zanovelli deveria ter interrompido o lance e marcado infração quando Thiago Silva tocou na bola com a mão, logo após ele aplicar a vantagem sobre a falta de Calleri. Dessa forma, o gol de Kauã Elias seria invalidado. Os áudios revelados pelo VAR indicam que o árbitro demonstrou incerteza em relação à decisão tomada durante o jogo.
“Eu ia dar a vantagem. O jogador (Thiago Silva) para e bate a falta. Eu faço sinal de falta. Vamos seguir. Eu dei a vantagem, eu segui. É gol legal”, afirmou o árbitro no momento da revisão.
O São Paulo se sentiu lesado pela arbitragem e já havia emitido uma nota oficial, além de realizar reclamações diretas à CBF, antes mesmo de ter acesso ao áudio da cabine do VAR. Esse tipo de material costuma ser divulgado em até dois dias após a partida, mas, nesta situação, o clube precisou enviar dois ofícios para conseguir as informações. Após finalmente ouvir o conteúdo, o clube decidiu recorrer ao STJD.
Para o São Paulo, a confusão gerada pelos argumentos do árbitro Paulo Cesar Zanovelli configura um erro de direito. Essa acusação está amparada no artigo 259 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que prevê penalidades para o árbitro que não observar ou aplicar corretamente as regras do jogo, incluindo suspensão e multas.
Além disso, o parágrafo 1º do artigo 259 do CBJD afirma que uma partida pode ser anulada se houver comprovação de um erro de direito relevante que tenha impactado o resultado. Com base nisso, o São Paulo acredita que existe, juridicamente, uma possibilidade de que o STJD considere o pedido de anulação.
Há chances de o jogo entre Fluminense e São Paulo ser anulado?
Embora haja respaldo jurídico para a solicitação, internamente o São Paulo reconhece que a anulação da partida é algo difícil de ser conquistado. Ainda assim, o clube deseja continuar com o processo para formalizar sua insatisfação de maneira institucional.
Outro fator que pode dificultar a ação do São Paulo é o tempo que levou para ter acesso aos áudios do VAR. A demora de cinco dias pode ser um obstáculo, já que o artigo 85 do CBJD determina que qualquer impugnação deve ser feita “em até dois dias após a publicação da súmula” pela CBF. Portanto, o São Paulo entrará com a ação no STJD após ter acesso ao conteúdo da cabine do VAR, e não com base na súmula do jogo.