O Fluminense mudou desde a chegada de Marcão. Recuperou jogadores importantes, ganhou força ofensiva e, principalmente, passou a demonstrar uma capacidade de reação que não vinha aparecendo com frequência.
Mas existe uma contradição no atual momento tricolor: a equipe aprendeu a buscar partidas que pareciam perdidas, mas ainda não aprendeu a controlar completamente aquelas que estão em suas mãos.
O empate por 3 a 3 com o Athletico-PR foi o exemplo mais recente. O Fluminense sofreu, reagiu, virou o jogo e esteve muito perto de sair de Curitiba com uma vitória importante. Acabou deixando dois pontos pelo caminho.
Para a sequência que se aproxima, esse detalhe pode fazer toda a diferença.
A bola parada continua sendo um problema
A fragilidade mais evidente é também uma das mais antigas. O Fluminense continua oferecendo perigo em jogadas de bola parada e cruzamentos para a área. Contra o Athletico, dois dos três gols sofridos tiveram origem em situações desse tipo.
E não foi a primeira vez. Palmeiras e Independiente Rivadavia também encontraram caminhos semelhantes em momentos importantes.
Isso torna a questão ainda mais preocupante. Não se trata apenas de enfrentar um adversário particularmente eficiente, mas de uma vulnerabilidade que continua aparecendo independentemente do roteiro da partida.
Marcão terá alguns dias para trabalhar antes do clássico contra o Vasco. Corrigir posicionamento, comunicação e reação à segunda bola precisa estar entre as prioridades. Em mata-mata, uma falha pode valer uma classificação inteira.
O Fluminense também precisa aprender a fechar os jogos
Existe outro problema que se conecta diretamente ao anterior: a dificuldade para administrar os minutos finais.
Contra o Athletico, o empate veio quando o relógio já marcava os acréscimos. Diante do Independiente Rivadavia, o Fluminense sofreu um pênalti no fim e precisou das penalidades para confirmar a classificação às quartas da Libertadores.
Até contra o Palmeiras, a equipe precisou buscar uma reação depois de sofrer a virada na reta final. Há mérito em reagir, mas existe uma diferença entre ser resiliente e depender da resiliência em todas as partidas.
Um time que pretende disputar títulos precisa saber sofrer quando necessário, mas também precisa saber matar o jogo quando tem a oportunidade. O Fluminense ainda oscila demais entre esses dois extremos.
Marcão precisa encontrar o meio-termo
A solução não passa por abandonar a postura que o treinador conseguiu implementar. O Fluminense está mais competitivo. Não se entrega facilmente e encontrou diferentes maneiras de atacar. Hulk recuperou protagonismo, Serna ganhou importância e outros jogadores ofensivos voltaram a participar diretamente das jogadas decisivas.
O próximo passo é acrescentar controle.
Quando estiver vencendo, o time precisa conseguir proteger o resultado sem simplesmente entregar a bola ao adversário. Ao mesmo tempo, não pode continuar atacando de maneira desorganizada e oferecendo espaços desnecessários.
É uma questão de equilíbrio. Marcão terá de encontrar uma equipe que consiga defender com segurança sem deixar de jogar.
No ataque, há motivos para otimismo
Se a defesa ainda preocupa, o setor ofensivo oferece uma perspectiva bem mais positiva. Hulk atravessa seu melhor momento desde que chegou ao clube. Serna passou a aparecer em momentos importantes, enquanto Canobbio e Soteldo também voltaram a participar de gols.
Nos últimos quatro jogos, os atacantes titulares somaram sete participações diretas em gols. Esse crescimento é importante porque diminui a dependência de uma única solução.
O Fluminense passou a ter jogadores capazes de decidir de diferentes maneiras, seja pela bola parada, pela individualidade ou pela construção coletiva. Agora, o desafio é fazer essa produção se manter quando o nível de exigência aumentar.
O Vasco chega no pior momento para testar essas falhas
O clássico de sábado terá um componente que vai além da rivalidade. O Vasco foi o responsável pela eliminação do Fluminense na Copa do Brasil. Agora, os dois voltam a se encontrar em um momento no qual o Tricolor precisa provar que evoluiu justamente nos aspectos que costumam decidir partidas equilibradas.
Não será apenas uma revanche, mas também um teste para saber se o time consegue transformar a evolução com Marcão em consistência.
E depois haverá um desafio ainda maior.
O Fluminense enfrentará o Platense nas quartas de final da Libertadores. A competição entra em uma fase na qual cada detalhe passa a ter peso maior, e os erros que podem ser corrigidos durante uma partida de Brasileirão podem simplesmente determinar uma eliminação.
Por isso, os próximos treinos serão importantes.
O Fluminense já sabe reagir. Falta aprender a controlar
Talvez essa seja a principal conclusão sobre o atual momento. Marcão não recebeu uma equipe sem soluções. Há jogadores em boa fase, o ataque ganhou confiança e o grupo mostrou capacidade para reagir diante de situações adversas.
O problema é que o Fluminense ainda coloca obstáculos demais no próprio caminho.
A bola parada continua oferecendo oportunidades aos adversários. Os minutos finais seguem perigosos. E a equipe ainda alterna períodos de controle com momentos em que perde completamente o domínio da partida.
Isso pode funcionar em uma sequência de jogos. Nos mata-matas, não. O Fluminense não precisa necessariamente se tornar um time perfeito nas próximas semanas. Precisa apenas reduzir os erros que continuam se repetindo.
Já ficou claro que essa equipe sabe correr atrás do prejuízo. O que Marcão precisa ensinar agora é algo ainda mais importante: como evitar que o prejuízo apareça.
FOTO: MARINA GARCIA / FLUMINENSE F.C. / DIVULGAÇÃO


