Conte Napoli
Futebol Serie A

Conte quebra recorde e faz história com título inesperado do Napoli!

Antonio Conte tinha um desejo guardado no coração: voltar ao futebol italiano. Depois de uma passagem meio montanha-russa pelo Tottenham, teve momentos bons, outros nem tanto, ele decidiu que era hora de retornar à Série A. E voltou em grande estilo, assumindo o comando do Napoli. A missão? Provar mais uma vez ao mundo que é um técnico de primeiríssimo nível. E não é que conseguiu? Conquistou o scudetto e, de quebra, entrou para a história como o primeiro treinador a ser campeão italiano por três clubes diferentes.

É um feito absurdo, que só um cara do calibre de Conte poderia alcançar. Ele começou essa jornada lá atrás, com a Juventus, depois brilhou com a Inter de Milão, e agora colocou o Napoli no topo. Os napolitanos até sofreram um pouco com a pressão do time de Simone Inzaghi durante o campeonato, mas no fim, o título tinha endereço certo. Não à toa, quando surgiu a chance de levantar a taça em casa, contra o Cagliari, eles não desperdiçaram.

Muitos técnicos importantes já passaram pela Série A, mas poucos foram além de dois títulos com clubes diferentes. Antonio Conte quebrou esse padrão. Pegou o Napoli no meio do caminho, depois de uma sequência de treinadores que não deram liga, implantou seu estilo, fez pedidos pontuais no mercado… e o resultado foi o topo. Campeão. Líder.

Com essa conquista, Conte deixou para trás nomes pesados como Fabio Capello, Giovanni Trapattoni, Arpad Weisz, Fulvio Bernardini, Tony Cargnelli e Nils Liedholm. Todos eles conseguiram títulos por dois clubes na Série A. Mas ninguém foi além, até Conte. Talvez tenha faltado ambição, talvez sorte. Mas enquanto uns sonham por uma vida inteira, outros simplesmente vivem e realizam. E Conte está nesse segundo grupo.

O Napoli de Conte

Conte Napoli
Foto: Getty Images

 

Vale lembrar que o Napoli já vinha numa fase forte antes da chegada de Conte. Com Luciano Spalletti no comando e a dupla Kvaratskhelia e Victor Osimhen brilhando, o time conquistou o scudetto não faz muito tempo. E isso enfrentando uma Inter imparável, um Milan bem mais competitivo do que o atual, e outros rivais tradicionais da Itália.

Mas a coisa desandou na temporada seguinte. Primeiro saiu Osimhen, depois Spalletti, muito por conta das brigas com o presidente do clube. Kvara até ficou por mais um tempo, chegou a ser treinado por Antonio Conte, mas com o tempo também resolveu partir, mesmo com o Napoli liderando ou brigando forte pelo topo.

Conte, claro, ficou bolado com a saída, afinal, era sua principal estrela. Mas bola pra frente. O Napoli seguiu, e o técnico tratou de encontrar alternativas. David Neres passou a ser utilizado com frequência, Raspadori ganhou mais protagonismo, e mesmo aos trancos e barrancos, o time se segurou lá em cima até a última rodada.

Sem grandes estrelas, Conte teve o grupo na mão. Jogadores certos, ideias claras, e aquele toque especial de quem sabe onde quer chegar. Um nome que se destacou? Scott McTominay. Sim, o volante escocês que por anos foi um operário do meio-campo no Manchester United. Lá ele era aquele primeiro volante raiz, que mal pisava na área. Mas com Conte, tudo mudou.

No Napoli, McTominay ganhou liberdade pra jogar como na seleção escocesa. E respondeu à altura: fez gols importantes, incluindo um voleio lindo contra o Cagliari, abrindo o placar no jogo que selou o título. Depois, Lukaku, outro velho conhecido de Conte, apareceu pra fechar a conta com um 2 a 0. O atacante, que já havia brilhado com o técnico no Chelsea e na Inter, foi mais uma escolha cirúrgica.

Se o Napoli chegou ao seu quarto scudetto, muito disso está nas costas de Antonio Conte. E falar isso não é exagero, não. É só reconhecer a grandeza de quem sabe muito bem como vencer em solo italiano.

Foto: ANSA / Ansa – Brasil