Depois de receber um sonoro “não” de Vincenzo Italiano, que preferiu renovar com o Bologna, o Milan não perdeu tempo e voltou forte no mercado de treinadores pra encontrar um substituto pra Sergio Conceição, que não fica pro projeto da próxima temporada. E o nome que está ganhando força nos bastidores é velho conhecido da torcida rossonera: Massimiliano Allegri.
O diretor esportivo Igli Tare entrou em cena e fez sua jogada. Tentou, e aparentemente conseguiu, convencer Allegri a deixar de lado a palavra que teria dado a Aurelio De Laurentiis, dono do Napoli, caso Antonio Conte saísse. O papo foi direto e claro, e a resposta que veio foi animadora: sim, Allegri está muito próximo do Milan!
O treinador livornês, multicampeão pela Juventus e que já fez história em San Siro, não é só aquele “nome seguro”, que conhece o ambiente e já venceu ali. Ele também é o tipo de técnico que gosta de comandar tudo, tanto dentro quanto fora de campo, participando de decisões sobre elenco, contratações e até o perfil do projeto esportivo.
E se for realmente ele o escolhido — algo que, neste momento, parece muito provável —, já existem discussões importantes sobre quem fica e quem pode sair. As escolhas vão girar basicamente em dois pilares: tática e técnica.
O esquema de Allegri: flexível, mas com ideias bem claras
Se tem uma coisa que define Allegri, é a capacidade de se adaptar. O italiano nunca foi refém de um único esquema. Prefere, sim, a defesa com linha de quatro, mas não hesita em mudar pra uma linha de três se for necessário pra dar mais equilíbrio defensivo.
No Milan, o desenho tático deve começar pelo 4-2-3-1 — que é a base —, mas a variação para um 3-4-1-2 está bem no radar, principalmente se a defesa começar a mostrar fragilidades.
Os intocáveis de Allegri no Milan
O treinador já vinha estudando a equipe do Milan desde janeiro, quando a possível saída de Paulo Fonseca (que, no fim, acabou acontecendo) já era ventilada. E, nesse processo, Allegri definiu quem são as peças que considera “intocáveis” no elenco.
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Rafael Leão é o primeiro da lista. Mas não exatamente na função que exerce hoje. Na cabeça de Allegri, Leão deve jogar mais perto do centroavante, como uma espécie de segundo atacante, parecido com o que ele fez na Juventus com Dybala e Higuaín ou com Cristiano Ronaldo.
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Mike Maignan é outro que não se discute. O goleiro francês, além de seguro debaixo das traves, tem uma qualidade absurda com os pés, algo que Allegri gosta muito, principalmente na construção de jogadas longas e verticais.
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Youssouf Fofana, que está chegando, deve ser peça-chave no meio. É o típico meio-campista que Allegri ama: dinâmico, marcador, distribui bem e dá equilíbrio.
Os coringas: peças que Allegri adora
Allegri é fascinado por jogadores versáteis. Quem acompanhou seu trabalho na Juventus lembra bem de como ele reinventou jogadores como Mandzukic (que virou ponta) ou Cambiaso, que fazia lateral, meio e até ala.
Nesse contexto, dois nomes entram com força:
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Christian Pulisic pode ser deslocado pra sua função original, na ponta esquerda, liberando Leão pra jogar mais centralizado.
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E Alexis Saelemaekers, que voltou de empréstimo da Roma e foi mantido no elenco justamente por isso. Allegri vê nele aquele típico coringa que pode ser útil em várias situações, seja na lateral, na ponta ou até no meio.
A defesa muda: zagueiros mais clássicos em alta
Na defesa, Allegri prefere defensores mais tradicionais, bons na marcação e no jogo aéreo, mesmo que não sejam tão velozes. Por isso:
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Gabbia continua sendo peça importante.
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Pavlovic, que também estava na mira da Lazio, ganha pontos e deve ser reforço certo.
Por outro lado, Tomori e Thiaw correm sério risco de serem negociados. Especialmente Thiaw, que já está sendo oferecido no mercado.
Quem pode sair?
Tem nomes bem conhecidos no Milan na corda bamba. Por exemplo:
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Theo Hernandez: gigante no apoio, mas com dificuldades na defesa. Allegri gosta de laterais mais equilibrados defensivamente. Theo tem mercado e, se chegar uma proposta boa, pode sim ser negociado.
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Samuel Chukwueze: nunca se firmou. Poderia ser usado só como opção de segundo tempo, no estilo que Allegri fazia com Douglas Costa na Juventus.
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Ruben Loftus-Cheek: a questão aqui são as lesões. Allegri até vê nele um potencial pra ser o “Rabiot” do Milan — um meio-campista forte, físico, de área a área. Mas, com esse histórico de lesões, fica difícil confiar pra uma temporada inteira.
E Reijnders?
Aqui entra o lado pragmático do Allegri. Tijjani Reijnders é muito valorizado e já está praticamente fechado com o Manchester City. E Allegri tem uma frase clássica que resume bem sua mentalidade:
“Eu sou um empresarialista. Hoje os clubes são empresas. O que importa são os resultados, são os números.”
Ou seja: se a venda fizer sentido pros cofres do Milan, ele não vai segurar. O importante é substituir bem.
Se Allegri voltar mesmo, o Milan vai mudar muito. A ideia é ter um time mais sólido, menos exposto, mais pragmático e competitivo. Não vai ser um futebol super ofensivo, mas vai ser um Milan bem difícil de ser batido.