O lendário Zinedine Zidane parece estar com saudade de viver a rotina intensa de um treinador… E a Juventus pode ser o palco perfeito para esse retorno. Após uma temporada abaixo das expectativas com Igor Tudor no comando, substituindo Thiago Motta, a equipe italiana está em busca de um novo nome de peso. E, convenhamos, poucos têm o currículo e o respeito de Zidane no mundo da bola.
Zidane nunca treinou outro clube que não fosse o Real Madrid, e mesmo assim, já escreveu um capítulo gigante na história do futebol. O francês soube lidar com a pressão, com a mídia e com o vestiário, e saiu por cima. Mesmo com resultados extremamente positivos, ele nunca demonstrou aquele apetite incontrolável de viver a profissão 24 horas por dia. Não à toa, depois de conquistar tudo com os merengues, preferiu sair sem esperar o barco começar a afundar.
Agora, um novo desafio pode reacender a chama: comandar a Juventus no Super Mundial de Clubes. E vamos combinar, Zinedine Zidane adora um jogo grande. Seria a chance perfeita para colocar seu nome nos holofotes de novo, como se ele algum dia tivesse saído de cena, né?
Carreira de Zidane como treinador

Zidane parece ter sido moldado pelo futebol. Sua trajetória vitoriosa dentro e fora das quatro linhas comprova isso. O pontapé inicial como técnico foi em 2013, quando virou auxiliar de ninguém menos que Carlo Ancelotti. Ali, no banco do Real Madrid, começou seu “estágio” de luxo com um dos maiores técnicos da história.
Participou da histórica conquista da décima Champions League do clube, em 2014. Depois, em 2014, assumiu o Real Madrid Castilla, a equipe B, onde passou dois anos colocando em prática suas ideias, testando conceitos e vendo o jogo de um novo ângulo.
Mas ninguém poderia prever o que viria logo depois. Em janeiro de 2016, Rafa Benítez caiu, e Zidane foi chamado para a missão. Não pensou duas vezes. Resultado? Uma das eras mais dominantes da história recente do Real Madrid. Simplesmente mágico para o ex-camisa 10.
Foram três Champions League seguidas (2015/16, 2016/17 e 2017/18). Nenhum outro treinador conseguiu esse feito. Nenhum. Dá pra dizer que Zinedine Zidane nasceu pra comandar a elite.
Sua chegada deu um gás novo ao elenco. Ter uma lenda como comandante mexe com o brilho no olho dos jogadores. Claro que suas ideias táticas e o jeito de lidar com o vestiário contaram muito, mas o peso do nome Zinedine Zidane fez diferença, sim.
A grande surpresa veio na hora da saída. Zidane entregou o boné mesmo com o time em alta. Disse que o Real precisava de uma mudança, e se colocou como a peça a sair para isso acontecer. Em 2019, voltou após as passagens de Lopetegui e Solari. O cenário não era dos melhores: elenco instável, sem Cristiano Ronaldo, pressão em cima. Mesmo assim, o francês topou mais esse desafio.
No retorno, levantou mais uma La Liga (2019/20) e a Supercopa da Espanha no mesmo ano. Em 2021, decidiu novamente encerrar o ciclo. Sem crise, sem escândalo, só na elegância.
Filosofia de Zidane

Zidane nunca foi aquele treinador “linha-dura tático”, que vive de planilha e vídeo-análise. O forte dele sempre foi outro: a leitura de ambiente, o trato com os jogadores e a mentalidade vencedora. Difícil imaginar Zizou comandando um elenco sem nomes fortes, porque ele sabe extrair o máximo dos craques, e sabe exatamente como fazer isso.
Como ex-jogador de sucesso, ele entra no vestiário com respeito garantido. É calmo, tem inteligência emocional de sobra e cria um clima leve, positivo. Trabalhar com Zinedine Zidane deve ser uma experiência única. Quando ele confia em alguém, passa isso com tanta força que motiva até quem já ganhou tudo.
Zidane também é direto: sem rodeios, explica os papéis dos atletas de forma simples. E dá liberdade para que os craques brilhem individualmente, nada de engessar o talento. Taticamente, não era preso a um esquema só. Alternava entre o 4-3-3 e o 4-4-2 com naturalidade, sempre com um meio-campo forte e um ataque veloz e letal.
Acima de tudo, o que Zidane entrega é resiliência e vontade de vencer. Isso é o que ele exige dos seus comandados, e o que talvez a Juventus esteja buscando para voltar a brigar entre os grandes da Europa e, quem sabe, do mundo.
Se o francês aceitar o desafio, não espere um técnico de prancheta em mãos e gritos na beira do campo. Espere Zinedine Zidane: o líder tranquilo, o ex-jogador genial e o cara que nasceu para estar nos grandes palcos. A Juventus pode estar prestes a ganhar muito mais do que um treinador, pode estar prestes a ganhar história.
Foto: Gerard Julien / AFP


