Com uniformes que lembram os da Seleção Brasileira, o Mamelodi Sundowns se firmou como uma das maiores potências do futebol africano. O clube da África do Sul será um dos oponentes do Fluminense no Grupo F do Mundial de Clubes da FIFA, que será disputado nos Estados Unidos neste mês. Na última temporada, o time conquistou mais um título do Campeonato Sul-Africano, somando agora oito troféus dessa competição. Recentemente, ficou com o vice-campeonato da Liga dos Campeões da CAF, após derrota para o egípcio Pyramids FC.
Mesmo com o revés continental, os Sundowns seguem sendo referência no continente. Campeões da Champions Africana em 2016 e vice-campeões em 2001, os sul-africanos viram o sonho do bicampeonato ser adiado após a derrota para o Pyramids. Ainda assim, garantiram o oitavo título consecutivo da liga nacional ao vencer o Chippa United por 3 a 0 fora de casa — com destaque para o brasileiro Arthur Sales, autor de dois gols. Com esse resultado, o clube de Pretória chegou à impressionante marca de 15 títulos na era moderna da Premiership, sem chances de ser alcançado pelo Orlando Pirates, vice-líder.
Para a disputa do Mundial de Clubes da FIFA, o Mamelodi Sundows reforçou seu elenco com três nomes: o meio-campista Jayden Adams (ex-Stellenbosch), o defensor Keanu Cupido (ex-Cape Town City) e o zagueiro argentino Lucas Suárez, emprestado pelo Talleres, da Argentina. Em contrapartida, Matías Esquível retornou ao Talleres após o fim do empréstimo. No ataque, o principal nome é Lucas Ribeiro Costa, artilheiro do campeonato nacional com 16 gols.
Além do Mamelodi Sundowns e do Fluminense, o Grupo F do Mundial de Clubes da FIFA, conta ainda com o Ulsan Hyundai (Coreia do Sul) e o Borussia Dortmund (Alemanha). A estreia dos sul-africanos será contra os coreanos no dia 17 de junho, às 19h (horário de Brasília), no Inter&Co Stadium, em Orlando.

Mamelodi Sundowns: a força africana que pode surpreender o Fluminense no Mundial de Clubes da FIFA 2025
O Mundial de Clubes da FIFA de 2025 promete ser o mais competitivo da história. Com novo formato e 32 participantes, o torneio que acontecerá nos Estados Unidos reunirá campeões continentais de várias temporadas, proporcionando confrontos inéditos e desafiadores. Um dos clubes que chama atenção e pode representar um obstáculo real para o Fluminense é o sul-africano Mamelodi Sundowns, conhecido como The Brazilians — não apenas pelo uniforme amarelo e azul que remete à Seleção Brasileira, mas também pelo futebol técnico que cultivam há décadas.
História e trajetória ascendente
Fundado em 1970 em Mamelodi, nas proximidades de Pretória, o clube nasceu entre amigos e rapidamente galgou posições até se consolidar como um dos maiores do país. Nos anos 1980, já dava sinais de profissionalismo, e na década de 1990, com a consolidação da Premier Soccer League pós-apartheid, tornou-se um nome de peso.
A virada definitiva do Mamelodi Sundowns aconteceu em 2003, com a aquisição do clube pelo bilionário Patrice Motsepe. Com uma gestão profissional e investimentos estruturais significativos, o Sundowns passou a dominar o futebol local, conquistando múltiplos títulos da PSL, incluindo uma sequência histórica nos últimos anos.
Conquistas continentais e experiência global
O ápice do Mamelodi Sundows no cenário africano veio em 2016, quando o clube venceu a CAF Champions League sob o comando de Pitso Mosimane. Isso garantiu a participação no Mundial de Clubes da FIFA daquele ano, nos Emirados Árabes Unidos.
Desde então, os Sundowns têm figurado com frequência entre os melhores da África e asseguraram vaga no Mundial de 2025 como campeões da edição 2023–24 do torneio continental, superando gigantes como Al Ahly e Wydad Casablanca.
Um rival perigoso para o Fluminense
Integrando o grupo do atual campeão da Libertadores, o Fluminense, o Mamelodi Sundowns chega com um elenco entrosado, proposta de jogo moderna e um preparo físico invejável. O técnico português Miguel Cardoso quer levar os sul-africanos ao topo, enfrentando de igual para igual os grandes do futebol mundial.
O técnico português que já trabalhou em diversos países, incluindo Ucrânia, França e Tunísia, agora tenta fazer história no continente africano. Em entrevista à FIFA, relembrou sua passagem pelo Braga em 2011 e destacou sua filosofia de jogo baseada em inspiração, equilíbrio e mentalidade forte.
Apelidados de “The Brazilians”, não só pelas cores do uniforme como também pelo estilo de jogo técnico e ofensivo, os Sundowns — também conhecidos como “Bafana ba Style” — apostam na posse de bola, trocas rápidas de passes e versatilidade tática.

Como joga o Mamelodi Sundowns?
Comandado por Cardoso, o Mamelodi Sundowns varia sua formação entre o 3-4-2-1 e o 4-3-3, sempre buscando controlar a partida com passes curtos e movimentação constante. Ainda que nem sempre transforme sua posse em gols, o time é perigoso nos contra-ataques e sabe adotar posturas mais defensivas quando necessário, como mostrou na partida contra o Al Ahly, onde Lucas Ribeiro, camisa 10, foi o principal articulador de jogadas.
Contra o Fluminense, é provável que o Mamelodi Sundowns adote uma abordagem mais reativa, apostando na velocidade e inteligência de Lucas Ribeiro para explorar os espaços deixados pelo time carioca.
Expectativa e desafio no Mundial
Embora Fluminense e Borussia Dortmund sejam considerados favoritos no Grupo F, o Mamelodi Sundowns já demonstrou capacidade de surpreender, com defesa sólida e contra-ataques letais. Mais do que um adversário alternativo, o clube sul-africano representa o crescimento e amadurecimento do futebol africano no cenário global. Como dizem os próprios torcedores dos Sundowns: “The sky is the limit!”
(Foto: Backpage)