O Wrexham, clube galês comandado pelos astros Ryan Reynolds e Rob McElhenney, continua surpreendendo o futebol inglês com sua escalada meteórica. Desde a compra do clube em 2021, os Red Dragons emendaram três acessos seguidos, saindo da quinta divisão até a Championship, segunda divisão inglesa, algo inédito em seus 48 anos de história. Agora, sonham em chegar à Premier League — e, pelo que mostram os números, o caminho pode ser mais curto do que parece.
A temporada atual não começou com os resultados esperados dentro de campo, mas fora dele o cenário é outro. O Wrexham já projeta alcançar receitas comerciais parecidas com as de clubes de meio de tabela da elite inglesa. Em 2023/24, times da Premier na faixa intermediária arrecadaram entre 24 e 34 milhões de euros apenas com patrocínios e merchandising. Para 2024/25, os galeses acreditam que vão bater de frente com essas cifras.
Esse salto financeiro vem de novas parcerias comerciais que reforçam o alcance da marca do Wrexham no mundo. Entre elas, acordos estratégicos com grandes redes de varejo esportivo nos Estados Unidos e uma colaboração especial com a New Era, gigante de bonés e acessórios.
A força do documentário e das vendas de camisa do Wrexham
O documentário da Disney, que mostrou os bastidores da compra e do crescimento do clube, foi peça-chave para o Wrexham conquistar fãs no mundo todo. A exposição global transformou o time em um fenômeno cultural além do esporte.
Só na última temporada, quando ainda estavam na League One (terceira divisão), o Wrexham vendeu quase 100 mil camisas. Metade desse total foi para fora do Reino Unido, um dado impressionante para um clube que até pouco tempo atrás estava no futebol semiprofissional.
Agora, com os novos canais de distribuição, as vendas devem disparar ainda mais. Produtos oficiais do clube já estão disponíveis em lojas como Dick’s Sporting Goods e Pelé Soccer, duas das maiores redes de artigos esportivos dos EUA. A expectativa da diretoria é de um crescimento de 60% na receita comercial em relação ao último ano.
Investimento pesado para acelerar o sonho da Premier
Reynolds e McElhenney não têm economizado para acelerar a transformação do Wrexham. O clube já quebrou seus próprios recordes de transferências, incluindo a contratação de Sam Smith, a mais cara de sua história, que por pouco não entrou no top 5 da League One. No mercado atual, o Wrexham é o time de maior gasto líquido da Championship, com 27 milhões de euros, mais que o dobro do segundo colocado da lista.
Mas o investimento não para nos gramados. Para competir em pé de igualdade com clubes da elite, o Wrexham sabe que precisa estruturar sua base. O estádio Racecourse Ground, um dos mais antigos do mundo em atividade, está em obras para ganhar uma nova arquibancada, que ampliará a capacidade de 12.600 para 18 mil lugares.
Além disso, a diretoria está apostando na formação. A academia do clube foi fortalecida e o número de funcionários nas instalações disparou, transformando a estrutura antes modesta em um ambiente profissional de alto nível.
Um futuro de Premier League à vista?
A trajetória do Wrexham é daquelas histórias que parecem saídas de filme — e, no caso deles, literalmente é. A combinação de investimento agressivo, marketing inteligente e apoio da torcida está criando uma base sólida para que o clube chegue, em pouco tempo, à Premier League.
O executivo Michael Williamson, em entrevista ao *Financial Times*, resumiu bem a ambição: “Temos uma marca de Premier League. A distribuição da nossa marca vai se traduzir em crescimento significativo de vendas e de receita”.
O sonho ainda depende de desempenho em campo, mas se tem algo que Reynolds e McElhenney já provaram é que não estão no futebol para brincar. O Wrexham pode até não estar na primeira divisão ainda, mas já joga como se fosse um time dela — pelo menos fora das quatro linhas.