A Juventus vive um dilema curioso neste início de temporada. O protagonista é Dusan Vlahovic, atacante sérvio que parece encarnar dois jogadores diferentes dependendo do papel que ocupa. Quando entra no segundo tempo, vira um verdadeiro terror para as defesas adversárias. Mas quando começa no time titular, sua presença quase se apaga, deixando a torcida com a sensação de que falta aquele centroavante decisivo que todos esperam ver.
Esse contraste ficou evidente nos últimos compromissos. Depois de um desempenho apagado contra a Inter, Vlahovic voltou a decepcionar diante do Hellas Verona, justamente na partida que marcava seu jogo número 150 com a camisa da Velha Senhora. O problema é que, apenas três dias antes, ele tinha sido absolutamente devastador ao sair do banco contra o Borussia Dortmund na Champions League, ajudando a mudar completamente a história do jogo.
Um substituto de luxo
Para entender a dimensão do caso, basta olhar para os números. Na partida contra o Dortmund, Vlahovic entrou no segundo tempo e foi peça-chave para um empate épico: a Juventus perdia por 2 a 4 no fim do jogo e conseguiu arrancar o 4 a 4 graças a dois gols e um passe decisivo do sérvio. Era o tipo de atuação que coloca qualquer atacante nas manchetes do dia seguinte.
Não foi um caso isolado. Na primeira rodada do Campeonato Italiano, também saindo do banco, ele deixou o seu contra o Parma, fazendo o 2 a 0. Na semana seguinte, em Gênova, voltou a decidir com uma cabeçada que garantiu os três pontos contra a equipe de Patrick Vieira. Esses lampejos convenceram Igor Tudor de que talvez fosse hora de apostar nele como titular, especialmente porque, mesmo com contrato perto do fim e rumores de mercado, o camisa 9 seguia no elenco.
O outro lado da moeda
Mas o que parecia uma boa ideia acabou evidenciando o problema. Nas duas vezes em que começou jogando, Vlahovic passou em branco. Contra a Inter, preso em um esquema muito defensivo, saiu aos 73 minutos sem conseguir incomodar a defesa adversária. Já diante do Verona, apesar de uma finalização defendida por Montipò no início do segundo tempo, praticamente não se encontrou no tridente com Yildiz e Conceição, sendo substituído aos 56 minutos para a entrada de Openda.
Os números são claros: quando entra do banco, são quatro gols e um assist em três jogos. Como titular, zero gols e zero participações diretas nas duas oportunidades. Para um jogador contratado para ser referência ofensiva, é um contraste gritante.
Um dilema para Tudor e para o próprio Vlahovic
A questão agora é como lidar com essa “síndrome Dr. Jekyll e Mr. Hyde”. O técnico precisa encontrar um jeito de manter o impacto do sérvio mesmo quando ele começa jogando. Parte disso passa por contexto: adversários cansados, linhas mais abertas e espaço para correr são o cenário ideal para Vlahovic usar sua força e velocidade. Titular, ele encara defesas inteiras ainda frescas e sistemas táticos mais ajustados.
Para o próprio jogador, também é um teste mental. Um centroavante de elite não pode depender exclusivamente das circunstâncias do jogo para render. Vlahovic sabe disso e, com contrato no fim e um futuro incerto, precisa provar que pode ser decisivo do início ao fim.
O que esperar daqui para frente
Na Juventus, a torcida já começou a debater: será que Vlahovic é mais útil entrando do banco do que começando? Em um time que ainda busca um padrão ofensivo e que nem sempre consegue impor volume de jogo desde o início, talvez a resposta passe por um uso mais estratégico do camisa 9, mesmo que isso signifique deixar um jogador caro e renomado fora do time titular em alguns jogos.
O certo é que, se conseguir encontrar esse equilíbrio, Vlahovic pode voltar a ser o centroavante temido dos tempos de Fiorentina. O talento está lá – as atuações saindo do banco são prova disso. Mas, enquanto o “Dr. Jekyll” devastador não se tornar o “Mr. Hyde” confiável de 90 minutos, a Juventus seguirá lidando com um dos casos mais curiosos da temporada: um atacante que brilha como suplente, mas ainda não convence como titular.



