Quando saiu a escalação do Nottingham Forest para o primeiro jogo europeu em 29 anos, muita gente ficou de sobrancelha levantada. Chris Wood, artilheiro com 20 gols na Premier League passada, estava no banco. O atacante da Nova Zelândia foi um dos grandes responsáveis por colocar o Forest de volta nas competições internacionais, então a surpresa foi geral.
No lugar dele, o técnico Ange Postecoglou resolveu apostar em Igor Jesus, brasileiro de 24 anos que chegou em julho vindo do Botafogo por 10 milhões de libras. E o cara não decepcionou. Em plena Sevilha, contra o Real Betis, mostrou logo por que pode ser um dos reforços mais empolgantes da temporada.
Estreia com moral e gols decisivos
O Forest estava perdendo por 1 a 0 quando Igor Jesus apareceu para empatar com um toque simples. Cinco minutos depois, subiu mais alto que todo mundo e virou de cabeça, colocando os ingleses na frente. No fim, Antony (ex-Manchester United) empatou aos 85 minutos e tirou a vitória do time. Mesmo assim, o brasileiro já tinha mostrado serviço.
Do outro lado, Chris Wood só olhava do banco. Um sinal de que a disputa pela camisa 9 vai ser quente. Michail Antonio, ex-Forest e West Ham, disse na TNT Sports: “Chris Wood vai ter que ficar esperto”. Não parece exagero.
Energia, presença e até comparação com Drogba
Igor Jesus foi o nome do jogo. Em 64 minutos em campo, fez seis das 16 finalizações do Forest, três delas no alvo. Chegou a ter chance de hat-trick no primeiro tempo, mas um defensor salvou em cima da linha após jogadaça de Elliot Anderson. Ao ser substituído, foi aplaudido de pé pelos 5.000 torcedores do Forest que viajaram à Espanha.
O brasileiro celebrou seus gols ajoelhado, apontando para o céu. Além da presença de área, chamou atenção pelo vigor físico, movimentação e capacidade de segurar a bola. Tim Vickery, especialista em futebol sul-americano, já havia dito que ele lembra um “Drogba moderno” depois de ver sua atuação no Mundial de Clubes, quando marcou contra o PSG pelo Botafogo.
Igor Jesus: Histórico de gols e estreia pela Seleção
Igor Jesus não é novidade para quem acompanha de perto. Ele estreou pela Seleção Brasileira em outubro passado, marcando num jogo difícil das Eliminatórias contra o Chile. Antes de chegar à Inglaterra, também foi o herói do Botafogo na vitória sobre o PSG no Mundial de Clubes, resultado que chamou a atenção dos europeus.
Agora, em apenas duas partidas como titular pelo Forest, já são quatro gols — dois pela Carabao Cup contra o Swansea e os dois de ontem contra o Betis. Números de quem chegou para ser protagonista. Até seu companheiro de equipe Elliot Anderson reconhece: “Ele está sempre no lugar certo, isso é fundamental para um atacante. Está fazendo gols e vemos isso nos treinos. Estou muito feliz por ele”.
O que acontece com Chris Wood?
Chris Wood não é qualquer um. Desde que o Forest comprou em definitivo do Newcastle, ele virou peça-chave. Na última Premier League, só Salah, Isak e Haaland fizeram mais gols do que ele. Começou a atual temporada marcando dois gols na vitória sobre o Brentford e também foi titular nos primeiros jogos com Postecoglou, inclusive no empate com o Burnley.
Mas contra o Betis ficou no banco. Aos 33 anos, vê um novato ganhar espaço no time. Steve Hodge, ex-meio-campista do Forest, comentou na BBC Radio Nottingham: “Do ponto de vista do Chris, ele não vai estar feliz. Ele quer estar nesses jogos grandes”.
Postecoglou ainda busca sua primeira vitória
Apesar do empate amargo, o Forest mostrou evolução. O time vinha de derrotas para Arsenal e Swansea e de um empate com o Burnley. Na Espanha, a atuação foi mais animadora, e por pouco não voltou para casa com três pontos na estreia da Europa League. “Nosso futebol foi excelente no primeiro tempo. Só faltou matar o jogo”, disse Postecoglou. “Tenho que manter a cabeça deles erguida, porque há muito de positivo”.
O treinador ainda não venceu em quatro jogos no comando, mas parece ter encontrado uma arma importante em Igor Jesus. Para Wood, a mensagem é clara: vai ter que correr atrás para recuperar a vaga. Para o torcedor do Forest, é só alegria: depois de 29 anos longe da Europa, ver um brasileiro decidir já no primeiro jogo traz esperança de uma campanha histórica.