Brasil x Tunísia
Futebol Seleção Brasileira

Brasil erra muito e apenas empata com a Tunísia no último amistoso do ano

O Brasil encerrou o ano com um empate amargo. Diante de uma Tunísia bem mais fechada do que o Senegal no amistoso anterior, o time de Carlo Ancelotti ficou no 1 a 1 em Lille. O resultado interrompeu a sequência de boas apresentações e marcou a primeira vez na história que o Brasil não venceu os tunisianos. Lucas Paquetá ainda teve a chance de decidir no fim, mas desperdiçou um pênalti que poderia ter mudado o clima da despedida de 2025.

Agora, a seleção volta a jogar apenas em março, quando fecha a preparação para a Copa do Mundo contra equipes da Europa, que serão definidos após as eliminatórias europeias se encerrarem.

O jogo

O Brasil começou a partida tentando repetir a postura agressiva e vertical que funcionou em Londres. Ancelotti manteve a espinha dorsal da equipe, mas trocou a linha defensiva. A mudança mais sensível foi a entrada de Wesley na lateral direita. O lateral até tentou aparecer como opção de apoio, porém foi justamente por ali que a Tunísia encontrou o espaço para abrir o placar.

O jogo começou com o Brasil pressionando alto, tentando encurtar o campo e forçar erros. A Tunísia respondeu formando uma linha de cinco que congestionava a entrada da área e tirava os corredores internos. Mesmo assim, Casemiro conseguiu achar Rodrygo infiltrando no espaço entre os zagueiros, mas Talbi conseguiu salvar o chute cruzado. Minutos depois, Estêvão ameaçou em falta direta, obrigando Dahmen a uma defesa estranha, mas eficiente.

O problema apareceu logo em seguida. Wesley perdeu o duelo pelo lado direito, ficou fora da jogada e ainda tomou bola nas costas. Abdi avançou livre e serviu Mastouri já dentro da área. O meia tunisiano tocou na saída de Bento e colocou os africanos em vantagem.

O Brasil não se abalou no primeiro momento e acelerou o ritmo. Rodrygo testou Dahmen duas vezes, uma delas em cobrança de falta bem colocada. A pressão virou pênalti aos 42 minutos, depois de toque de braço na área. Estêvão assumiu a responsabilidade e bateu firme para empatar.

No intervalo, Ancelotti mexeu. Entraram Danilo e Vitor Roque. A ideia era dar mais peso ao ataque e mais equilíbrio posicional, mas o plano não encaixou. A Tunísia voltou ainda mais compacta e começou a controlar o jogo sem precisar da bola. Em vários momentos, a posse longa dos tunisianos arrancou gritos de “olé” da torcida africana, maioria no estádio.

Faltaram ao Brasil as trocas de posição, as infiltrações e o improviso que quebram sistemas fechados. A equipe virou um time estacionado, previsível, sem aceleração entre linhas. Mesmo assim, a força física dos atacantes gerou duas recuperações importantes no campo ofensivo. Primeiro com Vinícius, depois com Vitor Roque. Nesta segunda jogada, o atacante do Palmeiras foi puxado pelo capitão Sassi dentro da área. O árbitro marcou outro pênalti. Paquetá, porém, chutou mal e mandou para fora.

A partir daí, o Brasil tentou atacar mais no abafa do que na organização. A Tunísia baixou um pouco a linha, mas continuou confortável. Nos acréscimos, Estêvão ainda construiu sua melhor jogada da noite ao limpar o marcador e bater cruzado. A bola explodiu na trave e manteve o placar em 1 a 1.

O empate encerra um ano que teve bons sinais, mas também expôs limitações claras.

Brasil mostra erros de um trabalho em construção

O segundo tempo mostrou como uma boa ideia pode se perder na execução. Ancelotti tentou alargar o campo com Estêvão e Rodrygo mais abertos, buscando atrair a linha de cinco da Tunísia para as laterais e liberar o corredor central para os meias. Na prática, o plano virou um problema. O Brasil ficou preso no lado do campo. As jogadas morriam nas extremidades, sem quem atacasse o espaço por dentro. O time perdeu mobilidade e virou um ataque engessado, previsível e fácil de marcar.

A seleção também errou demais nos passes. Várias trocas simples foram mal executadas, quebrando o ritmo e entregando a posse ao rival. Contra um adversário tão recuado, cada passe errado é um presente. E o Brasil distribuiu presentes em excesso.

Mesmo assim, o saldo não é derrotista. Há pontos claros para corrigir, mas o time mostra ideias que podem crescer até a Copa do Mundo. O desafio agora é reduzir os erros individuais, ajustar o timing das movimentações e aprender a decifrar defesas que entregam pouco espaço. A estrutura existe. Falta refinamento.

O empate contra a Tunísia não apaga a boa atuação contra o Senegal, nem compromete o caminho até o Mundial. Ele só reforça que a seleção ainda está em processo. E que, até lá, precisa transformar as lições de Lille em evolução real.

(Foto: Franck Fife/AFP)