Falar sobre o futuro do Manchester City sem Guardiola parece quase um exercício de ficção científica. Mas o próprio já tratou de trazer o assunto para a realidade, deixando que algo que poderia ter acontecido nesta temporada, não foi deixado para trás. Na última sexta-feira, o treinador espanhol afirmou que o clube “precisa estar preparado” para o momento em que ele não estiver mais no comando, deixando claro que Pep não será eterno no Etihad Stadium.
Aos 54 anos, Guardiola não é apenas um técnico vencedor, ele é um divisor de águas, simplesmente uma lenda. Em nove temporadas na Premier League, conquistou seis títulos, além de levar o City ao tão sonhado troféu da Champions League, algo que por anos foi tratado quase como obsessão neste lado de Manchester. Mais do que taças, o espanhol foi capaz de redefinir padrões, mudou a forma de jogar na Inglaterra e elevou o nível de exigência do futebol local.
Por isso mesmo, pensar em um Manchester City sem Guardiola não é simples. Mas esse dia vai chegar. E, mesmo sem confirmação se Pep cumprirá os 18 meses restantes de contrato, o clube já iniciou internamente o processo de identificação de possíveis sucessores. Ao menos dois nomes já estariam mapeados, embora nenhum tenha sido oficialmente revelado, para que entregar o ouro para os outros?
A missão de substituir Guardiola será uma das mais difíceis do futebol moderno. Não se trata apenas de manter resultados, mas de dar continuidade a uma filosofia que virou marca registrada do clube. O responsável por liderar esse processo será o diretor esportivo Hugo Viana, que terá de encontrar alguém capaz de lidar com elenco estrelado, pressão constante e comparações inevitáveis com Guardiola.
Um caminho lógico é olhar para a própria Premier League, onde alguns treinadores já demonstraram capacidade de trabalhar sob holofotes.
Guardiola como referência: nomes da Premier League
Um dos primeiros nomes citados é Enzo Maresca, atual técnico do Chelsea. O italiano trabalhou diretamente com Guardiola como auxiliar na temporada 2022/23 e conhece profundamente os métodos do espanhol. Embora o comandante dos Blues tenha classificado rumores sobre o City como “100% especulação”, o vínculo com Guardiola com certeza tem um peso diferente para ele.
Outro nome que surge forte é Unai Emery. O espanhol vem fazendo um trabalho espetacular no Aston Villa, levando o clube de brigas contra o rebaixamento a uma inesperada disputa por título, atualmente apenas três pontos atrás do Arsenal. Emery não segue exatamente o “manual Guardiola”, mas entrega organização, competitividade e resultados, três palavras mágicas para qualquer diretoria.
Outra peça a ser observada é Andoni Iraola, do Bournemouth, que também aparece como opção interessante após levar um elenco limitado a um sólido nono lugar na última temporada. Já Oliver Glasner, do Crystal Palace, está em fim de contrato e tem no currículo um feito nada desprezível: derrotou o City de Guardiola na final da FA Cup.
Completa a lista inglesa Eddie Howe, que encerrou o longo jejum de títulos do Newcastle ao vencer a EFL Cup. Um treinador moderno, respeitado e com perfil de projeto a longo prazo, algo que o City valoriza desde a chegada de Guardiola. Tem um estilo mais defensivo, mas também, encontrar um “Pep Guardiola 2” é algo bem mais complicada do que ver um profissional se dar bem com suas próprias ideias.
Do outro lado do mapa: Guardiola inspira a busca na Europa
Se a ideia for buscar fora da Inglaterra, Guardiola continua sendo o fio condutor. Muitos dos nomes ventilados têm ligação direta ou indireta com ele.
Luis Enrique, por exemplo, conquistou a Champions League com o PSG na última temporada e completou a tríplice coroa. Espanhol, adepto do futebol dominante e de posse, ele seria uma escolha conceitualmente alinhada ao legado de Guardiola. O detalhe curioso é um possível reencontro com Gianluigi Donnarumma, goleiro dispensado por Enrique em Paris e que hoje defende o City.
Esse seria dos nomes mais complicados, porque também não demonstrou uma grande capacidade de trabalhar com camisas 9, só observar a realidade do time atual dos parisienses. Pode estar numa enorme lista, mas com certeza, está longe de ser um dos alvos principais, ou secundários.
Xabi Alonso é outro nome que agrada, e muito a Guardiola. O ex-volante encantou o futebol europeu ao tirar o título alemão do Bayern com o Bayer Leverkusen. Atualmente no Real Madrid, sua situação pode influenciar o interesse do City, mas Pep já declarou publicamente o quanto admira Alonso.
Falando em Bayern, o atual técnico bávaro é Vincent Kompany, ex-capitão do City e homem de confiança de Guardiola dentro de campo durante anos. Após uma passagem difícil pelo Burnley na Premier League, Kompany se reinventou na Alemanha, venceu a Bundesliga e lidera novamente com folga. Para a torcida, seria uma escolha quase cinematográfica.
Ainda aparecem nomes como Zinedine Zidane, livre no mercado há anos, Roberto De Zerbi, que conhece bem a Premier League após passagem pelo Brighton, e Julian Nagelsmann, jovem, talentoso e atualmente à frente da seleção alemã.
O DNA Guardiola dentro do clube
Existe também a possibilidade de o City olhar para dentro, sem correr atrás de outros nomes diferentes. Pep Lijnders, atual braço direito de Guardiola, conhece profundamente o funcionamento do clube, mas suas experiências como treinador principal não foram bem-sucedidas.Olhar para a comissão técnica pode ser interessante, porque de lá saíram Vincent Kompany, Enzo Maresca, Mikel Arteta, cartas que estão fazendo sucesso nos dias atuais…
Outro nome interno é Oliver Reiss, técnico do sub-18, que comandou uma impressionante sequência de 21 vitórias consecutivas e conquistou o título da Premier League North da categoria. Ainda assim, assumir o lugar de Guardiola seria um salto gigantesco.
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