Um 5º Grand Slam de tênis na temporada? É o que quer o presidente da Federação Italiana de Tênis e Padel (FITP), Angelo Binaghi. Essa não é a primeira vez que o dirigente fala no assunto, voltando a tratar em entrevista ao jornal Liberal. Durante a conversa, Binaghi apontou três condições para que isso aconteça:
“Para existir um quinto Slam de forma definitiva, três condições precisam ser atendidas: o tênis italiano no topo, e isso já acontece; credibilidade internacional, com um italiano presidindo a ATP, caso de Andrea Gaudenzi; e um investimento estatal que seria sempre muito inferior ao feito para (a Olimpíada de Inverno em) Milão-Cortina.”
Angelo também afirma que o Roma Open vai passar por uma grande modernização. O esperado é que, a partir de 2028, os eventos sejam disputados em um complexo renovado, que tem a chance de terem cobertura. Isso traria a oportunidade de usar o local em diferentes períodos ao longo de uma temporada.

Tamanha mudança seria possível?
O tênis é um esporte de tradição e os todos os quatro Grand Slams são disputados há mais de 100 anos. Wimbledon é o mais antigo, com a primeira edição ocorrendo em 1877. US Open veio na sequência, em 1881, com Roland Garros iniciando 10 anos depois. Já o Australian Open é o mais ‘novo’, disputado pela primeira vez em 1905.
Se trata de competições tão tradicionais que mudanças não são feitas de forma constante. No início, a competição em Melbourne e Nova York aconteciam na grama, mudando para o piso duro em 1987 e 1974, respectivamente. Além disso, também chegou a ter uma modificação na ordem dentro de uma temporada.
Outra trocas, como regras do jogo, são sempre debatidas por um longo tempo. Foi o que aconteceu sobre a mudança na norma do tie break, por exemplo. Algo que deixa bem claro o aspecto tradicional dos Grand Slams é como Wimbledon ainda mantém sua antiga regra de roupa branca.
Dessa forma, é difícil acreditar que uma mudança tão grande como acrescentar um Grand Slam ao calendário seja feita. Ao mesmo tempo, vemos o tênis ‘se vendendo’ cada vez mais, com torneios na Arábia Saudita, por exemplo.

O tênis se vende e possibilita grande mudança
Uma criação de um 5º Grand Slam não vai acontecer nos próximos anos, isso é quase uma certeza. A questão nessa afirmação vem de que tudo está sendo apenas um desejo da Federação Italiana. Por enquanto, não houve qualquer debate sobre o assunto.
Pelo outro lado, estamos vendo as entidades que comandam o tênis ‘venderem’ o esporte. Tratando apenas pelo lado comercial e financeiro, está crescendo a onda de torneios onde não era comum. É o caso das competições na Arábia Saudita, com a criação de um Masters 1000 no país nos próximos anos.
Isso não tem sido uma novidade, apesar das diversas críticas feitas pelos fãs. E nada impede que o mesmo tipo de ação seja feita pela FITP. O ATP Finals já está confirmado na Itália até 2030, mostrando que a ATP entende o local como um ótimo negócio. Ainda é possível levar em consideração o sucesso de Jannik Sinner, algo que, independente de sua vontade, pode ajudar em tal mudança.
É claro, os Grand Slams são regulados pela ITF, só que isso não muda muito se resolverem pensar apenas no lado financeiro. Assim, não seria uma grande surpresa caso esse assunto realmente avance nos próximos anos e ocorra essa grande mudança na modalidade.
Foto: Sposito/FITP