O Chelsea chegou com o pé na porta nesta temporada, na presença de um elenco jovem e com ideias bem claras. Não é atoa que se apresentou como um dos principais times da Premier League, a questão é que, agora, estão começando a encontrar problemas dentro das quatro linhas. Mesmo sendo capazes de abrirem o placar, acabam sedendo a pressão, e não sustentando o nível, o que rende viradas para outros adversários, ou até empates inoportunos.
Nesta campanha do futebol inglês, nenhum time perdeu mais pontos em casa após abrir vantagem do que o Chelsea. Já são 11 pontos desperdiçados em Stamford Bridge e 13 no total, considerando jogos dentro e fora de casa. Para se ter uma ideia do impacto disso, essa soma equivale exatamente à distância que separa os Blues do líder Arsenal.
Ou seja: se o Chelsea conseguisse ser mais dominante e seguro na tentativa de manter os resultados, o cenário da temporada poderia ser completamente diferente. Em vez de uma equipe pressionada, estaríamos falando de um time firme na briga pelo topo da tabela, mas no caso, os Blues estão vendo Arsenal, Manchester City e Aston Villa partirem na frente.
Chelsea começa bem, mas não sustenta
O dado que mais chama atenção é a facilidade com que o Chelsea sai na frente. Em oito dos últimos nove jogos em casa, os Blues foram capazes de marcar o primeiro gol. Pressão alta, intensidade e posse de bola costumam funcionar bem no início das partidas, ainda mais quando se atuar no futebol inglês com um elenco de tanta qualidade.
Entretanto, o Chelsea não tem o costume de segurar as pontas, e quando isso acontece, perde o controle emocional e tático, essa questão acaba ficando visível. O próprio Enzo Maresca admitiu que isso não é coincidência. Em entrevista à BBC Sport, o treinador foi direto ao ponto: quando algo se repete tantas vezes, não pode ser tratado como acaso. Segundo ele, o time sofre um gol e automaticamente cai de rendimento.
Essa fragilidade mental e estratégica tem custado caro, especialmente em jogos grandes ou equilibrados.
Chelsea e as substituições sob suspeita
Um dos principais alvos de crítica da torcida do Chelsea são as substituições de Maresca. A derrota por 2 a 1 para o Aston Villa escancarou esse ponto. Enquanto Unai Emery mexeu no time e mudou completamente o jogo, com Ollie Watkins saindo do banco para marcar dois gols, as alterações do Chelsea praticamente não surtiram efeito.
A substituição de Cole Palmer, principal jogador do time, aos 72 minutos, causou revolta. O atacante saiu claramente irritado, e a reação acabou tomando conta das redes sociais. A troca de Marc Cucurella também foi questionada, embora depois o clube tenha confirmado que o lateral sentiu um incômodo muscular, amenizando um pouco as pedras jogadas no treinador italiano.
Não foi um caso isolado. Em outras partidas importantes da temporada, como contra Manchester United e Brighton, o Chelsea caiu muito de produção no segundo tempo após as mudanças. Até adversários já perceberam isso. Charles De Ketelaere, do Atalanta, afirmou que o Chelsea “desce de nível” depois do intervalo, e é difícil encontrar algo pior do que um adversário ter nítida certeza sobre um defeito seu.
Chelsea, juventude e falta de experiência
Mas a culpa é só do treinador? Aqui entra o famoso dilema do ovo e da galinha. O Chelsea tem um elenco extremamente jovem. O time titular tem média de 24 anos, e o banco de reservas pouco mais de 21, ambos os números mais baixos da Premier League.
Contra o Aston Villa, isso ficou evidente. Enquanto os reservas do Villa tinham média de idade superior a 26 anos, o Chelsea colocou em campo jovens como Estevão, Jamie Gittens, Liam Delap e Malo Gusto. Talento existe, mas experiência pesa, especialmente quando o jogo fica tenso. Podem se tratar de atletas do mais alto nível, só que é difícil esse ponto chamar atenção sempre dentro das quatro linhas, tem certas situações que o caldo engrossa.
Os números mostram que os substitutos do Chelsea quase não decidem, poucas vezes conseguem mudar o roteiro para um final feliz. Na Premier League, os suplentes contribuíram com apenas três gols e uma assistência durante toda a temporada. Para um time que quer vaga na Champions League, é muito pouco.
Chelsea, rotação extrema e pressão interna
A política do clube também influencia diretamente esse cenário. O Chelsea é incentivado a rodar o elenco constantemente. Nenhum time fez mais mudanças no time titular em todas as competições: já são 146 alterações. A ideia é desenvolver jovens talentos, mas isso cobra um preço em regularidade. Sem esquecer também do fato de terem vários compromissos, o campeonato nacional, as copas do país e os eventos internacionais, como é o caso da Champions League.
O próprio Maresca já deixou claro que alguns jogadores ainda não estão prontos para assumir protagonismo. Andrey Santos, por exemplo, não está no mesmo nível de Caicedo. Ainda assim, o treinador precisa usar o elenco que tem, mesmo em momentos decisivos.
Nos bastidores, o clima também não é dos melhores. Após a vitória sobre o Everton, Maresca falou sobre ter vivido suas “piores 48 horas” no clube, declaração interpretada como um recado à diretoria. Apesar disso, ele garante estar confiante no projeto e reforça que a classificação para a Champions League é o objetivo mínimo, algo que já foi conquistado na última temporada, logo, o próximo passo precisa aparecer.
Chelsea e o sinal de alerta na tabela
A situação do Chelsea começa a exigir atenção. O time caiu para quinto lugar, foi ultrapassado pelo Liverpool e pode ser puxado para o meio da tabela. A distância para o 15º colocado, curiosamente o Bournemouth, é de apenas sete pontos, algo que chama atenção pelo fato dos Blues terem se apresentado muito bem nesta campanha, mas a queda de rendimento chegou…
O desempenho em casa preocupa ainda mais. O Chelsea já perdeu três jogos em Stamford Bridge nesta temporada, o mesmo número de toda a campanha passada, e ainda não conseguiu vencer duas partidas seguidas como mandante.
Para completar, o departamento médico segue cheio. Cucurella é dúvida, Hato continua fora, Palmer e Reece James serão avaliados jogo a jogo. A boa notícia é Wesley Fofana, já recuperado e apenas poupado no último compromisso.
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