Rosenior Chelsea
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Por que o Chelsea apostou no “inovador” e promissor Liam Rosenior?

O Chelsea adora surpreender e esse ponto já foi possível de ser visto na demissão de Enzo Maresca. Quando todo mundo esperava um nome mais “pronto”, mais midiático ou com currículo recheado de taças, o clube de Stamford Bridge resolveu olhar para dentro de casa ou melhor, para a França e apostar em Liam Rosenior. Menos de dois anos após ser demitido pelo Hull City, o inglês de 41 anos foi anunciado como novo técnico dos Blues. Sim, rápido assim. E está longe de ser por acaso, existe um belo trabalho por trás…

Rosenior chega com o rótulo de “inovador”, alguém que estaria “indo direto para o topo”. Mas por que o Chelsea decidiu novamente caminhar com um treinador relativamente inexperiente para um cargo tão pesado quanto o de comandante no futebol mais exigente do mundo? A resposta passa múltiplas conversar, como por exemplo filosofia, estrutura, relações antigas e, claro, contexto político dentro do clube.

Um nome conhecido nos bastidores do Chelsea

Apesar de parecer uma escolha ousada, Rosenior não é exatamente um estranho para quem manda no Chelsea. Ele conhece Paul Winstanley e Laurence Stewart, os co-diretores esportivos há mais de 15 anos, desde os tempos em que jogava pelo Brighton. Sam Jewell, diretor de recrutamento global do clube, também trabalhou diretamente com ele quando Rosenior iniciou sua carreira como treinador nas categorias de base do Brighton.

Além disso, durante sua passagem por Hull City, Rosenior teve contato com Stewart, que atuava como analista no clube. Ou seja: quando o Chelsea fala em “encaixe perfeito”, não está exagerando. Ele conhece a casa, entende o modelo e, principalmente, sabe como funcionam as engrenagens do projeto esportivo atual. Entretanto, está caindo num local complicado, mas pelo menos, tem uma ótima segurança com o seu contrato até 2032.

No último verão europeu, durante o Mundial de Clubes, Rosenior viajou aos Estados Unidos com Marc Keller, presidente do Strasbourg, clube francês que pertence ao mesmo grupo do Chelsea. Lá, encontrou-se com Todd Boehly e Behdad Eghbali. Desde então, seu nome passou a circular como um sucessor natural de Enzo Maresca, embora a troca no meio da temporada não estivesse nos planos iniciais, muito longe deles no caso.

Continuidade acima de tudo

Se tem algo que o Chelsea valoriza neste momento é coerência (mesmo que o torcedor não sinta isso). Rosenior joga com posse de bola, intensidade e pressão alta, conceitos bem parecidos com os de Maresca. A ideia era manter uma linha de trabalho contínua, sem grandes rupturas, estamos falando de um projeto longevo, e esse principal ponto se vê no modelo de contratações dos jovens talentos.

Outro ponto que pesa a favor do novo treinador é sua forma de comunicação. Pessoas próximas afirmam que Rosenior tem um perfil mais empático, algo que ele mesmo atribui à influência da mãe, Karen, que é assistente social. Em um elenco jovem, cheio de talentos em formação e egos em construção, isso pode fazer toda a diferença, apesar de distante, mas um cenário semelhante ao vivido por ele na França.

E, apesar das críticas sobre “falta de experiência”, os números contam outra história: Rosenior já comandou 153 jogos como técnico profissional, somando Hull e Strasbourg. Maresca, quando assumiu o Chelsea em 2024, tinha apenas 67 partidas no currículo como treinador principal, mesmo com o bônus de ter sido auxiliar de Pep Guardiola.

O projeto jovem (de novo)

Se Maresca ficou marcado por escalar o time mais jovem da Premier League, Rosenior não foge desse DNA. No Strasbourg, ele comandou o elenco mais jovem entre as cinco grandes ligas europeias, com média de idade de apenas 21,47 anos. Para a diretoria do Chelsea, isso não é coincidência: é alinhamento. Dá para dizer que a equipe francesa é uma extensão das categorias de base dos Blues…

A missão é clara, desenvolver jovens, valorizá-los e, no melhor dos cenários, transformá-los em protagonistas. Um exemplo disso é Emmanuel Emegha, atacante que evoluiu sob o comando de Rosenior e já tem acerto encaminhado para se juntar ao Chelsea na próxima temporada. Não foi da mesma forma, porém, a realidade foi semelhante a de Andrey Santos, só que o brasileiro estava emprestado a Ligue 1.

No Campeonato Francês, o treinador levou o Strasbourg a um histórico sétimo lugar, garantindo vaga na Conference League e igualando campanhas raras do clube desde 1981. Em sua primeira temporada, o time chegou a brigar por Champions League. Nada mal para alguém considerado “cru”, certo?

Críticas, protestos e o rótulo de “yes man”

Claro que nem tudo são flores. O Chelsea vive um momento de tensão com parte da torcida, que já protesta contra os donos e até canta o nome de Roman Abramovich, algo impensável há alguns anos. Nesse clima, a contratação de Rosenior foi vista por alguns como a chegada de mais um técnico “obediente”.

Pat Nevin, ex-jogador do clube, chegou a dizer que o Chelsea buscava alguém “jovem e fácil de manipular”. A diretoria, por sua vez, nega qualquer ideia de “fantoche” e defende que Rosenior foi escolhido por competência, não por submissão.

Além do aspecto esportivo, a chegada de Rosenior tem um peso simbólico enorme. Ele se torna o primeiro técnico negro britânico da história do Chelsea, um clube que conviveu com graves episódios de racismo até o fim dos anos 1990. Paul Canoville, primeiro jogador negro dos Blues, resumiu bem o momento: é histórico, emocionante, mas agora o mais importante é dar respaldo para que o novo treinador trabalhe.

Rosenior chega sob pressão, com desconfiança externa e grandes expectativas internas. Não é um nome “galáctico”, mas talvez seja exatamente isso que o Chelsea quer: alguém que entenda o projeto, aposte nos jovens e não tente reinventar o clube a cada seis meses. Se vai dar certo? Ninguém sabe. Mas uma coisa é certa: o Chelsea não está apostando no improviso. Está apostando em um plano. E, no futebol moderno, isso já é quase revolucionário.

Vamos ver como as coisas se desencadearam nos próximos episódios.