Gabriel Santos
Futebol Brasileirão Copa Sul-Americana

Santos: Cuca precisa escalar pelo presente e não pelo passado do elenco

O torcedor do Santos já entendeu uma coisa faz tempo: nome não ganha jogo. História não entra em campo. E, principalmente, currículo não corre atrás de atacante. Ainda assim, o que se vê em campo muitas vezes é um time montado mais pela “reputação” do que pelo momento atual.

E é aí que entra o ponto principal do Santos: Cuca precisa olhar mais para o presente do que para o passado do elenco.

É uma realidade que vem batendo na porta rodada após rodada. O Santos de Cuca tem insistido em jogadores que, hoje, não entregam o nível necessário, seja por questão física, técnica ou simplesmente pelo momento não ser dos melhores. E enquanto isso, peças mais jovens ou em melhor momento seguem esperando oportunidade no banco, ficando para trás ao serem colocadas contra medalhões.

O problema da “zona de conforto”

Vamos direto ao ponto: insistir em nomes como Zé Ivaldo, Thaciano, Willian Arão, Rony, Tomás Rincón, João Schmidt, Mayke e Zé Rafael não tem feito sentido dentro de campo, seja com Neymar entre os onze titulares, ou sem.

E não é nem questão de “esses caras não prestam”. Não é isso. Todos têm carreira, já foram importantes em outros momentos, alguns até decisivos, possuem um belo currículo, contra esse fator não tem como ir numa caminho contra. Mas futebol é momento, e hoje, muitos deles não estão no melhor nível.

O resultado? Um time previsível, lento em alguns setores e que sofre para competir em intensidade. Em um Brasileirão cada vez mais físico e dinâmico, isso cobra seu preço, principalmente com o crescimento de alguns nomes da base, atletas que já deram alguns flashes, andam sendo escanteados, seja pelo o que apresentam nos treinos, ou pelas escolhas de Cuca.

Oportunidade ignorada: tem gente pedindo passagem

Enquanto isso, nomes como Bontempo, Gustavo Henrique, Moisés, Benjamín Rollheiser e Gabigol aparecem como alternativas mais interessantes, seja por energia, por momento técnico ou simplesmente por oferecer algo diferente.

Rollheiser, por exemplo, é aquele tipo de jogador que quebra linha, que tenta algo diferente,chegou com status no Peixe, mas ainda não conseguiu entregar tudo o que se espera dele. O Santos acaba precisando disso, um camisa 10 com mais qualidade e potência ainda. Precisa de criatividade, de imprevisibilidade.

Já Gabigol dispensa apresentações. Mesmo vivendo altos e baixos recentemente, é um cara que decide jogo. E mais: tem personalidade, chama responsabilidade. Em um time que às vezes parece “morno”, isso faz falta, sem contar que é um 9 que pode quebrar um galho como 10, mesmo faltando intensidade para ele.

Moisés e Gustavo Henrique podem trazer mais intensidade e consistência, enquanto Bontempo representa justamente o que o torcedor quer ver: renovação, fome, vontade de mostrar serviço, não é de hoje que o povo santista clama pela aparição mais frequente do jovem meio-campista.

Experiência x desempenho: onde está o equilíbrio?

Claro que não dá pra montar um time só com jovens ou só com apostas. Experiência é fundamental. Ter jogadores rodados em campo ajuda, principalmente em momentos de pressão, algo que o Santos tem vivido bastante nos tempos atuais.

Mas o problema do Santos hoje não é ter experiência, é o fato de depender dela mesmo quando ela não está entregando.

O equilíbrio ideal passa por mesclar. Manter alguns nomes mais experientes, sim, mas dar espaço real e não simbólico para quem está pedindo passagem. Não adianta colocar o jovem faltando 10 minutos e depois dizer que “não aproveitou a chance”, dando brecha para ele ser queimado pela torcida.

Cuca precisa ajustar a leitura do elenco

Cuca é um treinador experiente, ninguém discute isso. Já mostrou diversas vezes que sabe montar times competitivos. Mas, neste momento, parece preso a uma ideia mais conservadora. Talvez por confiar demais em jogadores com quem já trabalhou. Talvez por buscar segurança em nomes conhecidos. Só que o futebol atual não permite esse tipo de conforto.

O Santos precisa de decisões mais corajosas. Precisa de um treinador que olhe para o treino e escale quem está melhor, independentemente do nome, da história ou do salário. Porque o momento atual não é agradável, e se não houverem mudanças, o pior pode acontecer com a equipe paulista.

Se nada mudar, o cenário é preocupante. O Santos corre o risco de se tornar um time previsível, facilmente neutralizado pelos adversários. E no Brasileirão, isso é fatal. A diferença entre brigar na parte de cima ou sofrer lá embaixo muitas vezes está nesses detalhes.

Insistir em jogadores fora de forma pode custar pontos. E pontos, no fim da temporada, fazem toda a diferença.

A boa notícia? Ainda dá tempo de ajustar. O elenco tem opções. Tem juventude. Tem talento. Mas precisa de espaço. Cuca precisa entender que o Santos de hoje não pode viver do que alguns jogadores foram no passado. O futebol é imediato, é agora.

E se quiser evitar mais pressão e talvez algo pior ao longo da temporada, o caminho é claro:

escalar quem entrega hoje, não quem já entregou ontem.

Crédito: Divulgação / Santos