Grêmio não encontra caminho para o bom futebol; Luís Castro pode tirar mais desse elenco?
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Grêmio não encontra caminho para o bom futebol; Luís Castro pode tirar mais desse elenco?

O Grêmio vive um momento de estagnação preocupante. Mesmo com a vitória por 1 a 0 sobre o Deportivo Riestra pela Sul-Americana, o time apresentou um futebol truncado, previsível e com pouca capacidade de criar situações claras de gol. Luís Castro foi obrigado a mexer no intervalo para buscar uma reação, e o gol de Amuzu veio mais por intervenção tática do que por superioridade natural. 

Com 82% de posse de bola, o Tricolor criou muito pouco contra um bloco baixo e organizado. Esse cenário tem se repetido com frequência e levanta uma questão central: Luís Castro está conseguindo extrair o máximo desse elenco?

O próprio treinador admitiu o problema após a partida. “Pecamos claramente em identificarmos os espaços”, disse Castro. Ele destacou a dificuldade de perfurar defesas fechadas e reconheceu que o volume de jogo não se transformou em chances reais. 

Mais do que isso, Castro tocou em um ponto delicado: a falta de confiança do grupo. O Grêmio vinha de cinco jogos sem vitória e entrou em campo carregando insegurança. Sem vitórias, a confiança não volta, e o ciclo vicioso se alimenta.

Um trabalho que ainda patina sob o comando de Luís Castro

Desde que chegou ao Grêmio, Luís Castro tem tentado implantar uma ideia de jogo mais organizada, com posse de bola e pressão alta. No entanto, o time ainda não conseguiu ser consistente. No Brasileirão, o Grêmio ocupa apenas a 12ª posição, com apenas três vitórias em 11 jogos. A vitória contra o Riestra foi importante para a Sul-Americana, mas não esconde as limitações atuais: falta criatividade no último terço, os atacantes estão isolados e o meio-campo tem dificuldade para encontrar passes verticais.

É possível cobrar mais do elenco? Sim. No Botafogo, Luís Castro pegou um time que já tinha qualidade individual interessante e conseguiu transformá-lo em uma equipe competitiva, com identidade clara e bons resultados. O Fogão tinha peças mais maduras e um elenco mais equilibrado, é verdade, mas Castro soube potencializar o que havia disponível, organizando o sistema e melhorando o aproveitamento coletivo. No Grêmio, o material humano também permite mais. O time conta com nomes experientes e jovens promissores, mas o rendimento coletivo está abaixo do esperado.

A falta de confiança citada pelo próprio treinador é o grande entrave. Quando um elenco não acredita no processo, as ideias táticas demoram mais para serem assimiladas. O Grêmio tem mostrado volume de jogo, mas pouca eficiência. Contra times que se fecham, o Tricolor patina e depende de momentos individuais ou de ajustes pontuais no intervalo, como aconteceu contra o Riestra.

Gremio de Luís Castro pode fazer mais

Luís Castro tem demonstrado capacidade de leitura de jogo e coragem para mudar durante as partidas. No entanto, o problema parece mais profundo: é preciso reconstruir a confiança do grupo e melhorar a tomada de decisão no terço final. O time precisa ser mais vertical, encontrar melhores opções de passe entre as linhas e dar mais suporte aos atacantes.

O próximo compromisso contra o Cruzeiro, no Mineirão, será mais um teste importante. 

O Grêmio não pode se dar ao luxo de oscilar tanto. Se quiser brigar por posições melhores no Brasileirão e avançar na Sul-Americana, o elenco precisa mostrar mais intensidade, melhor execução e, principalmente, acreditar no trabalho que está sendo proposto.

Castro já provou no Botafogo que sabe tirar o melhor de um grupo, mesmo quando o elenco não é dos mais estrelados. No Grêmio, o desafio é semelhante, mas com uma pressão maior da torcida e da tabela. O treinador tem ferramentas para fazer o time render mais. Resta saber se o elenco vai responder à altura e se a confiança perdida poderá ser recuperada a tempo.

O Grêmio tem potencial para entregar muito mais do que vem apresentando. O bom futebol ainda não apareceu de forma consistente, e Luís Castro precisa encontrar o caminho para destravar esse time. Caso contrário, a temporada pode terminar com mais frustração do que conquistas.

Foto: Lucas Uebel/Gremio FBPA