O Brasileirão costuma mostrar todo ano que tradição, camisa e história não bastam quando o desempenho dentro de campo não é bom o suficiente. Neste cenário, Vasco, Internacional e Santos são clubes que iniciaram a edição de 2026 sob grande ameaça e podem seguir lutando contra o rebaixamento até o final do torneio.
Atualmente, as três equipes aparecem fora do Z4, possuindo 13 pontos após 11 partidas disputadas. Porém, não se engane: o ano será muito longo. Ainda que estejam em situação semelhante à de outros gigantes na tabela, como Grêmio e Corinthians, o trio preocupa suas torcidas, com indícios de um possível sofrimento até a rodada final.
Inter sofre no Brasileirão com problemas já conhecidos
O Internacional iniciou o Brasileirão assustando a torcida colorada. Após escapar do rebaixamento na última rodada em 2025, na atual edição do torneio o clube só conquistou sua primeira vitória no sétimo jogo, batendo o Santos na Vila Belmiro.
A largada, com apenas dois pontos conquistados em seis jogos, foi um aviso de que os problemas da temporada passada não haviam sido superados. Embora, em parte desses jogos, o Colorado tenha apresentado um desempenho interessante sob o comando de Paulo Pezzolano, a fragilidade defensiva e a incapacidade de vencer partidas ligaram o sinal de alerta no Beira-Rio.
Após o susto inicial, as vitórias contra o Santos, fora de casa, e Chapecoense, diante de sua torcida, trouxeram um pouco de tranquilidade ao clube. Atualmente, o Colorado atravessa uma sequência de cinco rodadas sem perder, contabilizando também uma vitória fora de casa sobre o Corinthians e empates com São Paulo e Grêmio no Beira-Rio.
Porém, apesar da sequência invicta, o cenário não é de grande tranquilidade. O Internacional de 2026 é basicamente o mesmo de 2025, com a diferença de que agora o clube não conta mais com Vitão, que foi seu principal zagueiro na luta contra o rebaixamento. Dessa forma, o Inter chega em 2026 com um setor defensivo, que já era um de seus grandes problemas, ainda mais fragilizado.
Além disso, problemas como a ineficiência de Rafael Borré seguem atormentando a torcida colorada. Também é importante destacar que o desempenho no Beira-Rio é insuficiente. Derrotado no próprio estádio por Athletico-PR, Palmeiras e Bahia, o Internacional venceu apenas a Chapecoense diante de sua torcida nesta edição do Brasileirão.
Até aqui, nos jogos em seus domínios, o clube acumula três derrotas, dois empates e uma única vitória. Em um ano que pode ser marcado novamente pela luta contra o rebaixamento no Brasileirão, o Internacional sofrerá caso tenha dificuldade de transformar sua casa em trunfo para pontuar. O time estará em desvantagem contra outras equipes que também não passam por um bom momento, mas ao menos usam suas casas como fortaleza na luta contra a crise.
Santos depende de Neymar no Brasileirão
O Santos é outro clube grande que pode ter mais um ano conturbado, após ter escapado da queda apenas no final do último Campeonato Brasileiro. Enquanto deposita suas esperanças de crescimento em Gabigol e Neymar, o time, aos poucos, percebe que talvez os dois grandes destaques do seu elenco não sejam suficientes para evitar um rebaixamento em 2026.
Assim como o Internacional, o Santos vê a ameaça da queda pelo segundo ano consecutivo, o que muitas vezes não termina bem. Em uma competição como o Brasileirão, sabemos que a “perna pesa” mais para os clubes de grande expressão em situações de risco. Parece mais complicado tirar um gigante da lama do que equipes que já encaram a luta contra o Z4 como algo mais natural.
Neste cenário, o Santos levanta dúvidas sobre sua capacidade de se manter na elite desde o início de 2026. Já em janeiro, o Peixe deu indícios de que sofreria ao longo da temporada. A equipe precisou de seis jogos para alcançar sua primeira vitória. Além disso, o desempenho na primeira fase do Campeonato Paulista foi assustador.
Em determinado momento, acreditou-se que o time nem sequer chegaria ao mata-mata da competição. E a classificação aconteceu no limite. O Santos ficou com a oitava posição da primeira fase, com 12 pontos conquistados, garantindo a última vaga para a fase seguinte. No entanto, o que veio depois confirmou o momento ruim. O Peixe não foi capaz de passar das quartas de final do torneio estadual, sendo batido pelo Novorizontino por 2 a 1.
No Brasileirão, após passar algumas rodadas na zona de rebaixamento, a equipe ocupa a 15ª posição da tabela, com 13 pontos somados. No entanto, o desempenho não traz a certeza de que o time conseguirá se manter fora da Z4. Em meio a exibições ruins no Brasileirão, a Sul-Americana também surge como mais uma demonstração de que o elenco é insuficiente.
Após duas rodadas, o Peixe ocupa a última posição do Grupo D do torneio continental, após ser derrotado pelo Deportivo Cuenca e empatar com os reservas do Deportivo Recoleta na Vila Belmiro.
A situação do Santos se torna mais alarmante quando percebemos o quanto o clube depende de Neymar. O grande problema, neste caso, é que o camisa 10 claramente já não é o mesmo que um dia foi capaz de levar o Peixe a grandes glórias, como os títulos da Copa do Brasil e da Libertadores. O histórico recente do atleta, inclusive, indica que o time nem sequer poderá contar com sua presença em muitos jogos, enquanto Neymar luta para superar problemas físicos. Dessa forma, o cenário não é nada animador para o Peixe no restante do Brasileirão.
Vasco sente falta de Coutinho e luta para encontrar soluções no Brasileirão
Completando o trio de gigantes que podem continuar sob ameaça até o final do Brasileirão, temos o Vasco. Equipe que recentemente escolheu Renato Gaúcho para ser o seu “salvador” na temporada e tenta embalar sob o comando do técnico.
E, assim como Internacional e Santos, o Vasco também sofreu na última temporada. Em 2025, apesar de ser finalista da Copa do Brasil, o Gigante da Colina encerrou o Brasileirão na 14ª posição, com 45 pontos, no limite do “número mágico” para escapar da queda. O Ceará, primeiro clube na zona de rebaixamento, encerrou o torneio com 43 pontos. Ou seja, apenas dois pontos separaram o Vasco do seu quinto rebaixamento.
Se o roteiro de 2025 já é suficiente para assustar a torcida vascaína, os primeiros meses de 2026 não ajudam a trazer tranquilidade. A chegada de Renato Gaúcho chegou a surtir efeito e fez o torcedor cruzmaltino ao menos acreditar, minimamente, que as coisas poderiam melhorar. Porém, os resultados recentes jogaram o Vasco novamente para a sua dura realidade.
Após três vitórias e um empate nos primeiros quatro jogos sob o comando de Renato Gaúcho, o Gigante da Colina agora atravessa uma sequência negativa. Já são cinco jogos sem vencer, com esse período sendo marcado por tropeços contra adversários de menor expressão.
Após um empate contra o Coritiba e uma derrota para o Botafogo, o Cruzmaltino engatou uma sequência realmente preocupante, empatando com Barracas Central e Remo, além de ser batido pelo Audax Italiano. Com isso, a equipe voltou a ser fortemente pressionada, com Renato Gaúcho encarando sua primeira crise neste retorno ao clube.
O mais preocupante para o Vasco é que agora surgem dúvidas sobre o quanto o time terá condições de encontrar um fator novo. A chegada do novo comandante deveria ser justamente esse fator; no entanto, o efeito não durou mais do que um curto período. Agora, mesmo com o peso da figura de Renato Gaúcho, o clube se mostra incapaz de vencer adversários que não deveriam causar tantos problemas. Qual outro trunfo o Vasco tem para mudar essa situação?
A falta de recursos no elenco também reforça a ideia de que o Vasco não conseguirá evitar a briga contra a queda no Brasileirão. Neste ponto, a saída de Philippe Coutinho ilustra perfeitamente a insuficiência do grupo. Há mais de dois meses de sua saída do clube, o meio-campista continua sendo um dos artilheiros do Vasco na temporada. Com três gols em 2026, Coutinho está igualado com Thiago Mendes, Barros, Brenner e Puma Rodríguez, atletas que atuaram mais vezes que o ex-jogador do Cruzmaltino.
Era evidente que nenhuma peça do elenco estaria à altura de substituir a saída de um jogador do calibre de Coutinho. No entanto, os meses que sucederam sua despedida comprovaram que a situação pode ser ainda pior. O Vasco não apenas é incapaz de substituir o jogador, como também não consegue encontrar uma forma de ao menos minimizar os impactos de sua ausência no meio-campo.
Sem nomes que possam chamar a responsabilidade em momentos decisivos do Brasileirão, o Vasco terá que encontrar soluções que, aparentemente, não existem em seu grupo.
Créditos da foto de capa: Raul Baretta/Santos/Divulgação.