Durante um dia de filmagens em Silverstone, a Red Bull revelou, entre outras mudanças aerodinâmicas, sua própria interpretação do conceito de asa traseira “Macarena”, introduzido pela Ferrari. Embora semelhantes, a abordagem da equipe austríaca é mais conservadora e se diferencia da versão italiana.
O conceito inovador ainda não foi utilizado em corridas da Fórmula 1, embora o plano da Ferrari fosse estreá-lo em Xangai. Após ser testada brevemente na pré-temporada, a escuderia implementou a asa no primeiro treino livre do GP da China, mas voltou à configuração padrão para o restante do fim de semana. Na ocasião, Lewis Hamilton admitiu que a equipe se apressou e ainda precisa evoluir no desenvolvimento da asa “Macarena”.
Entenda as diferenças entre Red Bull e Ferrari

Embora partam do mesmo princípio aerodinâmico, as soluções adotadas por Red Bull e Ferrari para a asa traseira seguem caminhos bastante diferentes, tanto na execução quanto na filosofia.
A equipe italiana desenvolveu um sistema com dois atuadores escondidos nas endplates para girar completamente o flap superior, acima de 200 graus de rotação. Isso potencializa a redução de arrasto nas retas, mas, em contrapartida, exige reforços estruturais e um longo processo de validação, o que explica a cautela na introdução nos fins de semana de corrida.
Já a Red Bull foi por um caminho mais conservador. A equipe manteve o atuador central tradicional do RB22 e adaptou apenas os pontos de fixação do flap, permitindo uma rotação parcial, na faixa de 110 a 120 graus.
Um ponto importante está nas consequências aerodinâmicas. Ao preservar o atuador central, a Red Bull tende a gerar mais arrasto e turbulência em comparação com a Ferrari — caso o conceito da escuderia seja bem-sucedido. Por outro lado, o time austríaco ganha em confiabilidade e rapidez de implementação, por se tratar de uma evolução da ideia já conhecida no DRS e agora no modo reta.
Ou seja, enquanto a Ferrari pode demorar a implementar a asa “Macarena” de forma definitiva nas corridas, a Red Bull tende a ter que gastar menos tempo aprimorando o conceito, que ainda é inovador, embora menos revolucionário. Mas, claro, por ora, isso permanece no campo da especulação.
Além da sua interpretação da asa “Macarena”, a Red Bull também trouxe sidepods significativamente diferentes, aletas no halo e modificações na asa dianteira. O conjunto geral está sendo chamado de “RB22 2.0” e surge como uma tentativa urgente de salvar a equipe de uma temporada fracassada, após três corridas fora sequer do top 5. A expectativa é de que isso pode trazer cerca de 10 km/h a mais nas retas para Max Verstappen e Isack Hadjar.
(Foto principal: Reprodução/Racing News 365)



