O ano era 2009. A Fórmula 1 entrava em um novo regulamento técnico e, apesar do prestígio das grandes equipes, foi uma novata que ficou com o troféu: a Brawn GP. O projeto, que durou apenas um ano, nasceu da compra da equipe Honda pelo ex-engenheiro da Ferrari, Ross Brawn, pelo valor simbólico de uma libra (cerca de três reais na cotação da época). A equipe entrou para a história da categoria, e seu impacto ecoa até hoje no paddock.
Na época, graças a uma brecha no regulamento explorada pela Brawn, que adotou o difusor duplo, Jenson Button venceu seis das primeiras sete corridas e precisou apenas administrar a vantagem para conquistar o único título mundial de sua carreira. Seu companheiro, o brasileiro Rubens Barrichello, venceu duas vezes.
Como a Brawn conquistou o mundo e desapareceu em apenas um ano
Antes da compra por Ross Brawn, a Honda havia feito um investimento altíssimo no novo regulamento que estava por vir. Cerca de 800 milhões de dólares foram destinados ao desenvolvimento do carro. Porém, a crise financeira que afetou não só a marca japonesa, mas todo o mercado entre 2007 e 2008 interrompeu o projeto. Brawn adquiriu a estrutura praticamente de graça e batizou o novo time com seu sobrenome.
A brecha encontrada no difusor duplo proporcionava uma vantagem aerodinâmica significativa, e os motores Mercedes foram suficientes para a Brawn dominar a primeira metade do ano. O carro era bem-nascido, mas, com orçamento limitado, manter a competitividade ao longo de 2009 seria um desafio.
As rivais, obviamente, protestaram contra o artifício, mas a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) atestou sua legalidade e, com o andamento da temporada, outras equipes passaram a adotar a mesma solução.
As seis vitórias na primeira metade deram boa vantagem a Button, que, após o GP da Turquia, subiu ao pódio apenas duas vezes — o suficiente para conquistar seu primeiro e único título de pilotos.

Em novembro do mesmo ano, a Mercedes anunciou a compra do espólio da Brawn e confirmou seu retorno à Fórmula 1 após 55 anos de ausência. O negócio girou em torno de 175 milhões de dólares e se mostrou acertado, já que a fabricante se consolidou como a maior força dominante da história do Mundial após cinco anos.
Brawn, que saiu muito bem financeiramente da empreitada, permaneceu como chefe da nova equipe por quatro temporadas, até ser sucedido por Toto Wolff. Em 2017, ele retornou a um cargo de poder na categoria, atuando como diretor de automobilismo e diretor técnico da FOM (Formula One Group), funções que exerceu até 2022.
Última vitória brasileira na Fórmula 1 veio pela Brawn
O triunfo de Rubens Barrichello nos GPs da Europa (em Valência) e da Itália, em 2009, marcou o último grande momento do Brasil na categoria até hoje. A última delas foi a 101ª na história do país. Para muitos, aquela temporada foi a mais próxima que o automobilismo brasileiro esteve de retornar ao topo da Fórmula 1. O piloto, então com 37 anos, foi o terceiro colocado, com 77 pontos, contra 95 de Button, mas chegou à penúltima etapa, em Interlagos, com chances matemáticas de título.

Barrichello atribui a derrota à configuração de freios usada pelo companheiro durante a primeira metade da temporada. Ele afirma que, após adotar os de fibra de carbono (usados por Button), conseguiu fazer frente ao inglês. Embora o exercício do “e se” sempre permaneça na mente do público brasileiro, o resultado já estava consolidado. Em 2010, o paulista assinou com a Williams, onde permaneceu por duas temporadas até se aposentar (embora aquela não fosse sua vontade naquele momento).
Desde então, o Brasil acumulou pódios e uma última pole position – na Áustria, em 2014 – com Felipe Massa, mas sem repetir o feito de subir ao lugar mais alto do pódio. Após a saída de Barrichello, passaram pela categoria nomes como Bruno Senna (sobrinho de Ayrton), Felipe Nasr, Pietro Fittipaldi e o atual representante brasileiro, Gabriel Bortoleto.
(Foto principal: Reprodução/Globo)


