Coritiba comemora gol contra Bahia
Futebol Brasileirão

Coritiba tem choque de realidade contra o Flamengo, mas segue como uma das boas histórias do Brasileirão

O Coritiba encerrou a primeira parte da temporada com uma derrota para o Flamengo no Maracanã. O resultado, por si só, não surpreende ninguém. Afinal, perder para um dos elencos mais caros da América do Sul, dentro de um dos estádios mais difíceis do país, está longe de ser algo fora da curva. Ainda assim, a partida serviu como uma espécie de choque de realidade para o Coxa.

Mas calma. Choque de realidade não significa desastre.

Existe uma diferença enorme entre perceber suas limitações e descobrir que não é capaz de competir. O Coritiba saiu do Rio de Janeiro derrotado, mas não menor do que entrou. Pelo contrário. A campanha construída até aqui continua sendo uma das mais interessantes de todo o Brasileirão e a pausa chega em um momento importante para que o clube reflita sobre seus próximos passos.

O grande desafio agora é entender o que fazer para transformar uma boa campanha em uma campanha histórica. Porque o sonho da Libertadores já não parece tão distante quanto parecia alguns meses atrás.

O trabalho de Seabra mudou o patamar do Coritiba

Quando a temporada começou, poucos colocavam o Coritiba entre os candidatos a frequentar a parte de cima da tabela. O objetivo inicial era simples: fazer um campeonato seguro, longe dos sustos da zona de rebaixamento e consolidar um projeto competitivo para os próximos anos.

Só que o futebol adora surpreender.

Sob o comando de Fernando Seabra, o Coxa começou a apresentar uma identidade muito clara. A equipe passou a competir bem, encontrou equilíbrio entre defesa e ataque e, principalmente, deixou de ser um time que apenas reage aos adversários para se tornar uma equipe capaz de propor jogos.

Os resultados apareceram naturalmente.

Vitórias importantes, crescimento na tabela e uma confiança que foi sendo construída rodada após rodada colocaram o Coritiba em uma situação que poucos imaginavam. O clube passou a ser visto não apenas como uma equipe organizada, mas como uma possível candidata a disputar vaga em competições continentais.

A vitória sobre o Bahia, por exemplo, mostrou muito da personalidade construída por esse grupo. O time demonstrou capacidade de reação, competitividade e maturidade para buscar resultados mesmo em cenários complicados.

Por isso, reduzir toda a campanha a uma derrota para o Flamengo seria extremamente injusto.

O adversário do último fim de semana está em uma realidade financeira completamente diferente. Mesmo utilizando uma equipe considerada mista, o Flamengo possui jogadores que seriam titulares em praticamente qualquer clube do futebol brasileiro. E isso fez diferença.

A derrota mostrou onde o Coritiba precisa crescer

O jogo no Maracanã serviu para evidenciar algo que muitos já imaginavam. O Coritiba tem um time competitivo, mas ainda não possui um elenco capaz de manter o mesmo nível quando enfrenta adversários que conseguem decidir partidas através da qualidade individual.

Durante boa parte da temporada, a organização coletiva compensou essa diferença. Contra equipes de investimento semelhante ou até superior, o Coxa encontrou maneiras de equilibrar os confrontos através da intensidade, da disciplina tática e da eficiência. Mas quando o nível sobe para um patamar como o do Flamengo, algumas lacunas ficam mais visíveis.

Isso não é uma crítica ao trabalho realizado. Muito pelo contrário. É um sinal de evolução.

Afinal, um time só descobre exatamente o que precisa melhorar quando começa a enfrentar desafios maiores. O Coritiba passou boa parte dos últimos anos tentando se afastar da luta contra o rebaixamento. Agora, a discussão é outra.

A pergunta já não é mais como sobreviver. A pergunta é como chegar ainda mais longe.

A janela pode definir o tamanho do sonho do Coritiba
Se existe uma mensagem importante deixada pelo confronto contra o Flamengo, ela envolve diretamente a próxima janela de transferências.

O Coritiba precisa de reforços.

Não porque o elenco seja ruim ou insuficiente para permanecer na Série A. Pelo contrário. O grupo já provou ter qualidade suficiente para competir em alto nível dentro do Brasileirão. A questão é que a realidade mudou.

Quando um time começa a frequentar o G4, o G5 ou a brigar por vagas na Libertadores, as exigências aumentam. Jogos decisivos aparecem, lesões pesam mais e a profundidade do elenco passa a fazer enorme diferença. É justamente nesse ponto que a diretoria precisa agir.

Não se trata de fazer loucuras financeiras ou abandonar o planejamento responsável que vem sendo adotado. O caminho parece ser o de buscar reforços pontuais, atletas capazes de elevar o nível técnico da equipe sem comprometer a saúde econômica do clube. Porque o cenário é extremamente favorável.

O Coritiba chega à pausa com confiança, uma identidade de jogo consolidada e um treinador que conseguiu extrair o máximo de diversas peças do elenco. Não existe clima de pressão ou necessidade de reconstrução.

Existe, sim, uma oportunidade. Uma oportunidade rara de transformar uma temporada que já é positiva em algo ainda maior.

A derrota para o Flamengo mostrou que ainda existe uma distância entre o Coxa e os principais candidatos ao título do Brasileirão. Mas também deixou claro que essa distância não é intransponível. O choque de realidade aconteceu. E talvez ele fosse até necessário.

Agora cabe ao Coritiba decidir o que fazer com essa informação. Aceitar que já está fazendo mais do que o esperado ou utilizar a pausa e a janela de transferências para dar um passo adiante.

Se optar pelo segundo caminho, a briga por uma vaga na Libertadores pode deixar de ser apenas um sonho otimista para se tornar um objetivo perfeitamente possível na reta final da temporada.

Foto: Gustavo Oliveira/Coritiba