A final da Copa do Mundo pode representar muito mais do que o segundo título mundial da história da Espanha. Para Rodri, a decisão diante da Argentina também oferece a oportunidade de entrar definitivamente para a história do futebol mundial. Caso a seleção espanhola levante a taça, o volante completará um feito alcançado por apenas dez jogadores: conquistar a Copa do Mundo, a UEFA Champions League e a Bola de Ouro durante a carreira.
O volante chega à decisão em um dos melhores momentos desde que retornou aos gramados. Depois de uma temporada marcada por problemas físicos que limitaram seu desempenho, Rodri utilizou a Copa do Mundo para recuperar o melhor futebol. Sua evolução foi visível ao longo da competição. Após uma estreia sem grande destaque, o camisa 16 cresceu a cada partida e teve sua atuação mais dominante justamente na semifinal contra a França, controlando o meio-campo e sendo um dos principais responsáveis pela classificação espanhola.
Além da importância coletiva, o momento pode colocar seu nome ao lado de alguns dos maiores jogadores da história do esporte.
A Trilogia que apenas dez jogadores conseguiram completar

Ganhar uma Copa do Mundo já é um feito reservado para poucos atletas. Conquistar a UEFA Champions League também representa o auge do futebol de clubes. Somar essas duas conquistas à Bola de Ouro, prêmio concedido ao melhor jogador do mundo, transforma qualquer carreira em algo histórico.
Até hoje, apenas dez jogadores conseguiram reunir esses três títulos.
O primeiro deles foi Bobby Charlton. O ídolo inglês conquistou a Copa do Mundo de 1966, recebeu a Bola de Ouro no mesmo ano e completou a Trilogia em 1968, quando levou o Manchester United ao seu primeiro título europeu. A conquista teve um significado ainda maior por acontecer apenas dez anos após a Tragédia de Munique, acidente aéreo que marcou profundamente a história do clube inglês.
Na década seguinte, dois alemães ampliaram essa lista.
Gerd Muller venceu a Bola de Ouro em 1970 após uma Copa do Mundo brilhante no México. Quatro anos depois, conquistou tanto o Mundial disputado na Alemanha quanto a UEFA Champions League pelo Bayern de Munique.
Seu companheiro Franz Beckenbauer também completou a Trilogia. Considerado um dos maiores defensores da história, conquistou a Bola de Ouro em 1972 e, dois anos mais tarde, levantou simultaneamente a Copa do Mundo e a principal competição europeia de clubes.
Outro nome marcante dessa lista é Paolo Rossi.
Depois de cumprir dois anos de suspensão por envolvimento em um escândalo de apostas, o atacante retornou justamente para liderar a Itália ao título mundial em 1982. Além de ser decisivo na campanha italiana, ainda conquistou a Bola de Ouro no mesmo ano. Em 1985, venceu a Champions League com a Juventus e entrou para esse seleto grupo.
Já Zinedine Zidane escreveu seu nome entre os maiores ao vencer a Copa do Mundo e a Bola de Ouro em 1998, antes de conquistar a Champions League pelo Real Madrid em 2002 com um dos gols mais emblemáticos da história das finais da competição.
A lista também conta com três brasileiros.
Rivaldo foi o primeiro jogador não europeu a completar a Trilogia. Recebeu a Bola de Ouro em 1999 defendendo o Barcelona, conquistou a Copa do Mundo de 2002 com a Seleção Brasileira e, no ano seguinte, venceu a Champions League pelo Milan.
Ronaldinho Gaúcho repetiu o feito ao combinar o título mundial de 2002, a Bola de Ouro de 2005 e a conquista europeia pelo Barcelona em 2006.
Pouco tempo depois, Kaká também entrou para esse grupo. Campeão do mundo em 2002, liderou o Milan na campanha da Champions League de 2007 e recebeu a Bola de Ouro após uma das temporadas mais brilhantes de sua carreira.
Nos últimos anos, Lionel Messi também completou essa coleção de títulos.
Depois de conquistar quatro Champions League e acumular oito Bolas de Ouro, o argentino finalmente levantou a Copa do Mundo em 2022, encerrando qualquer discussão sobre a ausência do principal troféu de seleções em sua carreira.
O décimo integrante dessa lista é Ousmane Dembélé. Campeão mundial pela França em 2018, o atacante acrescentou à sua trajetória a Champions League e a Bola de Ouro de 2025.
Rodri chega à final vivendo seu melhor momento na Copa

Se existe um jogador que simboliza a evolução da Espanha durante esta Copa do Mundo, esse atleta é Rodri.
O volante não iniciou o torneio em sua melhor forma. A temporada foi marcada por problemas físicos que impediram uma sequência maior de jogos e levantaram dúvidas sobre sua condição para liderar o meio-campo espanhol.
Entretanto, à medida que a competição avançou, o camisa 16 voltou a apresentar exatamente as características que o transformaram em um dos melhores jogadores do mundo.
Sua capacidade de controlar o ritmo das partidas, recuperar bolas, distribuir o jogo e proteger o sistema defensivo tornou-se fundamental para a campanha da Espanha.
Na semifinal contra a França, essa influência ficou ainda mais evidente.
Enquanto o ataque francês, formado por nomes como Kylian Mbappé, Ousmane Dembélé e Michael Olise, encontrava enorme dificuldade para criar oportunidades, Rodri comandava o setor central ao lado de Fabián Ruiz, vencendo duelos, interceptando passes e reduzindo os espaços para a equipe adversária.
A atuação foi considerada por muitos analistas uma das melhores de um volante nesta Copa do Mundo e serviu como uma lembrança do motivo que levou o espanhol a conquistar a Bola de Ouro.
Agora, falta apenas um passo.
Caso a Espanha vença a Argentina na decisão, Rodri não apenas ajudará sua seleção a conquistar o segundo Mundial da história, como também alcançará um dos feitos mais exclusivos do futebol.
Entrar para um grupo composto por Bobby Charlton, Beckenbauer, Gerd Muller, Paolo Rossi, Zidane, Rivaldo, Ronaldinho, Kaká, Messi e Dembélé representa muito mais do que adicionar um título ao currículo. Significa fazer parte de uma lista reservada apenas aos jogadores que conseguiram dominar o futebol tanto no cenário de clubes quanto nas competições de seleções e ainda serem reconhecidos como os melhores do mundo em sua geração.
Se a Espanha confirmar o favoritismo na final, Rodri deixará de ser apenas um dos protagonistas desta Copa do Mundo para entrar definitivamente no grupo das maiores lendas da história do esporte.


