Lando Norris deixou o GP da Bélgica com a sensação de que um resultado muito melhor escapou por detalhes. Depois de mostrar um ritmo competitivo durante todo o fim de semana, o piloto da McLaren acredita que a equipe tornou sua corrida mais complicada do que precisava ser.
Uma decisão tomada durante o período de Virtual Safety Car (VSC), somada a um pit stop lento e à punição no grid, pode ter tirado do britânico não apenas um lugar no pódio, mas também a chance de disputar a vitória. Embora tenha cruzado a linha de chegada apenas na sétima posição, diversos momentos da corrida indicam que o resultado poderia ter sido completamente diferente.
Punição no grid mudou completamente a corrida de Norris
A classificação havia sido extremamente positiva para Lando Norris. O britânico marcou uma excelente volta logo na primeira tentativa do Q3, chegou a ocupar provisoriamente a pole position e, mesmo sem melhorar na última saída, garantiu o terceiro melhor tempo.
Na prática, porém, esse terceiro lugar nunca existiu. Por causa da troca de um componente do motor que havia apresentado falha anteriormente na temporada, Norris recebeu uma punição de dez posições no grid e precisou largar apenas em 13º.
A McLaren optou estrategicamente por cumprir essa penalização em Spa-Francorchamps por considerar que o circuito oferece boas oportunidades de ultrapassagem. O problema é que a equipe não esperava que seu carro fosse tão competitivo na Bélgica, especialmente depois do desempenho abaixo das expectativas em Silverstone. Quando percebeu que um pódio era uma possibilidade real, já era tarde para voltar atrás na decisão.
Estratégia parecia funcionar até a entrada do Virtual Safety Car
Mesmo largando apenas em 13º, Norris fez uma excelente primeira volta e rapidamente ganhou três posições. Utilizando pneus duros, o plano da McLaren era prolongar o primeiro stint, abrir vantagem sobre os pilotos do meio do grid e depois aproveitar pneus médios mais rápidos no fim da corrida. A estratégia vinha funcionando.
Na volta 12, Norris já ocupava a sexta colocação e havia alcançado o grupo dos líderes. Foi então que surgiu o momento decisivo da prova. Na volta 20, o Virtual Safety Car foi acionado, permitindo que quatro dos principais adversários realizassem suas paradas com perda mínima de tempo. A McLaren avaliou que ainda era cedo para colocar os pneus médios e decidiu manter Norris na pista. A decisão acabou mudando completamente o rumo da corrida.
Pit stop lento aumentou ainda mais o prejuízo
Quando finalmente realizou sua parada, dez voltas depois do VSC, Norris enfrentou um novo problema. Uma dificuldade na troca da roda traseira esquerda fez o carro permanecer parado muito mais tempo do que o previsto. Enquanto uma parada semelhante de Oscar Piastri levou pouco mais de dois segundos, a de Norris durou 7,8 segundos.
Em vez de voltar à pista em condições de atacar os primeiros colocados, o britânico retornou apenas na oitava posição, preso novamente no tráfego. Apesar do bom ritmo apresentado com pneus médios, ele precisou gastar tempo ultrapassando carros do pelotão intermediário e terminou apenas em sétimo lugar, último entre os líderes. Após a corrida, o próprio piloto resumiu a situação. “Acho que não poderíamos ter tornado nossa corrida mais difícil hoje. O ritmo era suficiente para um pódio ou até para vencer.”
Parada durante o VSC poderia ter colocado Norris no pódio
Somente a diferença entre o pit stop de Norris e o de Piastri representou cerca de cinco segundos perdidos. No entanto, a maior oportunidade desperdiçada foi não aproveitar o Virtual Safety Car. Em Spa-Francorchamps, uma parada durante o VSC normalmente reduz em aproximadamente 7,5 segundos o tempo perdido nos boxes.
Caso Norris tivesse realizado sua troca de pneus naquele momento, a projeção indica que ele terminaria a corrida pouco mais de dois décimos de segundo à frente de Max Verstappen, garantindo justamente a terceira posição, o lugar que havia conquistado originalmente na classificação antes da punição.
Naquele momento da corrida, a McLaren ainda tinha poucas informações sobre o comportamento dos pneus médios. A equipe não conseguiu completar uma simulação representativa de corrida durante o segundo treino livre porque uma bandeira vermelha interrompeu a sessão.
Além disso, Oscar Piastri não servia como referência, já que seu carro havia sofrido danos aerodinâmicos após um incidente com Charles Leclerc. Mesmo assim, outros pilotos mostravam que o desgaste dos pneus médios era menor do que o esperado graças às temperaturas mais baixas registradas no fim de semana.
O ritmo da McLaren mostrava que Norris poderia até disputar a vitória
Depois de colocar os pneus médios, Norris demonstrou um ritmo superior ao de vários adversários. Ele era mais rápido que Piastri e Verstappen e também registrava velocidades maiores nas retas, o que aumentava suas chances de ultrapassagem. Caso tivesse parado durante o Virtual Safety Car, Norris retornaria à pista logo atrás do companheiro de equipe e próximo de Verstappen, com pneus mais novos e ritmo suficiente para superar ambos.
A partir daí, teria pela frente Charles Leclerc e Kimi Antonelli. Na comparação entre os stints finais, Norris girava, em média, meio segundo por volta mais rápido que Antonelli e cerca de oito décimos mais veloz que Leclerc durante as primeiras voltas após a parada. Embora fosse impossível prever exatamente como os pneus se comportariam até o fim da corrida, o desempenho apresentado pelo britânico reforça sua avaliação de que o pódio era uma possibilidade concreta.
O próprio Norris reconheceu que sua corrida foi marcada por obstáculos desde antes da largada, mas preferiu destacar o lado positivo. “Minha corrida foi muito difícil hoje. Mas o ritmo era muito forte, então ainda há aspectos positivos.”
A combinação entre a punição no grid, a decisão de não aproveitar o Virtual Safety Car e um pit stop muito mais lento do que o planejado acabou transformando uma corrida com potencial de pódio em um sétimo lugar, deixando a McLaren com a sensação de que desperdiçou uma grande oportunidade na Bélgica.
(Foto: CNN)



