A França vai começar um novo capítulo de sua história. Depois de cinco anos longe da beira do campo, Zinedine Zidane está de volta ao futebol. A Federação Francesa convocou uma coletiva para a próxima terça-feira (28) para apresentar oficialmente o ex-treinador do Real Madrid como novo comandante da seleção nacional, encerrando uma longa espera que parecia inevitável desde sua saída do clube espanhol.
A chegada de Zidane marca o fim da era Didier Deschamps, técnico que comandou os Bleus durante 14 anos e construiu um dos ciclos mais vitoriosos da história da seleção. Agora, o desafio passa para as mãos de um dos maiores ídolos do futebol francês, que terá a missão de recolocar a equipe no topo após uma Copa do Mundo de 2026 frustrante.
Se existia um casamento que parecia questão de tempo no futebol internacional, era esse. Zidane sempre sonhou em dirigir a França, enquanto a seleção aguardava o momento ideal para entregar o projeto ao campeão mundial de 1998.
Deschamps encerra ciclo histórico na seleção francesa
Poucos treinadores permaneceram tanto tempo à frente de uma seleção quanto Didier Deschamps. Desde que assumiu o comando, em 2012, ele transformou a França em presença constante entre as principais potências do futebol mundial.
Os números ajudam a explicar esse legado. Em quatro edições da Copa do Mundo, a França chegou pelo menos às semifinais em três delas. Conquistou o título na Rússia, em 2018, foi vice-campeã no Catar, em 2022, e agora terminou entre os quatro melhores novamente na Copa de 2026.
Mesmo assim, a despedida passou longe do roteiro ideal.
Depois da eliminação para a Espanha nas semifinais, os franceses ainda sofreram uma goleada por 6 a 0 para a Inglaterra na disputa do terceiro lugar. O resultado aumentou as críticas ao desempenho da equipe e reforçou a sensação de que o ciclo de Deschamps havia chegado ao fim.
O treinador deixa um legado difícil de igualar, mas também abre espaço para uma mudança de perfil dentro da seleção.
Zidane volta a trabalhar depois de cinco anos
Desde sua saída do Real Madrid, em 2021, Zidane recusou diversas propostas para voltar ao futebol.
Clubes milionários, seleções e projetos ambiciosos surgiram ao longo desses anos, mas o ex-meia nunca escondeu que tinha um objetivo muito claro: assumir a seleção francesa quando surgisse a oportunidade.
Agora, esse momento finalmente chegou.
Sua trajetória como treinador impressiona mesmo com poucos anos de carreira. No comando do Real Madrid, conquistou três títulos consecutivos da Liga dos Campeões, um feito que nenhum outro técnico conseguiu repetir na era moderna da competição.
Além disso, levantou duas edições de LaLiga, duas Supercopas da Espanha, duas Supercopas da UEFA e dois Mundiais de Clubes, consolidando seu nome também entre os grandes treinadores do futebol mundial.
Curiosamente, Zidane retorna à profissão exatamente cinco anos depois de deixar o Santiago Bernabéu. O período afastado nunca significou aposentadoria, mas sim paciência para esperar a oportunidade que realmente desejava.
Mbappé finalmente será comandado por Zidane
Um dos aspectos mais curiosos dessa nova fase envolve Kylian Mbappé.
Os dois mantêm uma relação de admiração há muitos anos. Ainda adolescente, quando tinha apenas 13 anos, Mbappé participou de um período de testes em Valdebebas após ser observado por pessoas ligadas ao Real Madrid, entre elas o próprio Zidane.
Mais tarde, já como treinador da equipe merengue, o francês também demonstrou interesse em contar com o atacante e chegou a defender sua contratação em diferentes momentos.
O destino, porém, adiou esse encontro.
Agora, será justamente na seleção francesa que treinador e jogador trabalharão juntos pela primeira vez.
Mbappé nunca escondeu que Zidane foi uma de suas maiores referências desde a infância. Em diversas entrevistas, o atacante destacou a influência do ex-camisa 10 e a importância de sua trajetória para o futebol francês.
A expectativa é que essa relação facilite a transição para o novo ciclo da seleção.
Uma França que ainda continua forte
Apesar da decepção na Copa do Mundo, a França segue possuindo um dos elencos mais talentosos do futebol internacional.
Além de Mbappé, a equipe conta com jogadores experientes e jovens que já atuam em alto nível nas principais ligas da Europa. A renovação iniciada nos últimos anos permite que Zidane encontre uma base competitiva praticamente pronta.
Seu principal trabalho será reorganizar o aspecto coletivo e devolver à equipe um futebol mais dominante, algo que muitos torcedores sentiram falta durante parte da reta final do trabalho de Deschamps.
Naturalmente, as comparações entre os dois treinadores serão inevitáveis.
Enquanto Deschamps construiu uma França extremamente eficiente e pragmática, Zidane costuma apostar em maior liberdade ofensiva e gestão muito próxima do elenco, características que marcaram suas passagens pelo Real Madrid.
Expectativa é de uma nova era para os Bleus
A apresentação oficial de Zidane na França representa muito mais do que uma simples troca de treinador.
Ela simboliza a passagem de bastão entre dois dos maiores nomes da história do futebol francês. De um lado, Deschamps encerra um trabalho histórico que colocou a França entre as maiores seleções do planeta durante mais de uma década. Do outro, Zidane assume carregando a responsabilidade de manter esse nível de competitividade e transformar o enorme talento disponível em novos títulos.
Poucos treinadores iniciam um projeto cercados por tanta expectativa. Afinal, trata-se de um campeão mundial como jogador, multicampeão como técnico e um dos maiores ídolos da história do país.
Agora, resta saber se o “efeito Zidane” será suficiente para fazer a França reencontrar o caminho das grandes conquistas. Se depender da empolgação dos torcedores franceses, a nova era já começou antes mesmo do primeiro treino.
Foto: Gerard Julien / AFP

