O Aston Villa vive um daqueles momentos que todo clube em ascensão conhece bem. Depois de finalmente quebrar um jejum de 30 anos sem títulos com a conquista da Liga Europa e garantir vaga na próxima Liga dos Campeões, a equipe agora precisa provar que consegue permanecer entre os protagonistas da Premier League mesmo após perder peças importantes do elenco.
E é justamente aí que entra Unai Emery. O treinador espanhol já fez um “milagre” quando assumiu um time que brigava contra a parte de baixo da tabela e o transformou em presença constante no G-4 inglês. Agora, terá uma missão diferente, mas igualmente complicada: reconstruir o elenco sem perder competitividade.
Se da primeira vez Emery precisou levantar um time desacreditado, agora ele terá de mostrar que também sabe reinventar uma equipe vencedora.
Aston Villa perdeu protagonistas da última temporada
As mudanças começaram cedo no mercado de transferências.
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O Aston Villa negociou Morgan Rogers com o Chelsea por impressionantes 117 milhões de libras, tornando a transferência a maior já realizada envolvendo um jogador inglês. Poucos dias antes, Youri Tielemans acertou sua ida para o Manchester United, enquanto Lucas Digne ficou muito próximo de reforçar o Paris Saint-Germain.
Como se isso não bastasse, o Arsenal ainda acompanha de perto a situação de Ezri Konsa, o que mantém a diretoria em alerta para uma possível nova baixa.
Na prática, o Aston Villa perdeu jogadores que representavam quase 500 partidas de Premier League somadas pelo elenco, além de dois atletas que balançaram as redes na final da Liga Europa.
Não é exatamente o cenário que qualquer treinador gostaria de encontrar no início de uma temporada.
Emery conhece esse tipo de desafio
Se existe alguém capaz de lidar com mudanças profundas, esse alguém é Unai Emery.
Quando chegou ao Villa Park, em novembro de 2022, encontrou uma equipe ocupando apenas a 14ª colocação da Premier League, muito próxima da zona de rebaixamento.
Pouco mais de três anos depois, o cenário é completamente diferente.
O Aston Villa disputará novamente a Liga dos Campeões e consolidou sua presença entre os principais clubes da Inglaterra. Tudo isso aconteceu mesmo com limitações financeiras que obrigaram o clube a vender jogadores importantes em diferentes janelas de transferência.
A gestão do elenco virou praticamente uma marca registrada do treinador espanhol.
Em vez de reclamar das perdas, Emery costuma adaptar rapidamente sua equipe às novas circunstâncias.
Restrições financeiras continuam influenciando o planejamento
O sucesso dentro de campo não significa liberdade total no mercado.
O Aston Villa continua convivendo com as regras financeiras impostas pela Uefa, especialmente a chamada Squad Cost Ratio, que limita os gastos com salários, transferências e comissões de empresários a 70% da receita do clube.
Foi justamente por isso que a venda de Morgan Rogers acabou se tornando praticamente inevitável.
Além do enorme retorno financeiro, a negociação ajuda o clube a equilibrar as contas antes de pensar em novas contratações.
A consequência é clara: dificilmente o Villa fará investimentos extravagantes para substituir todas as peças que saíram. A estratégia será buscar jogadores que ofereçam rendimento imediato sem comprometer a saúde financeira do projeto.
Reforços indicam mudança de perfil
Mesmo sem gastar como alguns rivais da Premier League, o Aston Villa já começou sua renovação.
Uma das principais apostas é Johan Manzambi, jovem destaque do Freiburg e eleito o melhor jogador jovem da última Liga Europa. O suíço chega cercado de expectativa e representa uma contratação pensada para o presente e também para o futuro.
Outro nome importante é João Gomes.
O volante brasileiro deixou o Wolverhampton após se consolidar como um dos melhores marcadores da Premier League. Na última temporada, terminou entre os líderes da competição em desarmes e recuperações de posse, números que explicam por que o Aston Villa acelerou sua contratação.
Sua chegada ganhou ainda mais importância após a grave lesão no joelho sofrida por Amadou Onana.
Diferentemente de outras apostas, João Gomes chega praticamente pronto para assumir a titularidade, trazendo experiência de mais de uma centena de jogos na elite inglesa.
Mercado ainda pode reservar novidades
A diretoria segue monitorando outras posições.
No ataque, Nicolas Jackson aparece como um nome interessante por já conhecer os métodos de Unai Emery desde os tempos de Villarreal. O problema é o valor pedido pelo Chelsea, considerado elevado para a realidade financeira do Aston Villa.
Na defesa, Pervis Estupiñán também desperta interesse para reforçar o lado esquerdo do sistema defensivo.
Além disso, o clube procura um novo ponta para ampliar as opções ofensivas e um lateral-direito versátil, capaz de atuar também como zagueiro quando necessário.
A ideia é montar um elenco mais profundo para enfrentar a maratona entre Premier League, Liga dos Campeões e copas nacionais.
Números mostram que o desafio será enorme
Embora o Aston Villa tenha terminado entre os quatro primeiros colocados da Premier League, algumas estatísticas mostram que repetir o feito será extremamente complicado.
Segundo os dados de pontos esperados (Expected Points), a equipe deveria ter terminado apenas na 12ª colocação da competição. Ou seja, conseguiu superar com folga aquilo que seu desempenho estatístico indicava ao longo da temporada.
Grande parte dessa campanha foi construída durante uma sequência impressionante entre setembro e dezembro, quando o Villa venceu 12 das 13 partidas disputadas na liga.
Depois da virada do ano, porém, o rendimento caiu consideravelmente.
Lesões importantes também contribuíram para essa queda. Boubacar Kamara encerrou a temporada mais cedo, John McGinn ficou afastado por dez partidas, enquanto Youri Tielemans perdeu cerca de dois meses por problemas no joelho.
A ausência do belga foi especialmente sentida. Sem ele, o aproveitamento do Aston Villa na Premier League caiu significativamente, evidenciando o peso que exercia no funcionamento coletivo da equipe.
Maior trunfo continua sentado no banco
O cenário para 2026/27 certamente será ainda mais competitivo.
Tottenham promete investir pesado para voltar à briga pelo topo, o Chelsea inicia um novo projeto sob o comando de Xabi Alonso, o Liverpool espera crescer com Andoni Iraola, enquanto o Manchester United tenta consolidar o trabalho de Michael Carrick.
Em meio a tantos concorrentes fortalecidos, o Aston Villa sabe que dificilmente terá vida fácil.
Ainda assim, existe um motivo para o torcedor manter o otimismo.
Enquanto muitos clubes depositam suas esperanças apenas em grandes contratações, o Villa continua tendo um dos treinadores mais respeitados da Europa. Unai Emery já mostrou que consegue potencializar elencos, recuperar jogadores e fazer equipes renderem acima das expectativas.
Agora, o espanhol terá pela frente mais um desafio daqueles que definem grandes técnicos. Se conseguir reconstruir novamente o Aston Villa e mantê-lo entre os protagonistas da Premier League, seu trabalho deixará de ser apenas uma ótima fase para entrar definitivamente na história do clube.
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