A vitória da McLaren no GP da Hungria pode ter mudado novamente o cenário da disputa pelo título da Fórmula 1 em 2026. Para Martin Brundle, ex-piloto e atual comentarista da Sky Sports F1, o campeonato está longe de estar decidido. A evolução apresentada pela equipe e a aproximação entre os principais candidatos fizeram o britânico acreditar que a segunda metade da temporada pode reservar uma disputa ainda mais equilibrada.
A McLaren chegou ao summer break com uma vitória importante no Hungaroring. O resultado foi o 14º triunfo da equipe no circuito húngaro e veio depois da introdução de um novo pacote de desenvolvimento. Para Brundle, o principal ponto a ser observado agora é se o ganho de desempenho apresentado na Hungria poderá ser repetido em diferentes tipos de pista.
Se a atualização funcionar tão bem em outros circuitos, a McLaren pode voltar ainda mais forte depois da pausa. E, com os quatro primeiros cada vez mais próximos, a disputa pelo campeonato pode sofrer novas mudanças nas próximas etapas.
McLaren pode ter encontrado a chave para a segunda metade
O desempenho da McLaren na Hungria chamou atenção principalmente pela capacidade do carro de responder às atualizações. A equipe vinha trabalhando para reduzir a distância para os rivais e conseguiu fechar a primeira metade da temporada com um resultado que pode ser importante para o restante do campeonato.
Brundle considera que o pacote introduzido pela equipe pode ter sido um ponto de virada. O problema é descobrir se a performance será igualmente forte em circuitos com características diferentes. Essa será uma das grandes perguntas para a retomada da temporada em Zandvoort. O circuito holandês apresenta desafios aerodinâmicos diferentes dos encontrados na Hungria e pode oferecer uma primeira indicação sobre a real força do novo McLaren.
Caso o carro mantenha o desempenho, a equipe pode voltar à briga pelo campeonato em uma posição muito mais confortável. “Se a McLaren conseguiu dar um bom passo com a atualização e isso funcionar bem em outros circuitos, com os quatro primeiros cada vez mais próximos, este campeonato está longe de terminar”, escreveu Brundle em sua coluna pós-corrida para a Sky Sports.
McLaren pode chegar perto mas ainda há muitos pontos em disputa
Outro fator destacado pelo ex-piloto é a quantidade de pontos que ainda pode ser conquistada. Considerando que todas as etapas restantes sejam realizadas, 291 pontos ainda estarão disponíveis na temporada. Isso significa que, apesar da vantagem construída por alguns pilotos na primeira metade do campeonato, ainda existe espaço suficiente para uma reviravolta.
Além das corridas tradicionais, o calendário também conta com provas Sprint, aumentando ainda mais a quantidade de pontos que podem alterar a classificação. A situação, porém, não é completamente garantida. A realização das etapas do Catar e de Abu Dhabi continua cercada de incertezas por causa do conflito no Oriente Médio.
A Fórmula 1 já precisou lidar com consequências semelhantes no início do ano, quando os GPs da Arábia Saudita e do Bahrein foram cancelados em abril.
Bahrein será levado para Sepang
Para evitar uma temporada ainda mais reduzida, a Fórmula 1 encontrou uma solução para o GP do Bahrein. A prova será transferida para o circuito de Sepang, na Malásia, e está programada para acontecer entre os dias 2 e 4 de outubro. O tradicional palco do GP da Malásia voltará, assim, a receber uma corrida de F1 pela primeira vez desde 2017.
Para Brundle, a decisão mostra a capacidade da categoria de reagir rapidamente diante de situações inesperadas. O britânico comparou a flexibilidade demonstrada agora com as soluções adotadas pela F1 durante a pandemia de Covid-19, quando o calendário precisou ser reconstruído em diversas ocasiões. “É o mesmo pensamento criativo e a mesma flexibilidade que a F1 e seus parceiros mostraram durante a pandemia, e eu aplaudo isso”, afirmou.
A mudança também representa o retorno de um circuito que é bastante querido pelos pilotos e fãs. Sepang é conhecido pelo traçado técnico, pelas altas temperaturas e pela possibilidade de condições climáticas instáveis.
Catar e Abu Dhabi ainda podem mudar o calendário
O principal ponto de interrogação agora está no fim da temporada. O Catar e Abu Dhabi permanecem sob risco caso a situação no Oriente Médio impeça a realização das provas. Por isso, a Fórmula 1 já trabalha com alternativas para evitar que o campeonato termine com menos corridas do que o planejado.
Segundo Brundle, a possibilidade de uma corrida substituta na Europa no fim de novembro ou início de dezembro é bastante concreta caso as duas etapas não possam acontecer. Isso criaria uma situação pouco comum para a categoria, com uma corrida europeia sendo realizada já no final do outono ou começo do inverno.
O britânico brincou que equipes e pilotos talvez precisassem preparar os carros para condições bem diferentes das encontradas normalmente no calendário europeu. “Talvez precisemos colocar faróis e limpadores de para-brisa nessa corrida, mas as equipes e os pilotos vão lidar com isso como sempre fazem”, comentou.
Zandvoort abre a segunda metade do campeonato
Enquanto as questões do calendário são discutidas nos bastidores, a Fórmula 1 já sabe onde a temporada será retomada. O campeonato volta entre 21 e 23 de agosto, com o GP da Holanda, em Zandvoort. A etapa será o primeiro grande teste para entender se a evolução apresentada pela McLaren na Hungria realmente representa uma mudança de patamar.
O circuito holandês também poderá ajudar a definir o equilíbrio entre as equipes que brigam pelo campeonato. Se a McLaren conseguir repetir o desempenho competitivo, a vitória em Budapeste deixará de ser apenas um resultado isolado e poderá se transformar em um sinal de que a equipe encontrou uma direção correta para o desenvolvimento do carro.
É justamente essa possibilidade que deixa Brundle otimista em relação ao campeonato. Com 291 pontos ainda disponíveis, novas atualizações chegando às equipes e uma disputa cada vez mais apertada na frente, a primeira metade da temporada pode ter sido apenas o começo.
A vitória da McLaren na Hungria, portanto, não encerrou a disputa. Pelo contrário: se o novo pacote realmente funcionar em diferentes circuitos, o resultado pode ter aberto mais uma frente na luta pelo título. Depois de um primeiro semestre marcado por mudanças constantes no equilíbrio de forças, a F1 volta do Summer Break com a certeza que tudo pode mudar nessa segunda metade da temporada.
Foto: (Reprodução/ Motor Sport Magazine)



