O Santos voltou a deixar uma atuação abaixo do esperado. Mesmo diante de um adversário mais fraco e com vantagem numérica durante boa parte da partida, o time paulista encontrou muitas dificuldades para construir jogadas e controlar o jogo. O desempenho coletivo esteve longe do ideal, repetindo problemas que já apareceram em outras partidas da temporada.
No Mangueirão, em Belém (PA), o Peixe enfrentou o Remo pelas oitavas de final da Copa do Brasil e jogou cerca de 70 minutos com um jogador a mais após a expulsão de um adversário. Ainda assim, o Santos teve dificuldades para transformar a superioridade em domínio dentro de campo. A equipe produziu pouco ofensivamente e voltou a sofrer em momentos que poderiam ter sido evitados.
Apesar da atuação sem brilho, a classificação para as quartas de final veio graças ao poder de decisão de atletas acostumados com jogos grandes. Na vitória por 1 a 0, o técnico Cuca precisou recorrer a nomes importantes que começaram no banco de reservas para mudar o cenário. Neymar foi decisivo ao vencer a disputa com Zé Welison na jogada do gol, enquanto Rony apareceu no lugar certo e na hora certa para empurrar a bola para as redes e garantir a classificação do Santos.
Santos ainda sofre com o fraco trabalho de Cuca
Os problemas apresentados pela equipe passam diretamente pelo desempenho coletivo. O Santos segue encontrando enormes dificuldades para superar adversários que atuam com linhas baixas e priorizam a defesa. A circulação de bola acontece de forma lenta, previsível e sem a movimentação necessária para criar espaços. Como consequência, o ataque depende quase sempre de um lance individual para encontrar soluções.
Na última terça-feira, no Mangueirão, o cenário foi exatamente esse. É verdade que o gramado não favorecia uma troca de passes rápida e dificultava um futebol mais dinâmico. Mesmo assim, as limitações ofensivas vão além das condições do campo. O trabalho desenvolvido por Cuca ainda não conseguiu criar mecanismos eficientes para aproximar os jogadores e tornar o setor ofensivo mais organizado.
A falta de conexão entre meio-campo e ataque faz com que as jogadas terminem em cruzamentos previsíveis ou tentativas individuais. Quando essas ações não funcionam, o Santos encontra enorme dificuldade para criar oportunidades claras de gol, mesmo contra equipes tecnicamente inferiores.
Os problemas também aparecem sem a bola. Mesmo atuando com um jogador a mais durante grande parte da partida, o Santos permitiu que o Remo criasse boas oportunidades. Gabriel Brazão precisou fazer importantes defesas, enquanto a equipe paraense ainda acertou a trave em duas oportunidades. Um sufoco desse tamanho deveria ser evitável diante da diferença técnica e financeira entre os dois elencos.
Qualidade do elenco mantém o torcedor esperançoso
Se o desempenho coletivo preocupa, a qualidade individual segue sendo o principal motivo para o torcedor acreditar em dias melhores. Além de jovens promissores, como Gabriel Bontempo e Robinho Júnior, o elenco conta com atletas experientes e acostumados a decidir partidas importantes.
Neymar naturalmente chama a maior atenção, mas não é o único. Gabigol, Rony e outros jogadores vencedores costumam aparecer justamente quando o cenário fica mais complicado. Foi isso que aconteceu contra o Remo. Quando o time pouco produzia coletivamente, a experiência e a qualidade técnica fizeram a diferença para garantir a vaga.
Neste momento da temporada, é justamente nessa força individual que o torcedor deposita suas esperanças. O elenco possui qualidade suficiente para apresentar um futebol melhor e não deveria fazer campanha tão preocupante na Série A do Campeonato Brasileiro. Atualmente, o Santos ocupa a 15ª colocação, com a mesma pontuação do Grêmio, equipe que abre a zona de rebaixamento.
Ao mesmo tempo, a presença de jogadores acostumados a grandes decisões mantém vivo o sonho nas Copas do Brasil e Sul-Americana. O futebol, porém, já mostrou inúmeras vezes que talento, sozinho, não garante títulos nem campanhas tranquilas. Cabe agora a Cuca e sua comissão técnica encontrarem soluções táticas para fazer o time evoluir coletivamente. A classificação alivia a pressão por alguns dias, mas uma eliminação diante do Remo certamente transformaria o ambiente em um verdadeiro caos.
Foto: Reprodução/Santos FC



