Nem sempre será possível jogar bem. Para equipes que pretendem brigar na parte de cima da tabela, porém, existe uma característica tão importante quanto apresentar um futebol vistoso: encontrar maneiras diferentes de vencer. O Santos parece estar começando a desenvolver exatamente essa capacidade.
Poucos dias depois da eliminação na Copa Sul-Americana, o Peixe respondeu rapidamente. A vitória por 2 a 1 sobre o Remo, no Mangueirão, não veio acompanhada de uma grande atuação, principalmente no primeiro tempo. Ainda assim, o time de Cuca soube sobreviver aos momentos ruins e utilizou a qualidade individual de seus principais jogadores para conquistar mais três pontos.
Gabigol foi novamente decisivo. Depois de perder um pênalti na eliminação para o Atlético-MG, o camisa 9 respondeu com gol e assistência para Rony. Uma atuação que simboliza bem o momento do Santos: talvez não seja necessário dominar durante 90 minutos quando existe qualidade suficiente para decidir nos momentos certos.
Santos não brilhou, mas encontrou soluções
O primeiro tempo contra o Remo esteve longe das melhores apresentações recentes do Santos. A equipe teve pouca criatividade e encontrou dificuldades para construir oportunidades claras. Foram apenas três finalizações, com Rony, Oliva e Gabriel Bontempo.
Mesmo assim, Cuca já conseguiu colocar em campo uma formação com mais alternativas. Arthur, que segundo o treinador não tinha condições físicas para iniciar a decisão contra o Atlético-MG, foi titular e permaneceu durante toda a partida. Oliva também voltou ao time desde o início.
A presença de Arthur oferece uma nova possibilidade para o meio-campo santista. Depois de uma janela com vários reforços, Cuca começa a ter mais opções para modificar a equipe sem necessariamente diminuir o nível técnico. Isso pode fazer bastante diferença na reta final do Brasileirão.
Foi depois do intervalo que o Santos conseguiu transformar essas peças em resultado. Rony, que já vinha buscando bastante o jogo, tabelou com Gabigol e marcou. Mais tarde, o camisa 9 apareceu novamente. Após desvio de Lucas Veríssimo, estava posicionado na frente da pequena área para marcar o gol da vitória.
Não foi um Santos dominante. Foi um Santos eficiente.
Gabigol muda o limite dessa equipe
Ter um jogador capaz de decidir partidas mesmo participando pouco delas é uma vantagem considerável. Gabigol fez exatamente isso contra o Remo.
O atacante não precisou controlar o jogo ou aparecer em todas as construções ofensivas. Quando teve participação direta nas jogadas realmente importantes, resolveu. Primeiro servindo Rony e depois aparecendo no lugar que se espera de um camisa 9 para definir a partida.
A resposta também ganha peso pelo que havia acontecido dias antes. O pênalti desperdiçado na Sul-Americana poderia ter deixado marcas, mas Gabigol não demonstrou qualquer abatimento no compromisso seguinte.
Esse poder de decisão aumenta as possibilidades do Santos. Em partidas nas quais a construção coletiva não funciona tão bem, jogadores como Gabigol podem compensar dificuldades e transformar jogos equilibrados em vitórias.
Só que existe um limite para depender desse tipo de solução. Para enfrentar adversários mais fortes e sustentar uma sequência até o fim do campeonato, o Santos também precisará recuperar o futebol apresentado em suas melhores atuações recentes. Eficiência ajuda a ganhar jogos ruins, mas não pode substituir completamente o funcionamento coletivo.
Sequência fora de casa mostra crescimento
Se a atuação contra o Remo não impressionou, a sequência de resultados começa a chamar bastante atenção. O Santos chegou à quarta vitória consecutiva como visitante no Campeonato Brasileiro, algo que não acontecia com o clube desde 1984.
Antes do triunfo no Mangueirão, o Peixe já havia vencido Vasco por 3 a 0, Corinthians por 1 a 0 e Internacional por 3 a 2 longe de casa. Considerando também os compromissos como mandante, são seis partidas de invencibilidade, com o empate diante do Mirassol e a vitória sobre o Cruzeiro.
Essa regularidade é importante porque mostra que a evolução não depende apenas da Vila Belmiro. O Santos está conseguindo competir e pontuar em diferentes cenários, característica fundamental para quem pretende subir na classificação.
O time chegou à oitava colocação e está sete pontos atrás do Fluminense, atual sexto colocado. O resultado das copas ainda pode influenciar diretamente a quantidade de vagas distribuídas pelo Campeonato Brasileiro, o que torna a reta final ainda mais interessante para o Peixe.
Libertadores pode deixar de ser apenas sonho
Cuca prefere diminuir a expectativa. O treinador afirmou que não pretende criar uma pressão interna pela classificação à Libertadores e reforçou que o Santos continuará pensando jogo a jogo.
O discurso faz sentido, principalmente depois do impacto causado pela eliminação na Sul-Americana. Transformar a Libertadores em obrigação agora poderia colocar uma pressão desnecessária sobre uma equipe que ainda está construindo sua melhor versão.
Dentro de campo, entretanto, o Santos começa a apresentar argumentos para olhar mais para cima. Há um elenco reforçado, jogadores decisivos, uma sequência de seis jogos sem perder e quatro vitórias consecutivas como visitante.
A distância de sete pontos para o sexto colocado ainda é relevante, mas existe campeonato suficiente para tentar diminuí-la. Além disso, o Santos ainda tem um jogo atrasado para disputar.
O próximo será justamente esse compromisso pendente: o clássico contra o São Paulo, no Morumbis, em 2 de outubro, pela 21ª rodada. Até lá, a Data Fifa dará a Cuca tempo para descansar o elenco e trabalhar.
Afinal, qual é o limite do Santos?
Talvez ainda seja cedo para encontrar uma resposta definitiva. O Santos mostrou contra o Remo que consegue vencer mesmo sem apresentar seu melhor futebol, e isso é uma característica importante para qualquer equipe que queira alcançar objetivos maiores.
Ao mesmo tempo, a partida também serviu de alerta. O primeiro tempo apresentou dificuldades de criação que podem custar caro diante de adversários capazes de aproveitar melhor os momentos de superioridade.
A diferença é que Cuca agora possui alternativas. Arthur aparece como uma peça importante, Oliva recuperou espaço, Rony respondeu com gol e Gabigol continua sendo o principal jogador capaz de decidir partidas.
O Santos saiu da Sul-Americana, mas não tem motivos para tratar o restante de 2026 apenas como cumprimento de tabela. O Brasileirão oferece um novo objetivo. Se a equipe conseguir juntar a eficiência apresentada contra o Remo com o bom futebol mostrado em partidas anteriores, a disputa por uma vaga na Libertadores pode deixar de ser uma possibilidade distante.
Por enquanto, Cuca prefere não criar expectativas. Dentro de campo, porém, o Santos começa a dar motivos para que elas apareçam.
(Foto: Rafael Costa / Santos FC.)



