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Automobilismo Fórmula 1

A Fórmula 1 em 2026 mudou tudo? Verstappen e Bortoleto explicam o novo desafio dos pilotos

Max Verstappen voltou a mostrar que não está nada satisfeito com algumas características da nova Fórmula 1. Desta vez, o tetracampeão mundial encontrou apoio em uma opinião de Gabriel Bortoleto, que apontou uma mudança importante provocada pelo regulamento de 2026: a capacidade de adaptação dos pilotos passou a ter um peso ainda maior, enquanto o chamado “estilo de pilotagem” perdeu parte de sua importância.

Verstappen, que há bastante tempo questiona a direção tomada pela categoria, concordou imediatamente com o brasileiro. Para o piloto da Red Bull, os competidores precisam deixar de lado preferências pessoais e se adaptar constantemente ao que o carro exige para ser rápido.

A mudança tem relação direta com os novos carros e, principalmente, com a maneira como a energia elétrica é utilizada durante uma volta. O gerenciamento da bateria alterou a forma como os pilotos atacam curvas, saídas e retas, criando situações em que uma mesma abordagem pode funcionar em um circuito e ser completamente inadequada em outro.

Verstappen apoia análise de Bortoleto

Verstappen foi questionado sobre os comentários de Bortoleto e não demorou para concordar com o piloto da Audi. O brasileiro havia explicado que, em 2026, os pilotos precisam se adaptar mais ao comportamento específico do carro e que isso acaba reduzindo a importância de manter um estilo de pilotagem rígido.

Para Verstappen, a lógica faz sentido. O holandês explicou que um piloto não pode simplesmente insistir em determinada maneira de conduzir o carro porque ela é a que considera mais natural. O objetivo, no fim das contas, precisa ser encontrar a forma mais rápida de extrair desempenho do equipamento disponível. Ele citou o circuito de Spa-Francorchamps como exemplo. Segundo Verstappen, insistir em um estilo específico de pilotagem naquele traçado poderia custar até meio segundo por volta.

É justamente esse tipo de situação que, na visão do tetracampeão, mostra como a atual geração de carros é diferente. Verstappen chegou a definir a Fórmula 1 de 2026 como uma espécie de “selva” em determinados momentos, tamanha a necessidade de adaptação exigida dos pilotos.

Apesar das críticas, o piloto da Red Bull fez uma ressalva importante: a capacidade de adaptação sempre foi fundamental no automobilismo. Para ele, isso não é algo exclusivo da nova geração da Fórmula 1. A diferença é que os carros de 2026 parecem levar essa característica a um nível ainda maior.

Bortoleto questiona até o termo “estilo de pilotagem”

Bortoleto, por sua vez, foi ainda mais específico ao explicar seu ponto de vista. O brasileiro afirmou que não acredita ter mudado significativamente sua maneira de pilotar desde a temporada passada. Para ele, o problema está justamente na ideia de que um piloto deveria ter um estilo fixo. Na visão do competidor da Audi, um piloto de Fórmula 1 precisa ser capaz de conduzir qualquer carro da maneira que ele exigir.

Por isso, Bortoleto afirmou que nem gosta muito do termo “estilo de pilotagem”. Para ele, um piloto não pode simplesmente dizer que determinado comportamento é sua característica e esperar que o carro se adapte a isso. É o piloto que precisa encontrar o caminho.

Essa característica ganha ainda mais importância porque Bortoleto teve apenas uma temporada completa com a geração anterior de carros. O próprio brasileiro reconhece que sua experiência de comparação é menor do que a de nomes como Verstappen ou Lewis Hamilton. Mesmo assim, ele mantém sua avaliação: a forma de pilotar pode mudar conforme as necessidades do carro, sem que isso signifique necessariamente uma transformação completa do piloto.

Bateria muda a maneira de atacar as curvas

Um dos principais motivos para essa necessidade de adaptação está no gerenciamento de energia. O regulamento de 2026 aumentou significativamente a importância da parte elétrica das unidades de potência. Como consequência, os pilotos precisam pensar não apenas em velocidade de entrada e saída de curva, mas também em como e onde a energia será utilizada ao longo da volta. Bortoleto explicou que isso pode alterar completamente a abordagem de uma curva.

Em determinadas situações, o piloto pode atacar mais agressivamente a entrada porque sabe que não haverá tanta energia disponível na saída. Em outras, precisa ser mais cuidadoso no momento de virar o carro porque uma longa reta vem logo depois e exigirá grande quantidade de energia. São pequenas decisões que podem fazer diferença no tempo de volta. E esse é um dos aspectos que diferenciam os carros atuais dos modelos utilizados até 2025.

Na geração anterior, o comportamento relacionado ao uso de energia era mais previsível. Agora, a gestão da bateria pode modificar a estratégia de uma curva para outra, dependendo do que vem pela frente. O piloto precisa estar constantemente pensando alguns segundos à frente.

O piloto que melhor se adapta pode levar vantagem

É justamente por isso que a declaração de Bortoleto chamou a atenção de Verstappen. Os dois estão descrevendo, de maneiras diferentes, uma mesma realidade: em 2026, não basta ser rápido. É preciso entender rapidamente o que o carro está pedindo.

Isso pode ser especialmente relevante em circuitos com características muito diferentes. Um acerto ou uma abordagem que funciona em uma pista de alta velocidade pode não funcionar em um traçado mais travado, enquanto a direção e a quantidade de energia utilizada podem mudar completamente de uma curva para outra.

Para Bortoleto, essa capacidade de adaptação faz parte do motivo pelo qual os pilotos chegaram à Fórmula 1. O brasileiro entende que os 22 competidores do grid precisam ser capazes de lidar com diferentes tipos de carros e condições. Afinal, não existe garantia de que o monoposto sempre terá o comportamento ideal para o estilo natural de determinado piloto.

Verstappen parece concordar. O tetracampeão pode ser um dos maiores críticos do regulamento atual, mas sua própria carreira mostra como a adaptação é importante. O holandês já precisou lidar com diferentes conceitos aerodinâmicos, pneus, unidades de potência e características de carros ao longo dos anos.

A diferença, agora, é que o regulamento tornou essa adaptação ainda mais complexa. Com a bateria desempenhando papel central no desempenho e a distribuição de energia mudando ao longo da volta, os pilotos precisam entender não apenas como fazer o carro virar mais rápido, mas também quando atacar, quando economizar e como preparar a próxima reta.

No fim, a conclusão de Verstappen e Bortoleto é bastante parecida: na Fórmula 1 de 2026, o piloto que se apegar demais ao próprio estilo pode ficar para trás. Quem conseguir entender rapidamente o que o carro exige terá uma vantagem importante. E, para Verstappen, essa nova realidade é justamente uma das características mais estranhas e desafiadoras da atual Fórmula 1.

Foto: (Reprodução/ Metrópoles)