Maurício Ruffy
Lutas UFC

Maurício Ruffy passará pelo teste mais duro da carreira no UFC 331, mas ele é necessário

Maurício Ruffy terá no UFC 331 o maior teste de sua carreira até agora. O brasileiro, décimo colocado no ranking dos leves, vai enfrentar Arman Tsarukyan, número 2 da categoria, em um confronto que pode mudar completamente seu patamar dentro do UFC. É uma oportunidade enorme para quem ainda está tentando entrar no grupo dos principais nomes da divisão, mas também é uma luta que carrega uma dúvida impossível de ignorar: será que Ruffy conseguirá suportar o melhor wrestler que poderia encontrar neste momento?

A pergunta ganha ainda mais força quando se olha para o que aconteceu com o brasileiro contra Benoît Saint Denis. Ruffy vinha construindo uma imagem de lutador extremamente perigoso na trocação, com nocautes impressionantes e apresentações que rapidamente fizeram seu nome crescer. Contra o francês, porém, as coisas saíram completamente do roteiro. O brasileiro teve enormes dificuldades quando Saint Denis decidiu levar a luta para o chão, foi quedado com facilidade e acabou finalizado.

Depois do combate, Ruffy explicou que não estava 100% fisicamente e revelou que estava doente. A justificativa ajuda a entender aquela atuação abaixo do esperado, mas não elimina completamente a dúvida que ficou. Afinal, se existe uma maneira de neutralizar o poder de Ruffy, é justamente tirando dele o espaço para trabalhar em pé.

E Arman Tsarukyan é provavelmente o pior adversário possível para descobrir se esse problema foi realmente resolvido.

Ruffy já mostrou que tem poder para estar no topo

Antes de falar dos problemas, é preciso lembrar por que Maurício Ruffy chegou tão rapidamente a uma luta desse tamanho. O brasileiro não ganhou espaço no UFC apenas por fazer boas apresentações. Ele ganhou porque consegue proporcionar momentos que fazem o público levantar da cadeira.

Ruffy tem velocidade, precisão e, principalmente, poder de nocaute. Quando encontra a distância certa, consegue transformar uma luta equilibrada em uma vitória praticamente instantânea. Esse estilo agressivo fez com que ele rapidamente se tornasse um dos nomes mais interessantes da nova geração dos leves.

O problema é que a divisão não é feita apenas de strikers. E esse detalhe fica cada vez mais importante conforme Ruffy sobe no ranking.

Depois da derrota para Saint Denis, o brasileiro teve uma resposta praticamente perfeita. Enfrentou Rafael Fiziev e dominou completamente o adversário, mostrando novamente sua capacidade de controlar uma luta em pé e terminou o confronto com um nocaute.

Depois, no evento realizado na Casa Branca, veio Michael Chandler. O veterano norte-americano carregava uma carreira enorme e experiência suficiente para tornar o confronto perigoso, mas Ruffy novamente conseguiu impor seu jogo e terminou a luta por nocaute.

Foram duas vitórias importantes para recuperar o embalo. Agora, porém, o nível de dificuldade sobe consideravelmente.

Questão que fica: Ruffy aguenta o wrestling de elite?

É impossível analisar Maurício Ruffy x Arman Tsarukyan sem voltar ao confronto com Benoît Saint Denis. Não porque aquela luta defina o brasileiro, mas porque ela mostrou exatamente o tipo de problema que pode aparecer contra os melhores pesos-leves do mundo.

Ruffy passou dificuldades quando Saint Denis conseguiu levar o combate para o chão. Contra Tsarukyan, a cobrança será muito maior. O armênio não é apenas um lutador que gosta de quedas; ele construiu praticamente toda sua carreira de elite em cima da capacidade de controlar adversários com wrestling, pressão e movimentação.

A tendência é que Arman tente fazer exatamente isso.

Se Ruffy conseguir manter a luta em pé, o cenário muda completamente. O brasileiro possui armas suficientes para ameaçar Tsarukyan e transformar qualquer erro do armênio em uma oportunidade de nocaute. Mas se Arman conseguir colocá-lo no chão repetidamente, a luta pode tomar um caminho muito diferente.

E é aí que está a grande pergunta do UFC 331.

Ruffy conseguirá levantar? Conseguirá impedir as quedas? E, principalmente, conseguirá manter a calma quando perceber que não terá a liberdade que costuma encontrar na trocação?

Essa realidade chegaria mais cedo ou mais tarde

Existe, porém, um ponto que torna essa luta ainda mais interessante: Ruffy não poderia fugir desse teste para sempre.

Se o objetivo do brasileiro é conquistar o cinturão do UFC, em algum momento ele teria que enfrentar adversários capazes de transformar a luta em uma disputa de grappling. E a divisão dos leves está cheia deles.

Charles Oliveira é um dos maiores exemplos. Paddy Pimblett também possui um jogo de chão extremamente perigoso. E agora Ruffy terá pela frente justamente Arman Tsarukyan, talvez o maior especialista em wrestling que poderia encontrar na categoria.

Ou seja, a realidade que apareceu de maneira tão dura contra Saint Denis faria parte do caminho de qualquer maneira. Se Ruffy realmente quer chegar ao topo, precisa aprender a lidar com ela. Não existe cinturão reservado apenas para quem prefere lutar em pé.

Essa talvez seja a parte mais importante do confronto contra Arman. O brasileiro não está apenas tentando vencer o número 2 do ranking. Está tentando descobrir se seu jogo é completo o suficiente para enfrentar o tipo de adversário que provavelmente encontrará quando estiver disputando o título.

Para Ruffy, a luta é melhor do que para Arman

O curioso é que, olhando apenas para o ranking, a luta parece muito mais perigosa para Tsarukyan. Ruffy está em décimo. Arman está em segundo.

Para o brasileiro, uma vitória representa um salto absurdo na hierarquia. De repente, ele passa a ser um dos nomes mais comentados da categoria e pode entrar diretamente na fila por uma luta ainda maior.

Para Arman, o cenário é completamente diferente. Ele está próximo do topo e precisa vencer para continuar justificando sua posição. Se derrotar Ruffy, terá feito o que se espera de um lutador número 2 contra o décimo colocado.

Se perder, porém, a situação fica bastante complicada. Isso dá a Ruffy uma espécie de liberdade competitiva. Ele tem muito mais a ganhar do que a perder em termos de reputação. Uma vitória contra Tsarukyan seria justamente o tipo de resultado capaz de mudar sua carreira.

E existe ainda uma recompensa simbólica: responder à pergunta que ficou desde Paris.

UFC 331 pode ser a prova definitiva de evolução

A derrota para Saint Denis não precisa ser vista como uma sentença sobre Ruffy. Todo lutador tem uma noite ruim, e o brasileiro teve a oportunidade de mostrar que aquilo não apagou tudo o que vinha construindo.

As vitórias sobre Fiziev e Chandler foram importantes justamente por isso.

Agora, contra Tsarukyan, ele terá a chance de fechar esse capítulo.

Se conseguir defender as quedas, levantar quando for colocado no chão e obrigar Arman a respeitar sua trocação, Ruffy terá dado um salto gigantesco em sua evolução. Não será apenas uma vitória contra o segundo colocado do ranking. Será uma demonstração de que ele encontrou respostas para o principal problema que apareceu em sua trajetória.

Por outro lado, se Tsarukyan conseguir dominá-lo no wrestling, o confronto também servirá como aprendizado. Melhor descobrir agora quais são as limitações do brasileiro do que quando ele estiver diante de uma disputa de cinturão.

Risco é enorme, mas o teste é necessário

Por tudo isso, Maurício Ruffy chega ao UFC 331 diante do maior desafio de sua carreira, mas também diante de um teste que pode ser fundamental para seu futuro.

O brasileiro já mostrou que tem poder de nocaute, personalidade e capacidade de se recuperar de uma derrota. Também mostrou que consegue vencer adversários experientes e transformar uma luta em espetáculo quando consegue trabalhar em pé.

Agora precisa mostrar que consegue fazer isso contra alguém que não pretende deixá-lo lutar onde se sente confortável.

Arman Tsarukyan é exatamente esse adversário.

Pode parecer um salto exagerado colocar o décimo colocado contra o número 2, mas existe lógica na escolha. Se Ruffy quer o cinturão, cedo ou tarde precisará encarar os grapplers da divisão. Charles Oliveira, Paddy Pimblett, Tsarukyan e outros nomes mostram que o caminho até o topo dos leves passa inevitavelmente pelo chão.

Por isso, essa luta talvez seja mais necessária para Ruffy do que parece. Ele não precisa apenas vencer Arman. Precisa descobrir se está preparado para enfrentar o tipo de lutador que estará esperando por ele quando chegar ao topo.

E, se conseguir responder essa pergunta da melhor maneira possível no UFC 331, talvez a próxima parada do brasileiro seja justamente onde ele quer estar: entre os candidatos ao cinturão.

Foto: Reprodução/UFC