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Championship: como West Ham, Burnley e Wolves chegam para buscar o acesso?

A Championship terá uma das temporadas mais interessantes dos últimos anos. Depois de uma campanha complicada na Premier League, West Ham, Burnley e Wolverhampton foram rebaixados e agora terão de encarar uma competição que costuma ser muito menos previsível do que parece. Com dinheiro das parachute payments, elencos ainda recheados de jogadores experientes e a pressão por um retorno imediato, o trio chega com objetivos ambiciosos.

Mas a Championship já mostrou várias vezes que não basta ter um elenco caro ou uma camisa pesada para subir. Na temporada passada, apenas o Ipswich Town conseguiu retornar à elite imediatamente. Southampton ficou pelo caminho, enquanto o Leicester City sofreu um dos maiores tombos possíveis: depois de cair da Premier League, não conseguiu reagir e acabou sofrendo um segundo rebaixamento consecutivo.

É justamente esse cenário que West Ham, Burnley e Wolves querem evitar. Os três possuem condições financeiras e esportivas para brigar pelo acesso, mas chegam à Championship em momentos completamente diferentes.

West Ham chega como favorito ao acesso

Depois de 14 anos longe da segunda divisão, o West Ham terá de se acostumar novamente com a rotina da Championship. O clube vinha apresentando uma queda de rendimento desde a conquista da Conference League em 2023 e acabou pagando caro por uma reta final ruim na Premier League.

A permanência na elite foi decidida em uma disputa apertada, mas quatro derrotas nas últimas cinco partidas acabaram selando o destino dos Hammers. Agora, o clube precisa transformar a frustração do rebaixamento em combustível para uma reação rápida.

E o primeiro ponto positivo está na permanência de Jarrod Bowen.

Aos 29 anos, o atacante possui características que podem fazer enorme diferença na Championship. Velocidade, intensidade, capacidade de atacar espaços e experiência no futebol inglês formam um pacote bastante difícil de encontrar entre os adversários da segunda divisão. Se conseguir permanecer saudável, Bowen tem tudo para ser um dos principais jogadores da competição.

Além disso, o West Ham conta com um treinador que conhece muito bem esse caminho.

Nuno Espírito Santo já conquistou a Championship com o Wolverhampton em sua primeira temporada no clube, em 2017/18. Depois disso, construiu uma carreira sólida na Premier League, especialmente em suas passagens por Wolves e Nottingham Forest. Ou seja, sabe que a competição exige muito mais do que simplesmente colocar bons jogadores em campo.

O London Stadium também pode ser uma arma importante. Com capacidade para 62.500 torcedores, o estádio será o maior da Championship. Transformar essa vantagem em resultados dentro de casa será fundamental para uma equipe que começa a temporada com obrigação de brigar pelo título.

O problema está fora das quatro linhas. As movimentações envolvendo a estrutura acionária do West Ham e a possível venda da participação da família Gold criaram um cenário de incerteza. Em uma temporada tão longa, qualquer turbulência administrativa pode acabar afetando o ambiente esportivo.

Ainda assim, entre os três rebaixados, o West Ham aparece como um dos candidatos mais fortes ao acesso direto.

Burnley conhece a Championship como poucos

O Burnley não precisa de apresentação quando o assunto é Championship.

O clube passou os últimos anos fazendo praticamente um intercâmbio entre a primeira e a segunda divisão. Desde 2014, os Clarets conquistaram quatro promoções à Premier League, comandados por Sean Dyche, Vincent Kompany e Scott Parker.

O problema é que três dessas promoções terminaram com um rebaixamento imediato.

A última campanha na Premier League foi especialmente ruim. O Burnley venceu apenas quatro partidas e terminou com 22 pontos, mostrando desde cedo que teria dificuldades para competir na elite.

Agora, a missão é reconstruir. Scott Parker deixou o cargo em abril, e o clube inicialmente tentou contratar Craig Bellamy. As negociações, porém, não avançaram, e Nicky Hayen acabou sendo escolhido como novo treinador após deixar o Genk.

A chegada do belga representa uma mudança de estilo. Hayen gosta de trabalhar com posse de bola, pressão e ataques mais diretos quando a equipe recupera a bola. Para isso funcionar na Championship, entretanto, o Burnley precisará montar um elenco compatível com suas ideias. E esse é justamente o grande desafio.

Doze jogadores já deixaram o clube neste verão, o que significa que Hayen terá de trabalhar rapidamente para reconstruir a equipe. Ugo Raghouber chegou para reforçar o meio-campo defensivo, enquanto Lluc Castell representa a aposta em um jogador jovem e de potencial.

Essa estratégia também segue uma filosofia já adotada pelo Burnley nos últimos anos. Dos 20 jogadores contratados antes da campanha que terminou com a promoção em 2024/25, 12 tinham 25 anos ou menos. Na temporada seguinte, na Premier League, sete dos 15 reforços estavam nessa faixa etária.

Na Championship, esse modelo pode voltar a funcionar.

Kyle Walker também adiciona uma dose importante de experiência. Aos 36 anos, o lateral já conquistou praticamente tudo no futebol de alto nível e agora terá pela frente um desafio diferente: ajudar o Burnley a voltar à Premier League e, quem sabe, colocar mais um troféu em uma coleção já recheada.

O Burnley sabe como conquistar o acesso. A questão é se conseguirá fazer isso novamente depois de tantas mudanças.

Wolves apostam em uma nova era

O Wolverhampton chega à Championship cercado por mais incertezas.

A temporada passada começou da pior maneira possível, com os Wolves passando as dez primeiras rodadas da Premier League sem vencer. Vitor Pereira acabou deixando o cargo, e Rob Edwards assumiu em novembro na tentativa de salvar o clube.

Houve uma reação, mas ela chegou tarde demais. O Wolverhampton terminou na 20ª colocação, 21 pontos atrás da zona de permanência. Para um clube que passou anos estabelecido na Premier League, a queda representa um duro golpe.

O mercado também virou motivo de insatisfação entre os torcedores. Nos últimos anos, jogadores como Pedro Neto e Matheus Cunha deixaram Molineux por valores elevados, mas o investimento desses recursos na montagem do elenco não foi considerado suficiente pelos fãs.

Neste verão, o clube tentou mudar esse cenário.

Kieran Trippier chegou para trazer experiência, André permaneceu e o retorno de Raúl Jiménez empolgou a torcida. O mexicano, inclusive, era visto como uma peça capaz de oferecer liderança e qualidade ofensiva em uma competição como a Championship.

Só que a empolgação durou pouco. Poucos dias depois da chegada de Jiménez, Rob Edwards foi demitido. Para substituí-lo, os Wolves escolheram César Peixoto, treinador português ainda sem experiência no futebol inglês.

Essa é provavelmente a maior aposta do clube para a temporada.

Peixoto é conhecido por um futebol agressivo e ofensivo, com pressão alta e bastante intensidade. Na teoria, características que podem funcionar muito bem na Championship. Na prática, porém, será necessário descobrir como suas ideias vão se adaptar ao futebol inglês.

O treinador terá à disposição uma mistura interessante de experiência e juventude. Trippier e Jiménez podem oferecer liderança, enquanto Mateus Mané representa uma das grandes esperanças para o futuro.

O problema é que os torcedores já chegam desconfiados.

A relação entre a torcida e a Fosun, dona do clube, continua complicada depois de anos de decisões de mercado questionáveis. Um bom desempenho na Championship pode começar a reconstruir essa relação. Um início ruim, por outro lado, provavelmente aumentará ainda mais a pressão sobre a direção.

Quem chega mais forte na Championship?

Entre os três, o West Ham parece ter o cenário mais favorável para retornar imediatamente à Premier League. A permanência de Bowen, a experiência de Nuno Espírito Santo e a estrutura financeira colocam os Hammers entre os grandes favoritos ao título da Championship.

O Burnley vem logo atrás, principalmente pela experiência recente em campanhas de promoção. O clube conhece a competição, sabe como montar um elenco para disputá-la e já mostrou que consegue transformar a Championship em uma passagem rápida. A reconstrução do elenco, entretanto, pode tornar o caminho mais complicado.

O Wolves talvez seja o maior ponto de interrogação. O elenco possui qualidade e experiência, mas a mudança de treinador e a chegada de César Peixoto tornam difícil prever o comportamento da equipe nas primeiras rodadas. E esse é justamente o ponto que torna a Championship tão interessante.

Os três clubes chegam com dinheiro, tradição e jogadores acostumados à Premier League. Mesmo assim, nenhum deles tem garantia de nada. O calendário é pesado, a competição é equilibrada e os adversários não vão respeitar o currículo de quem acabou de ser rebaixado.

Para West Ham, Burnley e Wolves, a Championship não será apenas uma segunda divisão. Será um teste de capacidade para reagir à queda, administrar a pressão e provar que o rebaixamento foi apenas um tropeço e não o começo de um problema muito maior.

Foto: Getty Images