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Alexis Sánchez no Montréal: aposta arriscada ou contratação perfeita? Confira

Alexis Sánchez é o mais novo grande nome do futebol europeu a desembarcar na Major League Soccer. Aos 37 anos, o atacante chileno assinou com o CF Montréal e terá pela frente um desafio completamente diferente depois de quase duas décadas atuando no futebol europeu.

Maior artilheiro da história da seleção do Chile, com 51 gols, Sánchez construiu uma carreira de enorme sucesso por clubes como Barcelona, Arsenal, Manchester United, Inter de Milão e Olympique de Marseille. Agora, porém, terá que provar que ainda pode fazer a diferença em um campeonato que exige bastante fisicamente.

O acordo com o CF Montréal vale pelo restante da temporada de 2026 e também pela temporada curta de 2027, que será disputada antes da MLS adotar definitivamente o calendário europeu. Para o jogador e para o clube canadense, a contratação representa uma aposta que pode dar muito certo, mas também possui riscos consideráveis.

Sánchez chega para ser protagonista

A expectativa é que Alexis Sánchez tenha impacto imediato no CF Montréal. Longe das principais competições europeias, o chileno deve encontrar mais espaço para ter a bola e participar diretamente das ações ofensivas.

Isso não significa, entretanto, que seu sucesso esteja garantido. A MLS mudou bastante nos últimos anos e já não é uma liga onde jogadores veteranos conseguem automaticamente dominar as partidas apenas pelo peso do nome.

Um exemplo recente foi James Rodríguez. O colombiano teve uma passagem decepcionante pelo Minnesota United no início da temporada, disputando apenas seis partidas. O caso mostra que a idade e o currículo não são suficientes para garantir uma adaptação tranquila ao futebol norte-americano.

Uma aposta segura para os dois lados

A última temporada de Sánchez pelo Sevilla mostrou que seu rendimento já não é o mesmo de seus melhores anos. O chileno marcou quatro gols e deu duas assistências em La Liga, números modestos para um jogador que durante muito tempo esteve entre os principais atacantes do futebol mundial.

Ao longo de sua carreira recente, Sánchez também passou a atuar mais como meia-atacante ou falso nove, diminuindo a velocidade de algumas ações e assumindo um papel mais criativo.

A MLS pode justamente oferecer ao chileno uma oportunidade de continuar sendo protagonista. Com mais espaço e menos pressão do que nas principais ligas europeias, Sánchez poderá mostrar que ainda tem qualidade para decidir partidas.

Para o Montréal, a contratação também apresenta poucos riscos. O clube ocupa a parte de baixo da Conferência Leste e chegou aos playoffs da MLS Cup apenas uma vez nas últimas nove temporadas.

Montréal precisa de um líder

Alexis Sánchez é a maior contratação do CF Montréal em termos de reconhecimento desde a chegada de Didier Drogba, em 2015. A expectativa é que sua experiência ajude a equipe a melhorar não apenas tecnicamente, mas também mentalmente.

O elenco do Montréal tem idade média de apenas 24,5 anos sem contar Sánchez. Isso significa que o chileno terá um papel importante como líder dentro do vestiário e poderá ajudar jogadores mais jovens a evoluírem.

Um dos principais beneficiados pode ser Prince Owusu, atacante de 29 anos que marcou 10 gols em 17 partidas na atual temporada. Sánchez chega para dividir responsabilidades e oferecer mais qualidade ao setor ofensivo.

A diretoria do clube acredita que o chileno pode causar impacto imediatamente. O diretor de recrutamento e metodologia esportiva Luca Saputo destacou justamente a qualidade técnica, a experiência, a personalidade e a liderança do atacante.

O problema é a falta de estrelas

Apesar da contratação de Sánchez ser interessante, existe uma questão importante: o CF Montréal não possui um elenco tão forte quanto outras equipes da MLS.

O chileno será o único Designated Player da equipe. Além disso, o clube conta atualmente com apenas dois jogadores inscritos pela U-22 Initiative: o defensor americano Jalen Neal e o meio-campista ucraniano Hennadii Synchuk.

Na prática, isso significa que Sánchez terá pouco apoio de outros jogadores de alto nível. Prince Owusu é uma das principais opções ofensivas, mas até ele encontrou dificuldades para mudar o cenário de uma equipe que vem sofrendo para competir.

Owusu soma 32 gols e 10 assistências em 88 partidas por Montréal e Toronto FC, mas nunca conseguiu levar a equipe aos playoffs da MLS Cup.

Uma estratégia antiga da MLS

É justamente esse ponto que torna a contratação de Alexis Sánchez diferente de outras chegadas recentes de estrelas europeias à MLS.

Durante muitos anos, os clubes da liga apostaram em jogadores veteranos para serem os grandes responsáveis por transformar equipes medianas. Atualmente, porém, a estratégia costuma ser diferente: as grandes estrelas chegam para complementar elencos que já possuem outras peças importantes.

Antoine Griezmann, por exemplo, chegou ao Orlando City e encontrou jogadores como Martín Ojeda e Marco Pašalić. Robert Lewandowski chegou ao Chicago Fire e passou a dividir o protagonismo com Philip Zinckernagel e Jonathan Bamba.

Thomas Müller teve situação semelhante no Vancouver Whitecaps, chegando como uma peça final de um time que já estava entre os melhores da MLS. Son Heung-min também encontrou em Denis Bouanga um parceiro ofensivo de alto nível no Los Angeles FC.

O cenário de Sánchez é diferente. O chileno chega a uma equipe que precisa de muito mais reforços para se tornar competitiva.

A idade pode ser um problema

Outro ponto de preocupação é a capacidade física do atacante. Nos últimos anos na Europa, Sánchez já vinha recebendo menos minutos e enfrentando maiores dificuldades para manter uma sequência de partidas.

Na MLS, o problema pode ser ainda maior por causa das longas viagens e das diferentes condições dos gramados. O desgaste físico é uma característica importante do futebol norte-americano e pode pesar para um jogador de 37 anos.

Por outro lado, Sánchez pode ter um calendário favorável. O Montréal ainda terá 16 partidas na temporada de 2026 e depois disputará outras 14 na temporada curta de 2027.

Essa quantidade de jogos pode permitir que o clube administre melhor os minutos do chileno e evite uma sobrecarga física.

Alexis Sánchez pode ser uma aposta certeira?

No melhor cenário possível, Sánchez recupera parte do futebol que apresentou em seus melhores momentos na Europa. Em 2022/23, por exemplo, chegou a marcar 18 gols pelo Marseille. No Milan, também teve temporadas com números importantes em assistências.

Se conseguir se aproximar daquele nível, o chileno pode transformar completamente o ataque do Montréal, que atualmente está entre os piores da MLS em produção ofensiva.

O maior desafio, porém, será conseguir fazer isso sem contar com um elenco recheado de estrelas ao seu redor. A falta de outros Designated Players pode limitar o impacto de Sánchez.

Ainda assim, a contratação faz sentido para os dois lados. Para o atacante, representa uma oportunidade de voltar a ser protagonista em uma nova liga. Para o Montréal, é uma chance de contar com um dos jogadores mais experientes que já passaram pelo futebol europeu.

Alexis Sánchez terá muito a provar na MLS, mas talvez seja justamente esse o ponto mais interessante da transferência. Aos 37 anos, o chileno não chega apenas para aproveitar os últimos anos da carreira: ele terá a missão de mostrar que ainda pode decidir jogos e liderar uma equipe em busca de dias melhores.

Foto: Getty Images