PSG, Ferran Torres. Foto: Ewen Gavet/Icon Sport via Getty Images.
Futebol Ligue 1 UEFA Champions League

Como Ferran Torres pode se encaixar no PSG de Luis Enrique? Entenda

Ferran Torres chega ao PSG cercado por uma característica que pode ser tão importante quanto os seus números: a versatilidade. Aos 26 anos, o espanhol deixou o Barcelona depois de uma temporada de afirmação. Foram 21 gols e três assistências em 49 partidas, números que ajudaram a transformar um jogador frequentemente visto como opção de banco em uma peça ofensiva de peso. Agora, ele reencontra em Paris Luis Enrique, treinador com quem já trabalhou na seleção espanhola.

E o reencontro pode ser justamente um dos fatores que explicam a chegada do atacante ao Paris Saint-Germain. Luis Enrique conhece Ferran Torres, sabe quais são suas principais características e já teve a oportunidade de utilizá-lo em diferentes funções. O espanhol pode atuar aberto pelos lados, aproximar-se da área ou assumir a posição de centroavante. Mais do que prendê-lo a uma posição específica, a tendência é que o treinador aproveite sua movimentação para aumentar a fluidez do ataque parisiense.

É justamente aí que o encaixe começa a ficar interessante.

Ferran não chega para ser apenas mais um ponta

Ferran Torres, PSG. Foto: Foto: X/PSG
Ferran Torres, PSG. Foto: Foto: X/PSG

O primeiro erro seria imaginar Ferran Torres como um simples substituto para um jogador específico do elenco do PSG. O espanhol é capaz de cumprir diferentes funções na linha ofensiva. No Barcelona, alternou entre os lados do campo e a posição de centroavante, desenvolvendo principalmente sua capacidade de atacar a área.

O próprio Barcelona chegou a destacar, ainda em 2025, seu desempenho como finalizador. Naquele momento, Ferran havia marcado 14 gols e distribuído três assistências em 33 partidas, mesmo tendo começado apenas 11 delas como titular.

Essa característica pode ser bastante útil em Paris. O PSG de Luis Enrique não constrói seus ataques a partir de jogadores presos às próprias posições. A equipe procura criar superioridades por meio da movimentação, das trocas de posição e da ocupação dos espaços. E Ferran entende esse tipo de jogo, principalmente pelo fato de que ele já trabalhou com o técnico na seleção espanhola entre 2020 e 2022.

Uma análise do período do atacante no Manchester City, publicada pelo Coaches’ Voice, já destacava como seus movimentos para zonas mais profundas eram capazes de deslocar a defesa adversária e abrir espaço para as infiltrações dos companheiros. Ou seja, Ferran não precisa necessariamente receber a bola no pé para participar da construção ofensiva.

Ele pode sair da posição para abrir espaço, atacar a última linha, aparecer por dentro, ocupar o corredor e, principalmente, chegar à área para finalizar. Para Luis Enrique, essa capacidade oferece uma série de possibilidades.

Onde Ferran Torres pode jogar no PSG?

Luis Enrique, PSG. Foto: Reprodução/PSG via site oficial.
Luis Enrique, PSG. Foto: Reprodução/PSG via site oficial.

O cenário mais interessante talvez esteja justamente na possibilidade de utilizá-lo em diferentes posições. O PSG chega à nova temporada com um ataque formado por jogadores extremamente móveis. Na campanha que terminou com o título da Champions League, Ousmane Dembélé, Désiré Doué e Khvicha Kvaratskhelia foram algumas das principais referências ofensivas da equipe. A própria UEFA destacou a importância do trio na construção do ataque parisiense.

Ferran pode entrar nesse contexto de diferentes maneiras. Pela direita, oferece uma alternativa a Dembélé, seja para preservar o francês durante uma longa temporada, seja para modificar o perfil da equipe durante uma partida. Pela esquerda, pode disputar espaço com Kvaratskhelia e acrescentar uma característica diferente, com menos dependência do drible individual e maior capacidade de atacar a área.

Também existe a possibilidade de atuar por dentro. Nesse cenário, Ferran poderia assumir a função de referência ofensiva sem necessariamente ficar preso entre os zagueiros, saindo da área para abrir espaços e permitindo que os pontas ataquem a última linha.

É justamente essa liberdade que pode torná-lo especialmente interessante para o PSG. A equipe francesa mostrou na última Champions que seus atacantes não são responsáveis apenas por esperar a bola no último terço. Dembélé, Doué e Kvaratskhelia participam da pressão, recuam quando necessário e trocam de posição constantemente. Tal disposição dos jogadores ofensivos do PSG para trabalhar sem a bola como uma das características importantes do time de Luis Enrique. Ferran pode oferecer o mesmo tipo de comportamento.

A movimentação pode ser o grande trunfo

O PSG de Luis Enrique gosta de criar problemas para as defesas adversárias antes mesmo de chegar à área. Quando um atacante abandona sua posição, o defensor precisa tomar uma decisão: acompanhar o movimento e abrir um espaço ou permanecer na estrutura e permitir que o adversário receba em uma zona perigosa.

É nesse momento que aparecem as brechas. Ferran é interessante porque sua movimentação pode ser utilizada justamente para provocá-las.

Imagine, por exemplo, o espanhol partindo da direita enquanto Kvaratskhelia permanece aberto pelo outro lado. Em determinado momento, Ferran pode abandonar o corredor e atacar o espaço entre lateral e zagueiro. Enquanto isso, outro jogador pode ocupar a faixa deixada por ele ou atacar a área.

A defesa deixa de lidar com jogadores posicionados de maneira previsível e passa a precisar reagir constantemente às mudanças de posição.

Esse tipo de dinâmica combina com o futebol de Luis Enrique. Nas análises táticas do PSG, é comum observar o 4-3-3 inicial se transformar em estruturas próximas de um 3-2-5 durante a posse, com os laterais assumindo diferentes funções e os atacantes ocupando os cinco corredores ofensivos.

A análise da final da Champions feita pelo Coaches’ Voice também mostrou a importância dos corredores laterais para criar situações de um contra um e atacar a última linha. Ferran pode ser útil justamente porque não precisa ficar preso a um único corredor.

O PSG não precisa de outra estrela. Precisa de outra solução

Doue PSG
Foto: AFP

Talvez esse seja o principal ponto para entender a contratação. O PSG acabou de conquistar a segunda Champions League consecutiva e voltou a levantar a Supercopa da UEFA, derrotando o Aston Villa por 2 a 1. Kvaratskhelia e Doué marcaram os gols da equipe no duelo. Portanto, Ferran não chega a Paris para consertar um ataque que estava quebrado.

Ele chega para aumentar as possibilidades de um ataque que já funciona.

Essa diferença é importante. O PSG não precisa necessariamente de alguém para substituir Dembélé, Kvaratskhelia ou Doué. A equipe precisa de jogadores capazes de manter o nível quando um deles não estiver disponível, além de oferecer ao treinador a possibilidade de mudar a característica do time durante uma partida. E Ferran entrega exatamente isso.

Ferran recebeu a camisa 9 do PSG

O número pode indicar que o centro do ataque será uma das funções consideradas para o espanhol. Isso, porém, não significa que ele precise atuar como um centroavante tradicional. Na verdade, pode acontecer justamente o contrário.

Ferran pode começar por dentro e abrir para os lados. Pode partir de uma das pontas e atacar a área. Pode funcionar como referência ou recuar para participar da construção. A liberdade de movimentação talvez seja seu maior valor para Luis Enrique.

O PSG já tem talento individual de sobra. O que Ferran Torres pode acrescentar é a capacidade de transformar esse talento em diferentes configurações ofensivas. E, para um time que acabou de conquistar duas Champions League consecutivas, ter mais uma peça capaz de mudar o desenho do ataque pode ser justamente o próximo passo para tornar uma equipe já difícil de enfrentar ainda mais imprevisível.